O melhor ano da sua vida

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“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o  milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”.

Quem me dera que esses versos fossem meus, mas pertencem a Carlos Drummond de Andrade, nosso poeta maior, o gênio das palavras inesquecíveis e dos versos inconfundíveis. Quando Drummond se foi eu tinha 24 anos, já estava casado, meu primeiro filho estava prestes a completar um ano e Elvis Presley havia partido para o outro lado há exatamente dez anos e um dia. Parece que foi ontem.

O tempo é implacável. Faz trinta anos que eu afirmei para um amigo de infância, o Pinduca, que ainda faltava quatro anos para eu me alistar, à beira da barragem de Lagoa, lugarejo onde eu vivi um período simplesmente inesquecível da minha vida. Daqui a menos de quatro anos vai fazer exatamente trinta anos que eu escapei do serviço militar para seguir lutando por outra causa mais justa, a corrida contra o tempo, a favor do desenvolvimento pessoal. Posso afirmar que avancei um bocado, mas ainda tenho muito chão pela frente.

O final de ano mais emocionante da minha vida aconteceu em 1984 quando, a apenas trinta minutos do novo ano, consegui destruir o velho Passat do meu pai num acidente. Todos os anos, na virada do ano, o apito da oficina onde ele trabalhava soava a partir da meia-noite e permanecia reinando durante quinze minutos. Foi o início de ano mais longo da minha vida.

E lá estava eu, sentado à beira de um barranco, esperando o socorro chegar. Imagine quem chegou para me socorrer. Meu pai amava aquele carro mais do que a minha mãe e os filhos, mas, para minha surpresa, ele ficou contemplando o veículo estraçalhado e tentando imaginar o que eu havia feito. Com voz serena despejou apenas uma frase: – Feliz ano novo, seu Jerônimo! Não consegui balbuciar uma palavra, mas naquele momento concluí que ele gostava realmente de mim.

Uma vida bem-sucedida é apenas uma sucessão de dias bem-sucedidos, segundo Hal Urban, autor de As Grandes Lições da Vida, e muitos dias mal-sucedidos, dito por minha conta. E devemos dar graças por ser assim. Penso que levar uma vida isenta de preocupações não teria a menor graça. Estamos aqui para enfrentar os problemas e aprender com os próprios erros. Isso é o que nos faz diferentes, inteligentes, dignos de pertencer a um grupo, de obter um diploma, de conseguir um bom emprego, de ter uma casa confortável, uma família sólida e, com muito esforço, conquistar o respeito da sociedade.

Nos últimos 365 dias fomos incapazes de cumprir as promessas feitas no ano anterior, mas sobrevivemos a todo tipo de pressão: juros, dívidas do cartão de crédito, hipocrisia de alguns políticos, planejamento estratégico alheio, inveja, pessimismo, chefes inescrupulosos e mal-humorados, excesso de trabalho, apertos de mãos e tapinhas indesejados nas costas, ausência de reconhecimento e muitos sorrisos falsos de inimigos que desejaram o nosso bem a contragosto.

A facilidade que o ser humano possui para encontrar desculpas é algo impressionante. Arranjamos uma dezena delas no menor intervalo de tempo, coisas como “se eu tivesse mais tempo”, “se eu tivesse mais dinheiro”, “se eu fosse mais novo”, “se minha esposa deixasse”, “quando os filhos crescerem” ou “quando as crianças saírem de férias” e outras bobagens que estão automaticamente incutidas no subconsciente, prontas para serem cuspidas ante o simples questionamento.

Eu já ouvi todas essas desculpas e sou réu confesso, já usei a maioria delas. Convenhamos, a vida é muito mais simples quando sabemos o que realmente nos move e nos faz felizes. Enquanto isso não estiver profundamente enraizado em nossa consciência e, principalmente, dentro do nosso coração, será difícil conseguir algo diferente no ano seguinte. E as desculpas estarão sempre à nossa disposição, companheiras inseparáveis da nossa falta de vontade e de determinação.

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“Toda manhã, quando o despertador toca, temos uma oportunidade totalmente nova de fazer o que quisermos com as horas que nos foram concedidas. Ganhamos essa folha em branco a cada novo dia do resto de nossas vidas”, segundo Hyrum Smith, autor de O Gladiador Moderno, portanto, no próximo ano vou dar o melhor de mim para que o mundo seja mais alegre e solidário.

