A organização que aprende

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O sonho de Henry Ford era democratizar o automóvel e produzi-lo em grande escala, com custo relativamente baixo, para que todo cidadão americano fosse capaz de comprá-lo. Dessa forma, o primeiro modelo Ford Modelo T começou a ser produzido em 1º de outubro de 1908 e chegou a vender 15 milhões de unidades em quase vinte anos de história.

De 1914 a 1925, os modelos foram fabricados somente na cor preta para facilitar a secagem, que era mais rápida. Por conta disso, Henry Ford expressou a sua frase mais famosa: “os clientes podem escolher qualquer cor, desde que seja preta”. Em 1927, quando a produção do Modelo T foi encerrada, a Ford passou a enfrentar uma competição acirrada de sua compatriota, a General Motors.

Com o enfraquecimento das vendas e o fim do Modelo T, agravado pela Grande Depressão de 1929, a Ford passou por muitas mudanças e aprendeu o verdadeiro significado da palavra concorrência. Nesse período, a empresa iniciou a produção do Modelo A, que chegou a vender 4 milhões de unidades e tornou-se um sucesso naquela época. Por volta de 1932, a Ford fabricava um terço de todos os automóveis produzidos no mundo.

Henry Ford tornou-se um empreendedor mundialmente respeitado. Suas idéias modificaram a maneira de fazer negócios e através delas o mundo conheceu a mecanização do trabalho, a produção em massa, a padronização do maquinário e dos equipamentos e, por consequência, uma forte segregação do trabalho manual em relação ao trabalho braçal. Assim, os operários não precisavam apenas fazer o trabalho com o mínimo de movimentação, mas passaram cumprir metas através da filosofia de “produzir X carros em Y dias”.

Cem anos depois da produção do primeiro Modelo T, o mundo mudou consideravelmente, mas a célebre frase de Ford continua viva na mente de muitos empresários, gerentes e executivos de empresas, e pode ser reescrita da seguinte forma: “você pode adotar qualquer idéia na empresa, desde que seja minha”. A diferença é que a frase pronunciada na época transformou Ford num empresário bem-sucedido e nos dias de hoje pode transformar a sua empresa num verdadeiro fracasso.

Para atender as necessidades de mudança, principalmente em tempos de crise, as empresas e seus respectivos executivos precisam incorporar um modelo cada vez mais poderoso: a organização que aprende ou a organização orientada para o aprendizado. Na prática, são aquelas empresas com capacidade de adquirir continuamente novos conhecimentos organizacionais e de transformar o ambiente ao seu redor mediante aplicação de novas idéias, experimentos e lideranças.

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Empresas onde a única cabeça pensante é a do dono estão condenadas à morte a partir do momento em que o dono desaparece e se afasta do negócio ou ainda mesmo quando ele se encontra no comando. O mundo está recheado desses exemplos de falta de visão, de bom-senso e de humildade para reconhecer que o ambiente organizacional vai além do seu alcance. O poder é algo fascinante e, assim como na guerra, serve para o bem de uns e para o mal de outros.

Aprender é uma necessidade constante das organizações, portanto, não espere que o aprendizado seja impulsionado por uma crise. A transformação de uma empresa só é possível mediante uma compreensão profunda da realidade atual e por uma visão compartilhada do futuro. E o futuro, como você já está cansado de saber, reside nas ações desencadeadas no presente.

O permanente descontentamento com o presente e o desejo de um futuro promissor cria a tensão que impulsiona as pessoas durante um processo de mudança. Parte do segredo da liderança está na capacidade de criar essa tensão para extrair dela o futuro desejado. Uma organização que aprende conta com excelentes ouvintes e excelentes transformadores de idéias alheias em prática. E as idéias sempre fluem com mais naturalidade, e mais propriedade, quando nascem no subconsciente coletivo.

O aprendizado não é um fim em si mesmo, portanto, prefiro uma ideia alheia com boas chances de dar certo do que uma própria com muitas chances de dar errado. O mundo organizacional está repleto de profissionais excelentes que sucumbem às idéias de empresários, diretores e presidentes turrões que sentem prazer em contrariar as pessoas e preferem dar ouvidos aos amigos de fim-de-semana, aos filhos, à esposa e até mesmo aos empresários tão equivocados quanto eles, em nome de um orgulho inútil ou uma tradição familiar.

Nunca trabalhe numa empresa onde o dono, ou o executivo nomeado por ele, é espiritualmente fraco. Ainda que você precise mudar de emprego, ou de negócio, várias vezes, o importante é tentar construir o futuro que você e muitas pessoas da sua organização desejam. E isso, lamentavelmente, talvez você não consiga na empresa em que você está hoje. Então, existem duas alternativas: ou você muda para encontrar um novo caminho ou fica, mas não reclama.

Por fim, as organizações que aprendem têm plena consciência de que o aprendizado organizacional ocorre por meio de processos específicos que abrangem a conscientização, a compreensão, a mudança, a análise e a reflexão, portanto, elas não medem esforços explícitos e contínuos para melhorar o que já é bom.

Talvez isso possa chocá-lo, mas quando a cabeça do dono não consegue – e na maioria das vezes não quer – absorver as idéias do grupo em benefício da sua própria organização, desista e mude para não acabar como ele. O mínimo que você deve fazer é transferir o conhecimento para um lugar onde ele possa ser mais bem aproveitado.

Pense nisso e seja feliz!

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