Paradoxos do crescimento econômico

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O consumismo generalizado que tomou conta do planeta é o novo ópio do povo, vislumbrado com as possibilidades de melhoria de vida e ampliação do conforto através da aquisição desenfreada de produtos que vão de cosméticos a eletrônicos, de iguarias a veículos cada vez mais sofisticados.

Por outro lado, a miopia provocada pelo mesmo consumismo não é capaz de criar o discernimento necessário para frear as consequências inevitáveis de um planeta que optou pela geração de lixo em progressão geométrica, em todos os continentes, sem se dar conta da extensão do problema e dos seus reflexos no meio ambiente.

paradoxo

Em grandes centros urbanos como Nova Iorque, Paris, São Paulo e Buenos Aires, o paradoxo é inevitável: estimular a economia ou conter o consumo? A economia gera empregos e renda; o consumo desenfreado gera lixo e poluição. Como se trata de uma questão de sobrevivência pura e simples, na prática prioriza-se a economia em detrimento da sustentabilidade do planeta, sempre relegada a um segundo plano.

Na medida em que o consumismo foi se enraizando em todas as culturas do mundo ocidental, a partir da década de 1950, e posteriormente no mundo oriental, a partir da década de 1980, principalmente com a entrada dos chineses na economia de mercado, tornou-se um propulsor irreversível do aumento da demanda por recursos naturais e também da geração de lixo que aumenta a dor de cabeça dos governantes e sacrifica o esforço de uma minoria preocupada com o futuro do planeta.

Obviamente, os impactos ambientais decorrentes do consumo a qualquer preço – deflagrado logo após a Segunda Guerra Mundial para estimular a economia e ajudar na reconstrução dos países destruídos pelo conflito – não seriam possíveis sem a explosão demográfica populacional e o consequente aumento da demanda por produtos, serviços e tecnologia.

A questão é muito mais complexa do que se imagina: culturas de consumo são mais vorazes e eficientes do que sistemas de sustentação ambiental. Se o mundo consome mais do que consegue produzir, a natureza não consegue repor com a mesma velocidade o volume de recursos necessários para isso. Livrar-se dos resíduos decorrentes da ausência de pensamento sistêmico e sustentável seria quase um milagre. Além disso, o tempo da natureza é diferente do tempo exigido pelas organizações que fomentam o consumismo desenfreado.

Partindo-se do pressuposto que as forças de mercado são incontroláveis e, portanto, tudo tem de crescer, e que o crescimento, por sua vez, tem consequências desastrosas e irreversíveis, há pouca esperança para o planeta. Ela reside basicamente na conscientização das pessoas para a prática do pensamento sistêmico, da consciência ecológica e da educação sustentável.

Uma economia forte e saudável é a base para a formação de uma sociedade mais justa e igualitária. Contudo, nenhum discurso político ou econômico resiste sem levar em conta os principais fatores condicionantes para o fortalecimento da sociedade ideal que tanto sonhamos: a educação básica da sua gente, a educação moral e política dos seus governantes e, principalmente, a redução das desigualdades sociais.

Na minha modesta concepção, uma população humana de 8 a 10 bilhões de pessoas não pode ser mantida sem a devastação da Terra. Considerando que a atividade econômica está alterando o equilíbrio do planeta, a industrialização em âmbito mundial tende apena a acelerar o desequilíbrio. É uma visão desoladora, mas torço para que seja apenas um pesadelo.

Por fim, se não adotarmos medidas práticas econômicas sustentáveis, os próprios mecanismos autorreguladores da natureza tornarão a Terra menos habitável para os seres humanos ou as consequências das suas próprias atividades abreviarão a expansão econômica e demográfica.

Ser sustentável, ambiental e economicamente, não é a melhor alternativa para a preservação da espécie humana. É a única.

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