Em busca do emprego ideal [ e as principais razões para conseguir ]

O primeiro emprego a gente nunca esquece

Há quarenta anos eu consegui o meu primeiro emprego como Auxiliar de Escritório nas Indústrias Klabin do Paraná S.A., uma gigante do ramo industrial papeleiro, na cidade onde eu morava.

Meus pais se aposentaram na empresa e minha irmã do meio trabalhou lá por mais de vinte anos. Na época, quase toda a cidade havia trabalhado na Klabin. Quem não trabalhou tinha alguém em casa que trabalhou. Ter a carteira assinada pela maior empregadora da cidade era o sonho de consumo da população local.

O primeiro emprego a gente nunca esquece. Eu tinha o melhor salário do mundo, um ótimo chefe, mesa exclusiva e companheiros inesquecíveis. Eu não reclamava das botas com biqueira de aço nem das broncas inesquecíveis do chefe, um verdadeiro pai.

Dia após dia, eu tinha de me levantar cedo, bater cartão-ponto às sete e trinta e seis da manhã, fazer hora extra e me deslocar pelas obras e pelo escritório central a pé durante o dia todo mesmo sabendo que à noite haveria uma jornada de estudos para cumprir.

O que era mais importante na época? Eu tinha crachá, símbolo de dignidade, segurança, status, respeito e um pacote considerável de benefícios para a minha idade. Trabalhar na Klabin aos 14 anos era o sonho de consumo de qualquer jovem naquela época. Foi um tempo inesquecível, de muito aprendizado, sem medo de ser feliz.

Em busca do emprego ideal

Quando é hora de mudar

Em 1980 eu fui aprovado no exame da Escola Técnica e pedi demissão, três anos depois de ter sido admitido. Meu chefe, o Sr. Pedro, deu a maior força e ainda datilografou uma carta de referência pra me ajudar na procura de um novo emprego em Curitiba. Meu pai vibrou e naquele momento eu tinha quase certeza de estar no caminho certo.

Diferente dos demais, minha mãe se fechou no quarto e chorou só de imaginar que eu não queria ficar pelo menos trinta anos no que ela dizia ser o emprego ideal. Entretanto, minha intuição dizia que as oportunidades não surgem por acaso e que o emprego ideal não viria sem estudo, sem determinação e novas experiências.

Depois de algum tempo, e com muito jeito para convencer minha mãe, além de uma vontade inabalável, eu deixei o interior para tentar a vida na capital paranaense, a exemplo de milhares de jovens do mundo inteiro quando deixam a casa dos pais pra tentar a sorte em outro lugar.

Na prática, você nunca sabe quando é hora de mudar. O que muita gente sabe é que, quando as oportunidades aparecem, a melhor coisa a fazer é pular em cima do cavalo e sair cavalgando em direção ao destino mais próximo e ninguém melhor do que você, por meio da sua intuição, consegue avaliar e sentir o momento em que a consciência desperta para a mudança.

Enfrentando as adversidades

O sonho de construir uma carreira brilhante e encontrar o verdadeiro eldorado profissional numa cidade grande foi aplacado temporariamente no mesmo instante em que encontrei o primeiro chefe inescrupuloso.

Mais dia, menos dia, todo profissional encontra um superior imediato difícil de lidar, para o qual o conhecimento técnico nunca é suficiente. Faz parte do jogo. Contudo, hoje eu sei mais do que ninguém, por trás das adversidades existem oportunidades disfarçadas.

No auge da minha impetuosidade juvenil, as adversidades sempre me conduziram para ambientes mais promissores e aos poucos eu fui galgando a escada corporativa. Por conta disso, abandonei o meu primeiro emprego na capital quando surgiu outra oportunidade melhor e não hesitei em mudar na que veio depois.

Em quarenta anos de história profissional, eu mudei oito vezes de empresa e nunca encontrei o emprego ideal, por uma simples razão: o emprego ideal é onde você está. Em todos os lugares por onde passei, a maioria das adversidades era parecida, apesar das novas perspectivas de crescimento.

