Como sobreviver ao desprezo do chefe [ e ser bem mais feliz no trabalho ]

Quando você começa a perceber os sinais de desprezo

Durante muito tempo você foi o queridinho do chefe e todas as suas ideias eram extremamente bem-vindas. Algumas eram até aplaudidas, pois surgiam no momento em que sua área estava sob mira da diretoria. Você mal conhecia o significado da palavra desprezo.

Graças a uma nova ideia – sua, é óbvio, afinal, você ama o trabalho e não pensa em outra coisa –, seu chefe sobreviveu e você também embora ele tenha se apropriado das suas ideias descaradamente.

De um tempo para cá seu chefe anda diferente e, por alguma razão, adivinhe, ele se tornou menos acessível, evita olhar nos seus olhos e, ainda que a conversa entre vocês seja inevitável, nunca está disponível.

Na prática, ele sempre arranja tempo para todos, inclusive para os seus subordinados, menos pra você. Quando você parte para o contra-ataque e decide arrancar aquele tão esperado feedback, recebe o misterioso chavão: hoje não, outra hora conversamos.

Resignado, você volta para a mesa e continua firme no micro quando aparece a secretária com aquele sorriso sarcástico acompanhado de notícia ruim: o chefe disse que esse relatório está uma porcaria e se você não tem condições de fazer algo melhor, avise. Ele quer algo decente na mesa dele segunda pela manhã.

A sensação é terrível e seu desejo é pegá-lo pelo pescoço e atirá-lo do décimo andar, porém aguenta firme, olha para o relógio e diz pra si mesmo: são 19 horas ainda, posso ficar um pouco mais e dar um jeito nisso.

É sexta feira e você se dá conta de que são 22:30h, então, decide ir embora e leva mais trabalho pra casa. Ao chegar, abraça a esposa, dá um beijo nas crianças e, obviamente, a infelicidade fica estampada no seu rosto.

Apesar do sorriso amarelado, pra não trazer mais preocupação do que o necessário, o seu lado humano não falha considerando que as emoções, positivas e negativas, são parte integrante da natureza humana.

Todos vão pra cama, menos você, que passa a noite absorvendo as lições de Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie, na tentativa de reverter a situação na empresa, afinal, todo desprezo deve ter a sua origem.

Um turbilhão de ideias atrapalha a leitura: não é comigo, vai passar, Deus é pai, sou bom no que faço, meu nome é trabalho, segunda resolvo e tantos outras que surgem.Como evitar o desprezo do chefe | Artigo de Jerônimo Mendes

Uma falsa sensação de alívio

Segunda feira é outro dia, você sai de casa mais confiante e animado, afinal, chefes também têm lá o seu dia de inferno astral e, provavelmente, o seu deve ter refletido no fim de semana.

No estacionamento você percebe que a sua vaga está ocupada. Algum desavisado deve ter colocado o carro no seu lugar – você imagina. Ao questionar o vigilante na portaria, ele sorri e delicadamente sugere que você estacione em o veículo em outro local.

Você esbraveja, desabafa um pouco, acha uma vaga qualquer e segue para a entrada do edifício depois de caminhar mais de duzentos metros debaixo de chuva. O importante é chegar no horário.

Pacientemente, depois de espremer a água da barra da calça no vaso sanitário, você volta para sala, liga o notebook e imagina que a senha de acesso foi alterada sem o seu conhecimento.

Depois de algumas justificativas sem pé nem cabeça por parte da TI, alguém decide liberar uma senha provisória enquanto você tenta convencer a si mesmo que a senha foi digitada incorretamente várias vezes, portanto, deve ter sido bloqueado pelo sistema.

Aos poucos você se deu conta de que um dos membros da equipe não está na sala e, ao perguntar por ele, mais uma decepção. Acredite ou não, ele foi convidado para uma reunião com o seu chefe.

Como assim? Você vai tirar satisfações com a secretária e questiona o fato de não ter sido convocado. A resposta está na ponta da língua: você não havia chegado e o chefe estava com pressa.

Quando a reunião termina você está no banheiro e, por coincidência, entra o chefe, cantarolando. A fim de aproveitar a presença do magnânimo, você dispara: chefe, da próxima vez eu quero ser chamado para a reunião, afinal, ainda sou o responsável pelo setor, ou não? Relaxe – diz o chefe, sem dar muita atenção.

Há tempos você está se sentindo isolado, almoça sozinho e os colegas não são mais os mesmos. Você é o último a tomar conhecimento dos fatos e faz tempo que não recebe um novo desafio.

No último sábado houve mais um churrasco na casa do chefe e você não foi convidado nem para lavar os espetos. Para completar, a apenas um ano da aposentadoria, você foi convidado a trabalhar no interior, a pouco mais de mil quilômetros, custo da mudança por sua conta, é claro.

A despeito do sacrifício imposto à família e a mudança radical que isso vai proporcionar, você é tomado por uma sensação de alívio. Todo encontro com o chefe desperta um sentimento profundo de depressão e a certeza de que o amanhã nunca será como antes.

Como sobreviver ao desprezo do chefe

Qualquer um dos fatos mencionados exala um cheiro inconfundível de desprezo no ar. A expressão fritura – desprezo utilizado por lideranças para coagir profissionais subordinados – é ligeiramente grotesca, mas cabe muito nos exemplos citados, em muitas organizações públicas e privadas, sem o menor pudor.

Investimentos em treinamento e desenvolvimento de novas lideranças tendem a reduzir esse tipo de comportamento, diretamente relacionado com a falta de transparência e de respeito pelo ser humano.

Existem várias maneiras de se defender e amenizar o calor da fritura embora na maioria dos casos a demissão seja irreversível. Contudo, certas atitudes podem ser tomadas para amenizar o distanciamento entre chefe e subordinado, entretanto, é preciso ter coragem para enfrentar o problema. Vejamos:

Levante o problema: reúna-se com o chefe, abra o jogo, esclareça as percepções: quais são as razões para o tipo de postura adotado por ele? Pergunte claramente: onde você está errando?

Ajuste o comportamento: seja qual for a divergência, sempre é possível melhorar; reflita, leia mais a respeito, peça ajuda aos colegas, estimule os membros da equipe a falarem. Toda ajuda é bem-vinda.

Foco no trabalho: não reclame, não conspire contra o chefe, não julgue. Dê o melhor de si, faça a sua parte e continue caminhando, afinal, tudo muda rapidamente.

A situação permanece insustentável? Faça um favor a si mesmo e tome a atitude mais louvável que alguém pode tomar em situações semelhantes: mude enquanto é tempo.

Acredite, existem inúmeras empresas onde a sua energia, o seu tempo e o seu talento podem ser melhor aproveitados. A saída da empresa é, para muitos, a entrada para uma vida mais digna, mais rica e desafiadora em outro lugar. Pense nisso e seja bem mais feliz!

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