Valentin e Elisa Tramontina

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Não há quem não conheça a marca Tramontina uma vez que seus produtos são vendidos em mais de 100 países a o redor do mundo.

As dez fábricas que compõem o Grupo Tramontina em Carlos Barbosa, Garibaldi, Farroupilha, Recife, Belém, Encruzilhada do Sul e Canoas empregam em torno de 8.000 pessoas com uma linha de produtos superior a 16 mil itens.

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A despeito de todo o sucesso conquistado, a solidez econômica dos dias atuais foi conquistada após décadas de muito trabalho, dedicação e, acima de tudo, perseverança, principalmente de Dona Elisa de Cecco, viúva do fundador. Os primeiros anos foram os mais sofridos.

Em 1911, três anos após a ferrovia ter chegado até Carlos Barbosa, região serrana do Rio Grande do Sul, o ferreiro Valentin Tramontina chegou à cidade, oriundo de Santa Bárbara, interior de Bento Gonçalves. A pequena ferraria que montou na cidade, ao lado do pavilhão onde hoje existe a borracharia do Posto do Guerra, fazia pequenos consertos além de ferrar cavalos.

O início da hoje exuberante Cutelaria ocorreu em seguida, quando Valentin passou a fazer canivetes depois de ter visto um que veio da Itália. Em 1919 prestou serviço militar no Tiro de Guerra 395, mesmo ano em que comprou um terreno e fez a nova ferraria. No ano seguinte, em 1920, casou-se com Elisa de Cecco.

O casal teve três filhos, Ivo, Henrique e Nilo. A ferraria passou por dificuldades nas duas décadas seguintes, culminando com a morte de Valentin em 1939 que comandou a empresa por 28 anos. Foi quando aflorou de vez a fibra de Elisa. A viúva ficou com dois filhos pequenos e a responsabilidade de levar adiante a pequena ferraria que também produzia canivetes.

Valentin era um colono artesão, oriundo de Santa Bárbara, interior de Bento Gonçalves, filho de imigrantes italianos. Mudou-se para Carlos Barbosa porque a ferrovia significava perspectiva de expansão. Em 1919, no mesmo ano em que presta serviço militar no Tiro de Guerra 395, ele compra um terreno de 300 m2 na Rua Amapá, construindo um prédio de madeira para abrigar a ferraria.

Na época, trabalham o fundador, o irmão Luiz e mais duas pessoas. Até 1930, a produção da ferraria era modesta. Valentin prestava serviços a empresas, entre elas, Arthur Renner, proprietário de uma refinaria de banha; fazia conserto em indústrias locais, ferrava cavalos e fabricava canivetes.

Nesta época, havia 5 empregados trabalhando na ferraria, e 6 trabalhando a domicílio. O aço necessário para fabricar as lâminas era obtido batendo-se molas de caminhão usadas. Recorria-se aos malhos instalados em rodas d’água existentes na região para forjar o aço. Somente em 1932 teve início a fabricação de algumas facas com cabo de chifre. Os modelos foram tirados de facas importadas que haviam sofrido danos durante um incêndio em um armazém de importador em Porto Alegre. Coube à Ferraria Tramontina o trabalho de recuperá-las.

Quando morreu seu fundador, a produção era artesanal e resumia-se a facas e canivetes feitos com cabo de chifre. A partir daí assume a ferraria dona Elisa Tramontina, esposa de Valentin, que desponta como uma empreendedora nata e arrojada. É ela que vai vender a produção nos mercados regionais e na capital. Durante a Segunda Guerra Mundial, caso não existisse a determinação e a coragem de Elisa, a ferraria teria sucumbido.

Em 1944, a empresa compra a sua primeira prensa excêntrica. Antes, todas as lâminas eram cortadas manualmente com o auxílio de talhadeiras. Depois passaram a ser cortadas com o uso de estampos.

O ano de 1949 pode ser considerado um marco na história da empresa. Trata-se da data em que Ruy José Scomazzon, um jovem de apenas 20 anos, cursando a faculdade de Ciências Econômicas da PUC – Porto Alegre, começa a prestar assessoria à TRAMONTINA. Ruy, com espírito de liderança, implanta planos ambiciosos, enfatizando a organização em todos os setores. Inaugura-se uma nova etapa. O caráter artesanal dá lugar a uma produção manufatureira. Na década de 50, a empresa contava com 30 empregados e alguns representantes comissionados, espalhados pelo estado do Rio Grande do Sul. Nesta época, os canivetes representavam 90% do faturamento.

Em 1954, organiza-se a empresa V.a. Valentin Tramontina & Cia. Ltda., sendo sócios, Elisa e Ivo Tramontina, e Ruy J. Scomazzon. No ano seguinte tem início a laminação do aço. Antes o aço era obtido forjando-se pedaço por pedaço, em um malho. A laminação abriu imensas possibilidades de crescimento. As décadas de 60 e 70 são marcadas pela instalação de empresas do grupo em Garibaldi, Farroupilha e no estado da Bahia.

