Como evitar a angústia na vida profissional

A origem da angústia profissional

Decidi reescrever esse artigo depois de doze anos, não apenas para atualizar a questão da angústia, mas pelo fato de que as coisas nada mudaram de lá para cá. O ser humano, e profissional, continua mais angustiado do que nunca.

Digo isso por experiência própria, não porque a angústia me domina, mas pesquiso isso regularmente em sala de aula e durante os treinamentos quando pergunto qual é a principal deficiência de cada um. A maioria esmagadora relata a ansiedade, causa raiz da angústia, como o principal problema.

Em relação ao mundo corporativo, costumo dizer o seguinte: manda quem pode, obedece quem precisa, muda quem tem juízo. Essa última parte é por minha conta, mas eu já pensei diferente num passado não muito distante.

Reconheço que é bem mais fácil pensar assim depois de certa idade, quando você sabe exatamente o que quer e, principalmente, quando você trabalha de cabeça erguida, graças ao seu esforço, dedicação e, sem dúvida, um pouco de sorte.

Pensar diferente é um exercício gratificante para não se deixar escravizar apesar da necessidade que, na maioria dos casos, sempre fala mais alto. Como eu digo sempre, não existe nada mais triste, mais improdutivo e mais frustrante do que ser refém dos pensamentos e das vontades alheias.

Entender o ditado requer interpretação em três etapas:

1) “Manda quem pode” é típico da Idade Média, quando os senhores feudais dominavam vastas propriedades de terras e os servos e vassalos viviam à mercê do seu temperamento nada amistoso, portanto, qualquer descontentamento era sinônimo de ameaça e, para evitar conflitos, cuja pena máxima era a perda de proteção ou a expulsão do feudo, a alternativa mais sensata era obedecer.

Assim foi no tempo da escravidão, quando os reis, imperadores e senhores de engenho detinham a propriedade do indivíduo, de papel passado, em regime absoluto de escravidão. Durante essa fase repugnante da nossa história, isso era comum.

2) “Obedece quem precisa” surgiu durante a Revolução Industrial, por volta de 1750 e, mais adiante, quando o engenheiro Frederick Taylor, precursor da Administração Científica do Trabalho, instituiu o conceito de chefia e organização e sugeriu que algumas pessoas nascem para mandar, outras para fazer.

Naturalmente, quem nascia para a execução morreria sob esse estigma e poderia se tornar um fiel e obediente operário até o fim da vida. Por essa razão, Taylor era um pouco paranóico, obcecado por controle e produtividade. Toda essa obsessão das empresas por aumento de produtividade e controles são devidas a ele.

3) “Muda quem tem juízo” é a minha praia, por assim dizer. Considero a melhor atitude para se livrar do ditado original. Embora tenha sido forçado à mudança há algum tempo e isso tenha me proporcionado um bem danado, eu posso dizer que se trata de um dilema difícil de ser solucionado e isso não é privilégio de poucos, ao contrário, é o caso da maioria dos profissionais do mundo moderno.

A mudança é o caminho mais adequado para livrá-lo dessas tolices que mancham o mundo corporativo e para colocar todo o seu potencial em prática num lugar onde você possa ser tratado, literalmente, como ser humano. Você é a única pessoa capaz de reverter o quadro depreciativo que pintam a seu respeito e a respeito do seu trabalho, por mais esforçado que você tente parecer, caso contrário, a angústia vai dominá-lo.

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O crescimento da angústia no mercado de trabalho

Até o fim do século passado, o ambiente de trabalho tornou-se fonte de infelicidade para presidentes e diretores de grandes empresas e, por experiência própria, estendo essa infelicidade geral para outros níveis hierárquicos que sofrem diferentes tipos de pressão por resultados cada dia mais insaciáveis.

Se a cobrança é cada vez maior, a ansiedade e, por sua vez, a angústia profissional é maior ainda. Você conhece alguma empresa que quer vender menos ou ganhar menos no próximo ano?

Decorridos vinte anos do terceiro milênio, a maioria dos executivos se dizem infelizes no trabalho e insatisfeitos com o tempo dedicado à vida pessoal, além de apontar os problemas com o chefe como a crise mais marcante da sua vida, o que não é tanta novidade assim.

Por um lado, o excesso de trabalho, por outro, a falta dele. Ambos têm a ver com a dignidade humana, relegada com frequência ao segundo plano. Albert Camus, filósofo francês, lembra que não existe dignidade no trabalho quando este não é aceito livremente. Pior ainda quando não é aceito de forma alguma. O trabalho indigno é a origem de toda angústia.

Por essas e outras razões, a autorrealização é uma etapa praticamente inatingível. Aqui a consciência castiga: relacionamentos mal vividos, profissões mal escolhidas, sonhos adiados e viagens não realizadas tornam-se quase impossíveis de consertar e concretizar.

Concordo plenamente com o escritor James Hunter, autor de O Monge e o Executivo, quando diz que “os seres humanos têm um profundo anseio por significado e propósito em sua vida e retribuirão a quem os ajudar a atender a esta necessidade. Eles querem acreditar que o que estão fazendo é importante, que serve a um desígnio e que agrega valor ao mundo”. Isso vale para o mais simples dos mortais.

