O mundo é simples

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A complexidade humana é difícil de ser entendida e atendida, disse-me certa vez um amigo. Concordo plenamente, porém, a questão complexa nesse caso é: o que leva o ser humano a dificultar tanto as coisas? Em certos aspectos, o ditado não muda: a gente vai morrer e não vai ver tudo.

Num rápido exame de consciência, existe razão para desentendimentos, falta de cooperação, intolerância, ódio, rigidez de pensamentos? De onde vem essa maldita tendência humana para o domínio das classes menos favorecidas? Será realmente necessário tentar provar algo para alguém o tempo todo?

Durante a vida inteira, o ser humano desperdiça boa parte da sua energia vital em coisas que não valem a pena. De uma forma ou de outra, ele está sempre tentando se posicionar na sociedade comprando coisas que não precisa, trabalhando em algo que nada tem a ver com a sua vocação e sustentando relacionamentos que, mais cedo ou mais tarde, terão um fim.

Apesar de isso variar de pessoa para pessoa, quem leva uma vida mais simples tem menos chances de morrer antes do tempo. E, perdoe a sinceridade, não me venha com essa de que a gente vai embora quando Deus quer. A forma como as pessoas encaram o mundo e administram a sua parte pode abreviar ou retardar esse tempo.

Quem me conhece sabe que eu não tenho projeto de morrer antes dos 100. Se, por alguma razão inesperada, isso acontecer, juro que não será culpa minha. Por essas e outras razões, a máxima de Sócrates, filósofo da Grécia antiga, tornou-se a minha bandeira: “Quantas coisas sem as quais posso viver tranquilamente”.

mundo

O que significa ser simples? Isso daria uma boa tese de doutorado, porém, vou ser simples e conciso. Ser simples significa ser mais prático, menos formal, mais educado, menos malicioso, mais receptivo, menos tendencioso, mais racional, menos intolerante, mais intuitivo, menos crítico.

Quer um exemplo? Dia desses, eu estava almoçando com o meu filho mais velho no shopping e encontrei um amigo consultor que me apresentou a um dos investidores daquele restaurante onde nós estávamos. Eu sabia que conhecia aquele sujeito de algum lugar.

Sem formalidades, ele entrou no bate-papo e ali permaneceu por um bom tempo, na maior descontração, como se fossemos velhos conhecidos. Em torno de quinze minutos ou mais, despediu-se, trocamos cartão e ele se foi.

Alguns segundos depois, eu me dei conta de que se tratava do herdeiro de uma das maiores fortunas do Estado, sentado ali, sem mais nem menos, de camiseta, calção e chinelo, feliz por fazer parte de um novo empreendimento que não representa um milésimo dos negócios que a família tem.

O mundo é simples, portanto, para que dificultar as coisas? Imagine se a natureza decidisse conspirar contra nós. Ela não conspira, simplesmente faz o que tem que fazer, sem preconceito nem reclamações.

Pense nisso e seja feliz!

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