Você tem o perfil desejado pelo mercado de trabalho?

O perfil do estagiário

Eu sempre digo que o estagiário é a pessoa mais injustiçada na maioria das empresas por várias razões. Em geral, é contratado para economizar custos e não para aprender, não tem mesa, não tem micro, não tem cargo, demora para receber o crachá e está sempre sobrecarregado por medo de dizer não. Além disso, carrega sempre a vaga esperança de um dia ser contratado.

Com o tempo ele ganha um canto na sala e, com muito esforço, um micro, um que ninguém mais quer. Internet nem pensar! Quem sabe depois de ele adquirir a confiança do chefe ou depois de suportar aquela sabatina incansável do pessoal da TI.

Em determinado momento alguém fica com pena do estagiário e o convida para almoçar e aos poucos ele vai se integrando ao ambiente. Contudo, depois de um ano, quando está tudo dominado e ele aprendeu a rir das piadas sem graça do chefe, acaba dispensado depois de ouvir a frase padrão: infelizmente você não tem o perfil que estamos procurando.

Isso não é privilégio dos estagiários. Milhares de pessoas não têm o perfil que as empresas procuram, pois, ao atingir o perfil desejado, as características do perfil mudam, portanto, salvo raríssimas exceções, este perfil é quase inatingível.

A natureza humana tem limites e o perfil requerido atualmente pelas empresas tender a ser incompatível com as possibilidades humanas. Obviamente, o que as empresas desejam vai além desses limites: dez a doze horas de trabalho por dia, mais o que você leva pra casa para adiantar o dia seguinte, disposição, sorriso, paciência, iniciativa, o hábito de fazer muito mais do que o salário comporta, cabeça erguida, cumprimento de 120% da meta e nada de reclamação, caso contrário, você não cabe no perfil solicitado.

Brincadeiras à parte, o fato é que todas as parafernálias tecnológicas criadas no século passado não são suficientes para reduzir a sua jornada de trabalho no século 21. Ao contrário, por conta delas, você ficou mais submisso, precisa de mais dinheiro e, além disso, as mulheres estão crescendo profissionalmente numa velocidade estonteante e agora concorrem de igual para igual com os homens.

Como entender o perfil desejado

Segundo o Aurélio, algumas definições para perfil são o contorno do rosto de uma pessoa vista de lado e o aspecto ou a representação gráfica de um objeto que é visto só de um lado, portanto, perfil, como o próprio nome sugere, é algo que nunca define a verdade absoluta sobre alguém ou sobre qualquer objeto. Trata-se de uma leitura parcial do fato, do problema ou da pessoa.

Você não tem perfil para trabalhar aqui! Se algum dia você ouvir essa frase significa que a avaliação do seu perfil, do seu jeito de trabalhar, de conduzir as coisas, de pensar e agir, foi apenas parcial. Poucos líderes estão preparados para absorver o perfil completo e aproveitar melhor o potencial que existe dentro de cada profissional à sua disposição. Isso é quase uma arte.

Quando eu fui demitido pela primeira vez, é provável que o meu perfil tenha servido por um determinado momento ou para determinado líder. A análise do perfil muda completamente no instante em que a empresa muda de dono ou quando você muda de chefe. O perfil adequado para uma empresa pode não ser adequado para outra, portanto, não se desespere.

Se o perfil é apenas uma leitura parcial da percepção que alguém teve sobre você, lembre-se, esse alguém é humano, portanto, pode ter errado muito. Na maioria das vezes é preferível alegar a falta de perfil em vez da incompatibilidade de gênios e outras interpretações mais injustas como, por exemplo, o fato de você estar sendo desligado para acomodar alguém com mais prestígio na empresa.

Isso não significa que você deve ignorar a avaliação. É necessário refletir sobre isso. Independentemente da percepção alheia, você deve fazer a sua própria leitura para mudar o que for necessário, seguir em frente e reencontrar o caminho. O caminho do aprendizado é longo e você não deve esmorecer.

Durante muito tempo eu convivi com essa questão do perfil atravessada na garganta, mas acabei me acostumando. Na minha atividade de Coach, Consultor e Mentor sou obrigado a entender de perfil com intuito de ser o mais justo possível quando se trata da avaliação sobre o futuro de alguém.

Na prática, é muito mais sensato e prudente demitir alguém com três meses de casa do que esperar cinco ou dez anos sob alegação de que o profissional não tem perfil para trabalhar na empresa. Imagine quanto tempo e energia poderiam ser economizados com isso, de ambos os lados.

Segundo o canadense Gareth Morgan, autor de Imagens da Organização, as organizações são em essência realidades socialmente construídas muito mais nas cabeças e mentes dos seus membros do que em conjuntos concretos de regras e relacionamentos. Em geral, o perfil está muito na cabeça das pessoas.

Você tem o perfil desejado pelas empresas?

Todo mundo acha que sim e não é bem assim, razão pela qual eu compartilho aqui cinco pontos importantes de reflexão para ajudá-lo a entender melhor essa questão do perfil:

  1. Em qualquer empresa séria e preocupada com o melhor aproveitamento das pessoas, todo cargo tem um perfil associado, o qual inclui formação adequada, experiência em cargos semelhantes e competências ou habilidades específicas desejadas;
  2. Se você estiver em cargo de subordinação e alguém sinalizar que o seu perfil não está atendendo ao perfil desejado para o cargo, a única saída é abrir o jogo; é necessário entender exatamente do que se trata, portanto, não deixe para fazer isso no dia da demissão, não vai dar tempo;
  3. Quando estiver em cargo de comando, não espere dez anos para saber se alguém tem ou não o perfil desejado, portanto, se for o caso, substitua-o logo e pare de travar a carreira e a vida da pessoa; todo mundo tem o direito de ser feliz em outro lugar;
  4. Leve a sério essa questão do perfil. Se você não gosta do que faz ou se o ambiente lhe faz mal, pode estar desperdiçando energia e talento numa empresa que não sabe ou não tem o menor interesse em aproveitar a sua inteligência;
  5. Em muitos casos, o perfil está diretamente relacionado com o grau de empatia estabelecido entre você e o líder, algo que nem sempre é possível dependendo da empresa em que você está. É simples assim!

Quer saber mais? Leia o meu artigo Os 7 hábitos as pessoas altamente eficazes

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