Meu pai ficou praticamente trinta anos na mesma empresa repetindo a frase “manda quem pode, obedece quem precisa” e por vários lugares onde passei havia sempre um insatisfeito que parecia ter assumido o lugar dele, mas não o condeno. Ele foi feliz do seu jeito e, apesar dos revezes, sobreviveu e conseguiu criar os filhos com dignidade.

Embora as circunstâncias mudem e as oportunidades sejam frequentes, muitos profissionais ainda se submetem a essa filosofia de vida, por medo ou insegurança, enquanto o verdadeiro potencial vai lhe escapando pelo vão dos dedos sem que o mesmo seja capaz de esboçar a mínima reação.

O fato de não ter conseguido livrar-me definitivamente desse ditado me fez reconstruí-lo a fim de torná-lo mais digerível e para repensar a maneira de ver o mundo. Leva tempo para destruirmos alguns paradigmas plantados em nossa cabeça involuntariamente. Hoje, cada vez que alguém dispara essa máxima perto de mim, eu complemento: “e muda quem tem juízo”.

Eu conheço um numero razoável de profissionais que deram a volta por cima e, a despeito de todas as dificuldades encontradas no caminho, tiveram a coragem de se reposicionar no mercado para conquistar um lugar ao sol, optando, em muitos casos, por uma renda menor ao reconsiderar o fato de que o dinheiro jamais conseguirá compensar a ausência de paz de espírito.

Apesar do elevado grau de competitividade, o mundo atual ainda é repleto de oportunidades e, por menos conhecimento que alguém possa apresentar sobre determinado assunto, existe uma força sobrenatural dentro de cada ser humano, algo capaz de transformá-lo em exímio experto naquilo que lhe proporciona prazer.

É praticamente impossível o universo não trabalhar a seu favor se você estiver convicto de que as adversidades são condições temporárias e que a força de vontade e a determinação são as únicas virtudes capazes de recolocá-lo num ambiente mais merecedor da sua energia, da sua inteligência e da sua valiosa companhia.

Olhe ao redor e admire a legião de profissionais que abriram mão de um cargo altamente promissor em grandes corporações e seus respectivos benefícios em troca de mais dignidade, mais qualidade de vida e mais tempo para a família.

Quantos amigos e colegas de trabalho pararam de brigar consigo mesmo, com o chefe e com a conta bancária partindo para uma missão diferente muito antes de você esboçar a primeira reclamação.

Existem inúmeras empresas onde o ditado prevalece, por pouco tempo, creio eu. Hoje, manda quem pode, obedece quem precisa e muda quem tem juízo, pois é necessário evitar ambientes onde o regime feudal deixou resquícios.

Assim sendo, quero compartilhar algumas dicas que poderão ajudá-lo no seu ritual diário de despedida da angústia, além de contribuir para o seu crescimento e desenvolvimento pessoal. Espero que lhe sejam extremante úteis.

Ninguém tem o direito de ferir a sua dignidade

Quando sentir que o ambiente está afetando a sua autoestima e a sua dignidade, ou você muda de ambiente ou enfrenta o problema ou pára de reclamar para sofrer menos do que o necessário; a primeira é mais gratificante.

Diálogo aberto quando alguém questiona o clima organizacional

Quando isso ocorre, geralmente os líderes são pegos de surpresa; você conhece algum chefe propenso a admitir sua maneira equivocada de conduzir a equipe?

Tenha coragem de se manifestar, de maneira educada, o que você pensa a respeito e como isso pode ser melhorado. Talvez o superior imediato não consiga enxergar isso com a mesma isenção que você.

Mudar é mais difícil do que se imagina

É muito mais prático suportar a pressão e chorar sozinho do que perder o emprego, o crachá e o plano de saúde, portanto, releve certas coisas e seja menos rígido na avaliação.

Digo isso porque já fui mais rígido do que o necessário e isso não me ajudou em nada, ao contrário, paguei um preço alto. Ninguém sabe da sua dor e da sua renúncia.

Nem tudo é para sempre

Felizmente, a vida é feita de mais momentos alegres do que tristes.

A angústia da vida profissional é eterna. Por mais recompensadora que possa parecer, a aposentadoria será o início de novos dilemas que surgirão com a idade e com a eterna necessidade de se sentir útil perante a sociedade.

Como diz o César Souza, autor de Você é o tamanho dos seus sonhos, se você não existisse, o universo não seria o mesmo. Portanto, pare de sofrer com coisas pequenas e comece a provar a si mesmo que você é superior a tudo isso.

Nada resiste ao trabalho e ao desejo de melhorar de vida

Se você mantiver uma postura irreparável no caminho e assumir o compromisso de crescer e de aprender todos os dias até o fim da vida, ainda que você tenha de cair e levantar inúmeras vezes, seus pais, seus verdadeiros amigos e, principalmente, sua família vão agradecer, de coração.

A angústia pode ser administrada desde que você se proponha a fazê-lo. Lembre-se daquele provérbio budista “não é o que lhe acontece, mas o que você faz com o que lhe acontece”.

Reconheço que é bem mais fácil falar do que se colocar no lugar dos outros, mas penso se não um esforço mínimo de sua parte, ninguém mais poderá fazer-lo por você.

Pense nisso e seja bem mais feliz!

Leia o meu artigo 10 liçoes de sobrevivência no mundo corporativo.

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