O que é competição?

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Competir é uma das maiores especialidades do ser humano desde o início dos tempos. Começamos a vida competindo por sobrevivência, o que inclui comida, água, caverna ou um pedaço de chão para se proteger das feras e, na época, uma fêmea saudável para garantir a perpetuação da espécie.

Em seguida, passamos a competir pela aceitação das tribos formadas nas sociedades primárias, o que poderia nos garantir proteção até certo ponto embora isso custasse uma vida de sacrifícios imposta pelo ser humano no seu estado mais primitivo.

Com o tempo, o homem passou a entender o significado do poder e as lideranças foram se estabelecendo com a imposição da força e da união de certos interesses. E o poder, por sua vez, gerava ainda mais competição, pois a partir do momento em que o ser humano assumia a comando da tribo ou de qualquer coisa que o valha, ele passava a demonstrar a sua verdadeira face.

A natureza competitiva do ser humano é antropológica. Como eu sempre faço questão de lembrar, quem foi o primeiro a chegar ao óvulo da mamãe? Você, o magnânimo, o único a derrotar milhares de candidatos naquela maratona olímpica “espermatozoidal” desenfreada, para desespero e morte dos seus concorrentes.

competição

Na prática, você chegou na frente e mergulhou de cabeça no óvulo mais cobiçado daquelas redondezas. Portanto, eu você somos frutos daquilo que Richard Dawkins, escritor e cientista britânico, denomina de “o gene egoísta” que permite consolidar a natureza competitiva do ser humano.

Desde que nasceu, sua natureza competitiva sempre se manifestou de diferentes formas: através do choro por alguns mililitros de leite materno ou alguns momentos de colo, através de uma mordida no braço do seu irmão ou mesmo de um simples empurrão no seu amiguinho de infância, na frente da câmera, apenas porque você queria sair sozinho na foto.

Em razão de tudo isso, somos “moldados a ferro e marteladas”, como diria Ralph Waldo Emerson, pensador norteamericano. De fato, somos o que somos porque durante algum tempo fomos moldados com puxões de orelha, proibições de toda ordem e, no meu caso específico, muitas chineladas no traseiro.

O fato é que a natureza competitiva do ser humano não muda e continua adormecida em seu interior esperando a primeira oportunidade para se manifestar em forma de gritos, fofocas, intrigas, discussões e, em muitos casos, violência na sua forma mais primitiva: socos, pontapés, estrangulamentos, facas e tiros.

Na medida em que a sociedade evolui, a competição torna-se ainda mais implacável, dura e chega a ser insana. A tristeza da demissão alheia é ao mesmo tempo a alegria da nossa promoção. Na maioria das vezes nem sabemos por que competimos, mas somos influenciados pelo pensamento alheio.

Em geral, como a base espiritual do ser humano é fraca, sua convicção oscila entre a verdade e a opinião alheia e ele torna-se refém dos seus próprios desejos. Dessa forma, ele não consegue domá-los considerando que a sociedade exige sempre mais e mais, motivo pelo qual uma boa parte dela vive de aparência consumindo e gastando além da sua capacidade.

Competição é isso:

A sociedade tentando fazer o tempo todo com que você seja diferente daquilo que você gostaria de ser;

Políticos corrompendo e sendo corrompidos, contrariando os próprios valores e princípios para não perder as benesses proporcionadas pelo cargo;

Jovens ociosos assaltando e matando gratuitamente para retirar em poucos segundos os bens materiais e as carreiras preciosas que os bons cidadãos levaram anos para conquistar;

Profissionais inescrupulosos de todos os níveis hierárquicos esperando o primeiro “vacilo” do colega ao lado ou do chefe para puxar o seu tapete e assumir o seu lugar;

Filhos que não vêem a hora de os pais partirem “desta para melhor” a fim de se apropriarem dos bens que nunca ajudaram a conquistar;

Vizinhos incomodados que mudam de casa e de carro para não ter o desprazer de morar ao lado de alguém com hábitos e gostos parecidos com o seu;

Herdeiros incompetentes desperdiçando energia e brigando anos na justiça por um único bem deixado pela família como se isso fosse resolver todos os seus problemas;

Mais de 7 bilhões de pessoas correndo atrás de dinheiro, cargos de prestígio, bens materiais, salários milionários, comida, saúde, paz de espírito e reconhecimento.

Enquanto alguns desejam bem mais do que uma posição de respeito na sociedade, outros desejam apenas o respeito da sociedade. A natureza competitiva do ser humano é imutável, entretanto, não se pode perder a ternura e o respeito pela dignidade alheia.

Entre os animais irracionais, a luta é pela sobrevivência pura e simples e isso é compreensível embora as cenas de violência nos causem incômodo. Entre os seres humanos, embora a luta também seja pela sobrevivência, a irracionalidade nos causa espanto e perplexidade.

As palavras de Charles Darwin em A Origem das Espécies são apropriadas nesse momento: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.” Se o sol nasceu para todos, adaptar-se às mudanças não significa dizer que os demais estão condenados à escuridão.

Pense nisso e seja feliz!

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