Ralar ou não ralar? Eis a questão!

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Durante a semana assisti a entrevista de duas celebridades distintas, uma delas bem mais nova, inexperiente ainda na mídia, e outra mais senhora de si, narizinho empinado, cheia de razão. De gerações diferentes, ambas estão em plena forma e tem lá os seus méritos. Nesse ponto, a televisão faz milagres.

Em ambos os casos, elas fizeram questão de afirmar que chegaram aonde chegaram com muito esforço, dedicação, persistência e força de vontade. Como disse uma delas: “todo mundo me critica, mas ninguém sabe o quanto eu ralei pra chegar até aqui”. Será que ela já terminou a jornada? Em sentido pejorativo, ralar pode ser uma infinidade de coisas, menos trabalho.

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Não cabe questionar aqui a forma como ambas interpretam essa questão de ralar muito. Nada tenho a ver com isso, mas para quem assiste, a impressão é que somente as duas ralam no mundo e ninguém mais. Esse é o mal da televisão. Isso me faz lembrar o Millôr Fernandes: “Como são maravilhosas as pessoas que não conhecemos muito bem.”

Você conhece alguém que chegou aonde chegou sem o mínimo esforço? Conhece alguém que consegue alguma coisa na vida sem ralar? Herança e prêmio da Mega Sena não vale, mas até para preservá-los você precisa ralar muito, senão desaparecem em pouco tempo.

E você, continua ralando bastante? Se ainda não atingiu seus objetivos, será que não ralou o suficiente? Quem já atingiu, será que ralou mais do que você? Vale a pena seguir ralando enquanto tanta gente continua enriquecendo às custas do erário público e das fragilidades humanas?

Conheço gente que rala o dobro do que as duas celebridades dizem que ralam durante o mês, em todas as profissões dignas desse país. E nem por isso saem por aí dizendo que, apesar de tudo, a vida não é boa. Ao contrário, a vida não é tão justa quanto gostariam, mas ainda é boa.

Ralar ou não ralar? Eis a questão! No meu caso específico, são mais de trinta anos ralando. Se levar em conta ainda o tempo que eu ajudava o meu pai a limpar as mesas, recolher as garrafas, varrer o chão e lavar a louça no bar do clube em que trabalhava à noite e nos fins-de-semana para garantir um trocado extra, lá se vão quarenta anos ralando.

Isso me fez mais pobre ou mais rico? Melhor ou pior do que os outros? Mais ou menos homem? O fato de eu trabalhar trinta anos como empregado, com carteira assinada, vários benefícios e sobrenome da empresa atrapalhou ou ajudou a minha carreira? Tudo na vida vale a pena quando a alma não é pequena.

Questões para reflexão: vale a pena continuar ralando muito para obter os resultados que você está obtendo? Por que algumas pessoas ralam menos do que você e conseguem mais dinheiro e sucesso? Existem maneiras de você conseguir melhores resultados ralando menos?

A grande verdade de tudo isso é que cada pessoa constrói a sua própria história. O fato de você ralar muito ou ralar pouco não significa nada. Não diz se você é bom ou ruim ou se você vai ou não vai vencer na vida. Tudo o que for dito a respeito do que você faz ou deixa de fazer é balela, afinal, ninguém sabe da sua dor e da sua renúncia.

A única coisa que vai ajudá-lo a progredir na vida é a sua consciência. E isso não depende de quanto você ralou nem acumulou. Ao final, o que importa mesmo é o método que você utilizou e as coisas que você fez para chegar aonde chegou. Foi justo quando necessário? Foi honesto, acima de tudo? Prevaleceram os princípios em vez dos valores? Deixou uma história bonita?

Quer você rale, quer não, a vida é maravilhosa, mas tem um pequeno problema: passa muito rápido. Portanto, deixo aqui alguns pontos para uma ampla reflexão:

Pare de sofrer: “quem sofre antes do necessário sofre mais do que o necessário.” Para que desperdiçar energia antes do tempo se você vai precisar delas mais adiante?

Evite comparações: cada um tem a sua própria história e embora possamos mudá-la com o tempo, são poucos os que estão dispostos a abrir mão da história deles para ajudá-lo a escrever a sua.

Reconheça a sua própria condição: a maioria das pessoas não é tão privilegiada quanto você. Diante do espelho você verá a maior fonte de um recurso imaginável à sua disposição.

Continue ralando: esqueça as celebridades, as capas das revistas e as fortunas que você não está conseguindo acumular. Não perca o que você ainda não conquistou.

A vida é assim: embora a vida nem sempre seja justa, ainda assim vale a pena respirar cada pequeno momento de felicidade. Quanto maior o número de tentativas, maior a chance de ser feliz.

Não existe o certo e o errado: quando as coisas são feitas com amor, o certo e o errado dependem do que vem depois. É preferível pecar pelo excesso que pela omissão.

Pense nisso e seja feliz!

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