Essa é a magia do ano novo. Podemos recomeçar do zero, esquecer os erros alheios, perdoar os próprios pecados, reacender as esperanças, fazer novas promessas e, sob uma perspectiva completamente diferente, realimentar o sonho logo no primeiro dia quando pessoas que não conhecemos, de todos os credos, tipos e culturas, apertam a nossa mão e com um sorriso nos lábios, nos desejam um feliz ano novo. E se tivermos bom senso, devemos aceitar a oferta para começar bem o ano e manter uma perspectiva otimista de vida.

Isso é o que Drummond chama de industrialização da esperança. O ano novo será sempre o melhor ano da sua vida.

Nele residem todas as suas esperanças por um mundo melhor, um emprego melhor, uma convivência mais pacífica, feliz e saudável com os seus pais, filhos, amigos e conhecidos. E não se esqueça do chefe, do patrão, do sócio e dos colaboradores diretos. Eles são fundamentais para o seu desenvolvimento profissional e para o seu crescimento interior.

Quando decidi publicar o meu primeiro livro foi sofrível. Recebi mais de cem cartas de editoras elogiando o meu trabalho e me incentivando a seguir em frente, porém a resposta era sempre “não”. Entretanto, quando o desejo é mais forte, aliado a um propósito de vida, dificilmente o mundo consegue nos deter. Finalmente, cinco anos depois da primeira tentativa, consegui publicar o primeiro, depois o segundo e o terceiro. Em breve, o quarto livro estará disponível para todos os admiradores do meu trabalho. Atualmente meus objetivos estão bem definidos, dentre os quais a publicação de pelo menos vinte livros nos próximos cinqüenta anos. Tenho muito trabalho pela frente, graças a Deus.

No próximo ano faça um favor a si mesmo, evite as promessas que você é incapaz de cumprir, apenas tente cumprir aquelas que você vem repetindo mentalmente há anos e adiando para o ano seguinte. Note que as promessas não variam muito, porém a sua determinação pode fazer a diferença. Determinação, persistência e disciplina são os alicerces para uma vida plena de realizações.

Parafraseando Jorge Luís Borges, ícone da literatura argentina, no próximo ano eu quero cometer mais erros, ser menos perfeito, relaxar mais, ficar mais bobo, não ser levado muito a sério. Quero correr mais riscos, conversar mais com os filhos, namorar mais a minha esposa, ser menos formal e torrar a paciência da minha mãe com certo apelido que ela odeia. Quero visitar lugares que nunca visitei, subir montanhas e cascatas, andar de bicicleta, atravessar rios a nado, subir em árvores, andar descalço e mais uma infinidade de coisas alegres que eu fazia intensamente na infância enquanto a vida passava por mim despreocupada.

Novo ano é outra história, são mais 365 dias de fôlego para realizar o que não foi feito durante uma vida. Existe alguém no universo, dotado de amor e compaixão, que nos proporciona um novo período de erros e acertos, afinal, somos humanos e, como tal, temos esse direito, sem esquecer o fato de que a existência humana é coroada pela maior quantidade de acertos. Embora os erros permitam a elevação do pensamento e o crescimento interior, eles também retardam o nosso desenvolvimento pessoal e profissional, por conta da ignorância, da insegurança e da inveja capaz de esconder os próprios erros com a exposição dos erros alheios.

Torço para que o ano novo seja o melhor da sua vida. Desejo que você atinja o maior número possível de objetivos e que o maior deles seja a vontade de viver intensamente os pequenos e sublimes momentos. A vida é feita de pequenos momentos e, acredite ou não, eles serão fundamentais quando você estiver mais velho e se tornar uma pessoa mais sensível ainda onde qualquer lembrança haverá de arrancar lágrimas de emoção e alegria por todas as pequenas e boas coisas que você fez e lágrimas de tristeza por aquelas que você não teve coragem de fazer enquanto era mais novo.

Se você é capaz de sorrir para um desconhecido e retribuir um simples desejo de “feliz ano novo”, você possui alma. Resta saber o tamanho da sua alma, pois como diria Fernando Pessoa, o grande poeta português: “tudo na vida vale a pena quando a alma não é pequena”.

Pense nisso e seja bem mais feliz!

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