Nestes anos, a linha de produtos ganhou inúmeros itens como facas (cozinha, profissional, esportiva), canivetes, tesouras, espetos, talheres, utensílios de cozinha e panelas, formas e travessas antiaderentes de alumínio; materiais elétricos como interruptores e tomadas, além de uma vasta linha de ferramentas como martelos, chaves de boca, chaves de fenda, alicates, formões, plainas, serras, serrotes, entre outras.

A década de 80 foi de um enorme crescimento para empresa, tanto no mercado interno como externo, onde em 1986 inaugurou uma subsidiária na cidade de Houston no Texas. Nos anos seguintes a TRAMONTINA se tornou definitivamente um gigante em seu setor, ampliando ainda mais sua linha de produtos e ingressando em muitos mercados mundiais como a Alemanha (1993), Chile (2000), Dubai (2004) e Peru (2005).

Neste novo milênio a TRAMONTINA também decidiu que tinha chegado a hora de ir além da cozinha. A ordem partiu de Clóvis Tramontina, neto de Valentim e principal responsável pelas maiores mudanças da empresa nos últimos anos. A grande tacada do empresário foi aproveitar uma simples fábrica de cabos de madeira que revestem talheres para ingressar no mercado de móveis. Cadeiras e mesas com a marca TRAMONTINA começaram a aparecer nas lojas. O mesmo aconteceu com a unidade que fazia cabos de plástico: foi ampliada para fabricar móveis para piscina.

Em 2007, a TRAMONTINA, líder nacional nos segmentos de panelas, talheres e ferramentas, decidiu combater os importados com um apelo à “brasilidade” do consumidor e uma política comercial mais agressiva. A empresa lançou uma coleção de panelas em aço inoxidável denominada “Linha Tropical”, com a bandeira do Brasil nas embalagens de cinco unidades e preço ao consumidor padronizado em R$ 199 para todo o país, parcelado em até dez vezes. O resultado: Em três meses foram vendidas 435 mil unidades.

Pense nisso e empreenda você também!

A linha do tempo

1959

Fundação da Metalúrgica Forjasul Ltda., no bairro Passo do Feijó em Porto Alegre, onde hoje se produz: Eletroferragens forjadas para linhas e transmissão elétrica até 1000 kV, peças forjadas sob encomenda até 100 kg (em matriz fechada) ou até 300 kg (peças parcialmente forjadas), ganchos haste conforme DIN15401 com capacidade de até 110 toneladas, ganchos olhal com capacidade de até 50 toneladas, tornos de banca forjados, ferramentas, machados e marretas.

1961

A empresa transforma-se em Sociedade Anônima e surge a Tramontina S.A. – Cutelaria e Ferramentas Agrícolas. Esta unidade da TRAMONTINA produz: Facas (cozinha, profissional, esportiva), canivetes, tesouras, espetos, talheres, utensílios de cozinha e panelas, formas e travessas antiaderentes de alumínio.

1963

Início das atividades da Tramontina Garibaldi S.A. (Garibaldi/RS). Em Garibaldi são fabricados:

Martelos, machadinhas, chaves de boca, chaves de fenda, alicates, torquês, formões, plainas, níveis, serras e serrotes.

1971

Início das atividades da Tramontina Farroupilha S.A. (Farroupilha/RS). Em Farroupilha a TRAMONTINA produz: Panelas de aço inoxidável, baixelas, talheres finos e utensílios de cozinha de aço inoxidável.

1976

Início das atividades da Forjasul S.A. Materiais Elétricos (Carlos Barbosa/RS). Hoje transformada em Forjasul Eletrik S.A., onde se produz: acessórios para eletrodutos, interruptores e tomadas, caixas de derivação e acessórios de alumínio para redes de transmissão de energia elétrica.

1982

Início das atividades da Tramontina Ferramentas Agrícolas S.A. (Carlos Barbosa/RS). Hoje essa divisão produz: Carrinhos-de-mão, ancinhos, enxadas, picaretas, pás, foices, foicinhas, gadanhos, cavadeiras, cortadores de grama, jardinagem e tesouras de poda.

1986

Início das atividades da Tramontina Belém S.A., que fabrica nos dias de hoje móveis de madeira, tábuas de corte, utilidades de madeira e cabos de ferramentas.

1990

Início das atividades de Forjasul Encruzilhada Ind. de Madeiras Ltda. (Encruzilhada do Sul/RS). Hoje chamada Tramontina Madeiras S.A. produz painéis de pinus, prateleiras retas e de canto, estantes e utilidades domésticas.

1996

Criação do Tramontina TEEC S.A., onde são fabricadas pias e cubas de aço inoxidável.

1998

Criação da Tramontina Delta S.A. fabricando mesas e cadeiras de polipropileno.

2007

Início da produção de fogões de mesa, chamado cooktops, e de vitro-grills, chapas de vitrocerâmica portáteis que podem ser usadas tanto como fogão como grelha.

Fonte:

http://www.mundodasmarcas.com.br

Consulta em 26.04.2010

http://www.jornalcontexto.com.br

Consulta em 26.04.2010

http://www.tramontina.com.br/institucional/historia

Consulta em 26.04.2010

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