Mudar é preciso?

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Em menos de dois meses, quatro conhecidos meus trocaram de emprego. Um deles estava de “saco cheio”, outro mudou para ganhar mais, outro preferiu mudar de ramo e o mais recente não tinha alternativa, pois estava sendo fritado há algum tempo e teve de se mexer.

Tenho acompanhado essa movimentação com frequência. Dia sim, dia não, recebo currículos, indicações, notícias de ex-colegas de trabalho e amigos que foram demitidos ou estão em busca de algo novo, desafiador, para cobrir o vazio da sua existência em determinado momento.

mudar

Isso significa que o mercado está cada vez mais competitivo e dinâmico. Se, por um lado, há muita gente querendo trocar de emprego, por outro, também há quem esteja fora e daria tudo para voltar. São os chamados disponíveis para o mercado.

Muitos chegam a sentir saudade daquele estresse diário que faz com que você se sinta parte do meio e não fora dele. Esse negócio de dizer que você não suporta mais a pressão, qualquer hora vai chutar o balde, mandar o chefe passear e cair fora não é tão simples assim.

Quando você está fora do mercado e demora a voltar, descobre o que é estresse de verdade. No caso dos pais de família, principalmente, a esposa começa a se incomodar, os filhos não param de perguntar quando é que você vai voltar e os vizinhos acham estranho aquele carro na garagem o dia todo. – O que será que esse aí anda fazendo da vida? E o pior de tudo, os amigos desaparecem.

No meu caso, especificamente, consegui mudar de área oito vezes, sem contar ainda as mudanças internas, dentro da mesma empresa. Foram sete vezes por iniciativa própria e uma contra vontade. Essa última valeu a pena. Senti na pele a essência da expressão “até um pé no traseiro empurra você para frente”.

Iniciei pela indústria do papel, fiz uma incursão de dezessete dias pelas bombas hidráulicas, sessenta dias pelo sistema bancário, migrei para a cerveja, depois para o petróleo. Na tentativa desesperada de não sair de Curitiba, descobri a fascinante indústria de caminhões e para encerrar minha jornada de empregado, mudei outra vez e experimentei a frieza do aço.

Faz mais de seis anos que eu me encontrei na consultoria. Por vezes, fico pensando que ainda não estou no lugar certo. Se eu pudesse escolher, de corpo e alma diria: – eu prefiro a poesia. Ser poeta aos quinze é uma coisa, ser poeta aos oitenta é coisa para pessoas ousadas, desprendidas das coisas mundanas.

Lamentavelmente, poesia não dá dinheiro e a maioria dos poetas será lembrada somente depois da morte. De minha parte, não posso esperar a morte para ser reconhecido. Prefiro seguir caminhando e cantando, peleando como dizem os gaúchos. Neste caso, o instinto de sobrevivência fala mais alto.

Apesar de tudo, não costumo olhar para trás nem aconselho ninguém a fazê-lo. Isso é o que se chama de experiência e hoje o que as empresas querem de fato é saber dos resultados que você pode conseguir através da sua experiência. Ela ajuda muito, mas o que vale mesmo é a atitude, a determinação, a resiliência e os resultados alcançados, independentemente da sua idade.

Será que é preciso mudar outra vez? Quantas vezes você já pronunciou essa pergunta para si mesmo? Por que estamos sempre querendo mudar em vez de nos manter constantes? Por que você não consegue fazer aquilo que gosta? Quanto tempo ainda vai levar para encontrar o verdadeiro sentido da vida?

Uma das coisas que mais influenciam nossas ideias e atitudes é o nosso sistema de crenças. Crenças são sistemas de pensamentos e reflexões que formam a base da interpretação em relação ao que experimentamos na vida. O que é bom ou ruim, certo ou errado, próprio ou impróprio, depende das nossas crenças, dos nossos modelos mentais. Portanto, as crenças determinam nossa percepção sobre as coisas, sobre as pessoas e sobre o mundo em que vivemos.

Conselho é algo que deveria ser proibido na face da Terra, pois cada um experimenta o veneno e o antídoto do seu próprio sistema de crenças. Assim mesmo, deixe-me compartilhar um pouco da experiência em relação às mudanças que aconteceram na minha vida profissional.

Espero que isso lhe seja útil de alguma forma, afinal, estamos aqui para aprender o tempo todo e isso é o que nos torna menos vulneráveis em momentos de adversidade. Mudar ou não mudar? Depende do seu sistema de crenças. Uma decisão ou outra tem consequências, por vezes favoráveis, por vezes desastrosas.

Mudanças são inevitáveis: em todas as áreas da vida, quanto mais você resiste, mais sofre; portanto, aceite as mudanças com naturalidade e lembre-se de Darwin: não são os mais fortes que sobrevivem, mas os que se adaptam mais rapidamente.

Mudanças são inesperadas; se você estiver preparado, melhor; se não estiver, mantenha o otimismo e o moral elevado, pois tudo depende do que vem depois e como você ainda não sabe o que vem depois, lembre-se do velho ditado dos nossos avos: é no andar da carruagem que as abóboras se ajeitam.

Mudanças são necessárias: a mesmice é o caminho mais rápido para o tédio e o fracasso; se você não estiver disposto a tentar, a errar e a recomeçar, nunca vai aprender algo de novo e nunca sairá do lugar; a opção é sua, o sofrimento também.

Pense nisso e seja feliz!

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