O inimigo mora ao lado

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Como seria maravilhoso se o ambiente corporativo fosse aquele mundo ideal que tanto buscamos! Imagine as pessoas se respeitando, praticando o legítimo espírito de equipe, conspirando menos contra a vida alheia, torcendo pelo sucesso dos amigos e sorrindo na maioria das vezes, a despeito de toda pressão exercida para o alcance dos resultados.

O fato é que você nunca sabe o que se passa na mente das pessoas e, como diria Emerson, grande pensador norteamericano, o ser humano é digno de tese. Quando você imagina que as pessoas estão acomodadas, alinhadas com o seu jeito de ser e agir e, portanto, são dignas de confiança, surgem fatos que mudam a história dos acontecimentos.

Citar exemplos é desnecessário. É provável que nesse exato momento dezenas deles estejam martelando sua cabeça e é possível que você já tenha sido vítima de uma conspiração silenciosa que resultou em decepção total. São aqueles sapos que você acaba engolindo sem tempero mesmo quando não tem fome.

De acordo com Alan e Barbara Pease, autores do best seller Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?, o principal interesse das pessoas é por elas próprias, ou seja, elas estão muito mais interessadas nelas mesmas do que em você. Isso faz do ambiente corporativo um campo fértil para a dissimulação.

Obviamente, há quem fique decepcionado com esse princípio básico da natureza humana e considere os outros egoístas ou egocêntricos, pois há muito tempo existe a crença de que devemos oferecer algo de valor sem esperar nada em troca. Nesse sentido, as pessoas contrariam o próprio discurso.

A verdade é que todo ato praticado pelo ser humano na vida é motivado, basicamente, por interesses pessoais. Na prática, quem espera que as pessoas ajam por motivações diferentes, que não os seus interesses pessoais, decepciona-se, mas o mundo corporativo é assim.

Dessa forma, não há razão para alguém se sentir constrangido nem há necessidade de pedir desculpas. É o instinto de sobrevivência falando mais alto e, pelo fato de a maioria ter sido moldada a “ferro e marteladas”, doses frequentes de recaídas são até certo ponto perdoáveis.

O problema é que muitas pessoas vão morrer praguejando, conspirando, torcendo para que as coisas dêem errado, matando, roubando, falando mal da vida alheia, perseguindo colegas em vez de metas e objetivos desafiadores.

inimigo

Para desconsolo geral, pessoas assim não fazem a mínima questão de mudar o discurso nem as atitudes ainda que a clava do destino desça sobre suas cabeças. Na sua infeliz concepção, elas estão sempre certas e vêem o mundo apenas como uma conspiração inequívoca em torno do seu potencial.

Na maioria dos casos, o inimigo está mais perto do que você imagina. Ele trabalha ou então mora ao seu lado e não sente o menor constrangimento quando sorri de maneira amistosa no corredor da empresa, na sala de reunião ou na mesa do restaurante enquanto se prepara silenciosamente para achincalhar a sua pobre mãe ao primeiro que aparece. “O homem só é sincero sozinho; na presença de uma segunda pessoa começa a hipocrisia” – dizia Emerson.

Até há pouco tempo eu ainda carregava uma leve esperança de que esse tipo de comportamento seria extinto com a entrada do novo milênio e o acesso irrestrito ao conhecimento que a sociedade levou milhões de anos para acumular. Ledo engano. Quanto mais as coisas mudam, mais permanecem as mesmas – diz o ditado.

Parafraseando o ex-presidente Lula, nunca antes na história desse país, ou nunca antes na história da humanidade, as pessoas tiveram tanta informação e conhecimento à disposição. Embora tenhamos dominado todo o tipo de tecnologia, não somos capazes de dominar os nossos instintos mais primitivos.

No fundo, bem lá no fundo da alma, o ser humano continua com a língua afiada, insensível, competitivo ao extremo, maldoso, pronto para puxar o tapete alheio, disposto a eliminar todo aquele que ouse atravessar o seu caminho e, por vezes, feliz com a desgraça alheia.

Em relação ao ambiente corporativo, procure não alimentar expectativas irreais. As pessoas são o que são e, além do mais, a natureza humana não pode ser compreendida. Expectativas irreais, principalmente em relação às pessoas, tendem a aumentar a intensidade da dor quando não são atendidas.

Independentemente da religião, a “regra de ouro” proferida por Jesus Cristo continua valendo, pelo menos para quem carrega um pouco de sangue nas veias: “faça aos outros somente aquilo que gostaria que fizessem a você”. Tão simples e ao mesmo tempo tão difícil de ser aplicada.

Uma frase inesquecível de Napoleon Hill, autor de A Lei do Triunfo – aqui adaptada para o propósito da mensagem – encerra a lição de hoje: “Estão vendo aquele sujeito que conquistou uma posição de respeito, mas o desrespeito é seu maior defeito? Pois bem, o destino está esperando por ele na primeira esquina, com sua clava que não é feita de algodão…”

Pense nisso e seja feliz!

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