Em todas as profissões, ocupações e gerações, a busca incessante do ser humano por uma zona de conforto, por vezes, maior do que sua própria natureza lhe proporciona, o transforma num eterno descontente.

Eu me angustio quando vejo pessoas sendo estimuladas a procurar o emprego ideal como se isso dependesse exclusivamente da boa vontade de cada um. A natureza humana é insaciável. Quando uma necessidade é atendida, outra surge no lugar, uma verdade perfeitamente compreensível que contribui para o processo de evolução pessoal e profissional.

Portanto, as adversidades não estão apenas dentro da empresa, da casa onde moramos ou dos lugares por onde passamos. A maioria delas está dentro de nós mesmos, por meio das nossas crenças irracionais, dos nossos modelos mentais mal construídos, das nossas incertezas em relação ao que queremos e pensamos.

O que fazer para se aproximar do emprego ideal

Cursos, diplomas, treinamentos, apadrinhamentos ou aconselhamentos de qualquer natureza não poderão ajudá-lo a encontrar o emprego ideal enquanto você estiver condicionado a associar dinheiro ao sucesso.

De modo geral, o emprego ideal está diretamente associado ao sentido de realização e ao gosto pela vida e o dinheiro é uma consequência natural, fruto do seu trabalho. Obviamente, alguns são mais valorizados que outros e, nesse aspecto, há uma série de fatores a considerar.

São poucos os casos de pessoas dispostas a abrir mão de um bom salário ou de um ótimo cargo para se dedicar a projetos mais nobres e menos rentáveis, porém mais alinhados com a sua vocação original. Em geral, ocorre quando a pessoa já sacrificou parte da vida e da saúde numa corrida desenfreada pelo dinheiro.

A partir do momento em que você toma consciência da importância do trabalho na sua vida, você passa a sonhar com o emprego ou com a profissão ideal e, automaticamente, o desejo é transformado em objetivo de vida.

Contudo, ainda que você não estabeleça metas para alcançá-lo, por conta própria ou mesmo como empregado, ele permanece no inconsciente, pronto para pressioná-lo ao menor sinal de descontentamento.

Por tudo isso, o emprego ideal depende de uma série de fatores, os quais, apenas o tempo, transformado em experiência de vida, é capaz de proporcionar. É um misto de vocação, preparação e oportunidade. Por essa razão, empregos são transitórios e nossos objetivos estão sempre além do que já foi alcançado.

A maioria das pessoas vive imaginando que o emprego dos outros é melhor e, por essa razão também, existe sempre alguém pronto para ocupar o seu lugar, pois, enquanto você está cobiçando o cargo do chefe, alguém está cobiçando o seu.

Meu pai trabalhou trinta anos na mesma empresa e não encontrou o emprego ideal. Eu passei por oito empresas diferentes até encontrar algo que faz sentido, do qual eu não pretendo me desgrudar até o fim.

Conheço dezenas de profissionais acima dos sessenta anos que ainda não sabem o que fazer da vida, além de outros que continuam esperando a aposentadoria para depois se dedicar ao emprego ideal.

Mudar de emprego não basta, é necessário encontrar-se interiormente, ser menos crítico, mais otimista e menos ansioso. Definir prioridades, estabelecer metas e preparar-se definitivamente para alcançá-las é a segunda parte do processo.

Quando se sentir ameaçado, desmotivado e infeliz com o cargo que ocupa ou o salário que ganha, basta comparar o estágio alcançado com o dos demais da sua geração e você verá que a situação não lhe parece tão ruim.

O primeiro passo indispensável para conseguir o emprego ideal é decidir o que você quer da vida. Creio que mais importante do que encontrar o emprego ideal é nunca deixar de persegui-lo. É a melhor maneira de não se acomodar.

Como dizia Martin Luther King, dê o primeiro passo com fé. Você não precisa ver toda a escada, apenas suba o primeiro degrau. Pense nisso e seja bem mais feliz!

Quer aprender um pouco mais?

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