Oh, mundo cãoporativo!

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Faz mais de dez anos que eu tive a ousadia de publicar o meu primeiro livro, intitulado Oh, Mundo Cãoporativo! Na época eu estava muito emocionado e apreensivo em relação ao futuro, pois havia encaminhado o original para diferentes editoras pouco antes de ser demitido. Dois meses depois desse fatídico episódio, recebi a feliz notícia de que a obra foi aprovada e seria lançada por uma editora de expressão nacional.

Ser demitido é sempre uma experiência emocionante e não há como não aprender alguma lição por conta disso. Você esbraveja, imagina que a empresa pode voltar atrás e chamá-lo de volta, esconde da família, chora, diz que tem alguns projetos em mente e, agora sim, vai fazer o que gosta.

Na verdade, você acredita mesmo que o mundo vai acabar, pois aquele orgulho bobo demora a admitir a derrota. Você queria mesmo era ficar na empresa, com crachá, plano de saúde, mesa, cadeira e computador, décimo terceiro salário, carro à disposição e PLR, independentemente do sofrimento. Seu nome é trabalho.

No meu caso, a experiência valeu a pena e o episódio foi determinante para abraçar uma nova carreira, algo que deveria acontecer com a maioria das pessoas, afinal, a demissão só faz a gente crescer. Tempos depois, eu me lembrei do Jack Welch, ex-executivo da GE, com sua frase mais encantadora: até um pé no traseiro empurra você para frente! Eis uma verdade incontestável.

cãoporativo

Quatro anos depois, minha percepção a respeito do mundo corporativo não mudou muito. Tenho acompanhado o drama e a trajetória de centenas de profissionais em muitas empresas, universidades, faculdades e também através das palestras e treinamentos, onde procuro estimular o desabafo das pessoas mediante uma forma diferente de repensar o seu papel no mundo. Infelizmente, é possível contar nos dedos quantos estão realmente satisfeitos com o seu emprego atual. E vejo que as empresas nunca investiram tanto em treinamento e motivação.

O fato é que a carreira profissional de cada um depende exclusivamente de si mesmo. A motivação para o trabalho também. Salvo raríssimas exceções, ninguém está preocupado com a carreira do vizinho nem a do colega de trabalho. Aliás, lembre-se de que eles são seus concorrentes diretos e, se você vacilar, eles não terão a menor dificuldade para assumir a sua vaga e absorver o seu trabalho, afinal, amigo é para isso mesmo.

Todos os dias, o mundo cãoporativo convida-o a vestir a máscara da hipocrisia, antes mesmo de você por o pé para fora de casa. Talvez você não goste do chefe nem da empresa nem mesmo do que você faz, mas, por uma questão de sobrevivência, aquela imensa raiva acaba sendo disfarçada por um sorriso meio forçado enquanto você não encontra alternativa mais promissora.

O termo cãoporativo é apenas uma referência bem humorada do mundo profissional extremamente competitivo em que vivemos. Quando o livro foi escrito, nunca imaginei que tomaria a dimensão que tomou. O fato é que o tema continua atual e, apesar da realidade nua e crua das organizações, as pessoas ainda têm que disfarçar a insatisfação e continuar sorrindo, para o seu próprio bem.

Agora, tente imaginar a vida aos 80 anos, quando você estiver pronto para refletir a respeito do seu legado. Talvez você tenha casado com a pessoa errada, tenha feito o curso errado ou escolhido a profissão errada. Aos 80, nossa capacidade de resiliência não será tão grande quanto a gente gostaria e, assim, não haverá tempo para mais nada.

Pense nisso e seja feliz!

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