Zilda Arns: espírito empreendedor

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Recentemente, o mundo perdeu um dos seus maiores expoentes na linha do empreendedorismo social, vítima do último terremoto ocorrido no Haiti. A Dra. Zilda Arns, médica pediatra e sanitarista brasileira, deixou a vida para entrar na história, por conta da sua incansável luta contra a miséria e a mortalidade infantil, entretanto, sua obra e seu sorriso continuarão vivos para sempre na memória do mundo.

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A Pastoral da Criança é o símbolo da iniciativa empreendedora socialmente responsável a serviço da humanidade – sem necessidade de lucro e satisfação de uma minoria. A ideia surgiu de uma reunião na ONU em Genebra, em 1982, quando James Grant, Diretor Executivo da UNICEF, sugeriu ao Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns a criação de um projeto para combater as altas taxas de mortalidade infantil no Brasil, provocadas principalmente pela diarréia. Ao retornar de Genebra, Dom Paulo confiou à irmã, Dra. Zilda Arns, a missão de colocar a ideia em prática, algo que, comprovadamente, ela conduziu com maestria.

Em setembro de 1983, a Pastoral da Criança tornava-se realidade com suas ações básicas de saúde, nutrição, cidadania e educação comunitária no município de Florestópolis, interior do Paraná. Naquele pequeno município, onde 74% do trabalho era realizado por lavradores bóias-frias, morriam 127 crianças para cada mil nascidas vivas, mas depois de um ano de atividades, a dedicação dos líderes comunitários fez o índice cair para 28 mortes para cada mil crianças nascidas vivas.

Munida de um forte espírito de altruísmo, Zilda Arns praticava uma filosofia de vida empreendedora, o que significa ter um norte para as suas ações e um propósito de vida significativo, compatível com os seus valores, princípios e virtudes. Ter noção da realidade a ser mudada não muda nada. Ter iniciativa e coragem para mudar a realidade ao seu redor é o que faz a diferença no mundo.

Decorridos mais de vinte e seis anos de sua fundação, a Pastoral da Criança se faz presente em 42 mil comunidades pobres de 4.066 municípios brasileiros e conta com mais de 260 mil voluntários que acompanham quase 2 milhões de crianças pobres e 95 mil gestantes, além de ter se tornado referência para outros países da América Latina, África e Ásia. No caso da Pastoral da Criança, a construção de uma visão duradoura foi fundamental e o sonho conjunto de Dom Paulo Arns, Zilda Arns e James Grant permitiu a recuperação de milhares de pessoas em diferentes países com o mais nobre dos empreendimentos: salvar vidas e promover a esperança.

Atitudes socialmente responsáveis dependem de pessoas com iniciativas e almas empreendedoras. Nesse sentido, a Dra. Zilda Arns garantiu a credibilidade necessária para que um número razoável de empresas aderisse ao programa por acreditarem na missão da organização, na prática da solidariedade humana e na partilha do saber. Para que isso ocorresse de fato, havia uma visão clara de responsabilidade social e de sustentabilidade, não somente em relação ao Brasil, mas aos demais países em condições semelhantes.

Altruísmo e espírito empreendedor é a combinação perfeita para a mudança de pensamento e a transformação da sociedade em que vivemos. Zilda Arns era o exemplo vivo dessa combinação, a diferença que ela queria ver no mundo. Pessoas assim, de sorriso inconfundível, apaixonadas pelo que fazem, são imprescindíveis.

Pense nisso e empreenda!

 

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