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Ricardo Semler e a SEMCO
Ricardo Semler é formado em Direito pela USP – Universidade de São Paulo e estudou Administração de Empresas pela famosa Harvard Business School, escola em que só conseguiu ingressar depois de ter escrito uma carta criticando a instituição.
Nos anos 1960, aproveitando o crescimento da indústria naval no Brasil, a SEMCO passou a atuar também na produção de bombas hidráulicas, bombas de carga, eixos e outros componentes da indústria naval. Em 20 anos de história, a SEMCO equipou mais de 70% da frota naval nacional.
Em 1980, o jovem empresário iniciou a carreira na empresa SEMLER & COMPANY, que atuava no mercado de suprimentos para a construção naval, em São Paulo. Ajorrado nas idéias, logo entrou em conflito como o pai, Antônio Semler, o qual defendia e mantinha uma estrutura autocrática tradicional na administração da empresa.
Semler era a favor da descentralização e de uma gestão participativa. Com o aumento do desgaste na relação entre ambos, Semler ameaçou deixar a empresa, razão pela qual o pai preferiu renunciar à liderança da SEMCO, permitindo que o filho assumisse a presidência aos 21 anos de idade.
Em seu primeiro dia como líder da SEMCO, Ricardo Semler demitiu 60% da alta gerência e iniciou um trabalho profundo de reorganização e diversificação dos negócios a fim de salvar a empresa do caos. Uma síncope aos 25 anos de idade o inspirou a mudar a forma de trabalhar e a produzir mais qualidade de vida para si e para seus empregados.
Em 1986, as tentativas de introduzir uma Departamentalização Matricial na empresa não surtiram o efeito desejado e, ao final da década de 1980, três engenheiros da SEMCO propuseram a formação de Núcleos de Inovação Tecnológica dentro da empresa para o desenvolvimento de novas linhas de produtos, com o apoio do próprio Semler. Com o sucesso da iniciativa, unidades satélites foram encorajadas por toda a empresa e em pouco tempo, os núcleos passaram a responder por praticamente dois terços dos empregados e da receita oriunda de novos produtos.
Após as restrições econômicas impostas pelo Plano Collor, em 1989, a economia brasileira entrou em profunda recessão e forçou muitas empresas ao pedido de falência. No caso da SEMCO, os trabalhadores concordaram com a redução de 40% nos salários e passaram a ter o direito de aprovar cada despesa realizada pela empresa numa demonstração clara de preocupação com a transparência e o futuro incerto da organização.
A participação dos funcionários durante a crise permitiu a todos elevar o conhecimento sobre as operações da empresa e fomentou uma série de sugestões que culminaram com a melhoria dos resultados. As reestruturações sugeridas no período resultaram na redução de 65% do patrimônio, maior eficiência operacional, redução dos prazos de entrega e praticamente a eliminação do incide de produtos com defeito nas linhas de produção, o que ajudou a elevar consideravelmente a rentabilidade da empresa.
Em mais de 25 anos à frente do negócio que herdou do pai, ele pregou o fim do controle, permitiu que os funcionários escolhessem chefe e salário e descentralizou as operações. Viu a empresa crescer de 300 para 3.000 funcionários e o faturamento saltar de 4 milhões para 200 milhões de dólares.
Dentre as inúmeras honrarias e títulos conquistados pelo empresário, a Revista TIME o apontou como um dos “100 Jovens Líderes Globais” em uma série de reportagens sobre executivos veiculadas durante o ano de 1994. O Fórum Econômico Mundial também o mencionou em trabalhos semelhantes, além do conceituado Wall Street Journal. No Brasil, recebeu o título de “Empresário do Ano no Brasil” em 1990 e em 1992. Um colegiado de especialistas, através da CIO Magazine, apontou a SEMCO como o caso de maior sucesso no mundo em reengenharia de companhias.
Ricardo Semler escreveu livros que se tornaram Best Sellers no Brasil e exterior, dentre eles, Virando a Própria Mesa, seu primeiro livro, publicado em 1988, e Seven-days Weekend, publicado em 2003. Foi ainda vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e o fundador da Fundação SEMCO, cujo objetivo inicial é criar escolas de ensino básico voltadas para a educação infantil, com uso das técnicas inovadoras de participação democrática.
Ricardo Semler tornou-se Vice-Presidente da FIESP, Federação das Indústras do Estado de São Paulo, e membro da ONG SOS Mata Atlântica - referência em defesa ambiental no Brasil. Através da Fundação SEMCO, fundou a escola Lumiar, aplicando a filosofia da "Democracia Industrial" à educação básica de crianças.
Atualmente Ricardo Semler é diretor da FIESP e articulista do jornal Folha de S. Paulo e Sócio da Tarpon Investimentos em São Paulo, Brasil. Tem feito aparições na mídia em vários paises e é palestrante em cursos de negócios e grupos que promovem a filosofia da "Democracia Industrial". Também é professor visitante na Harvard Business School.
Fonte: SEMLER, Ricardo. Virando a própria mesa. São Paulo: Negócio Editora, 2002. Disponível em: http://www.semco.com.br/pt/content.asp?content=1&contentID=610. Acesso em 18.03.2010. Revista VOCÊ S/A – Setembro de 2003 – pág. 22 a 28. Revista HSM Management 47 novembro-dezembro 2004. |




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