O desafio de equilibrar a vida pessoal e profissional

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Equilibrar a vida pessoal e profissional é arte para poucos privilegiados, um desafio que deve ser estudado com frequência e superado no mais breve espaço de tempo possível para não comprometer a reta final da nossa curta existência. E aqui entre nós, eis aqui um desafio que ainda nos faz verdadeiros escravos do dinheiro, do sucesso e da competição desenfreada, por inúmeras razões que a própria razão desconhece.

Infelizmente, isso não é privilégio da nossa geração. De acordo com Kenneth S. Lynn, historiador, biógrafo e crítico literário americano, no Século 19 Mark Twain, autor de O Príncipe e o Mendigo, um dos melhores romances que já li, demonstrava total desencanto com o sórdido materialismo da vida americana, algo que se tornou ainda mais profundo pelo sentimento de culpa por saber que também sucumbira à sedução da “deusa-cadela”, um termo sarcástico, e ao mesmo tempo depreciativo, utilizado para se referir à busca desenfreada do sucesso, do êxito e da valorização desmedida do dinheiro.

Em pleno Século 21, boa parte da humanidade concentra energia no culto à “deusa-cadela” ao adotar valores equivocados que lhe proporcionam quinze minutos de fama e, em seguida, depressão acentuada e desequilibro permanente entre razão e emoção. Digo isso com uma ponta de arrependimento, e ao mesmo tempo de alívio, ao lembrar que até há pouco tempo eu me considerava um desses alienados que imaginavam ser o dinheiro, o sucesso e o trabalho, as coisas mais importantes da vida.

Felizmente, o tempo corrige essas coisas, pelo menos quando se tem disposição para segurar o ímpeto e repensar a maneira de levar a vida a fim de não ser atropelado por ela. De fato, a vida continua nos desafiando permanentemente e, ao menor vacilo, somos levados a pensar que a maior quantidade de dinheiro possível será capaz de resolver todos os nossos problemas. Ao agir dessa maneira, muitos trabalham oito, dez, doze, catorze horas por dia, voltam no sábado e, se o chefe pedir com jeitinho, até no domingo.

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Qual foi a última vez que você foi a algum lugar diferente do shopping? Qual foi a última vez que você saiu para comer uma pizza com a família? Qual foi o último dia em que conseguiu sair um pouco mais cedo do trabalho para buscar o filho na escola? Há quanto tempo você não caminha, não ri de doer a barriga, não vê o por do sol, não cozinha para você mesmo? Há quanto tempo você não lê um livro, do começo ao fim? São pequenas coisas que fazem uma enorme diferença na sua qualidade de vida.

Apesar da preocupação excessiva com a necessidade de ganhar dinheiro, existe vida além do trabalho. Os antigos gregos defendiam a divisão equilibrada do tempo, de forma que o ideal seria dedicar 1/3 do dia para cada etapa importante da nossa vida: trabalho, vida pessoal (lazer/família) e descanso. O desequilíbrio em qualquer uma das etapas provoca desperdício de tempo e energia. Há quanto tempo você não consegue sair do trabalho no horário determinado?

Não desanime, pois existem grandes chances de se reverter a situação, desde que também exista consciência do desequilíbrio e, principalmente, vontade de mudar os acontecimentos a partir de um determinado momento. É quando você “chuta o balde” e resolve agir diferente, estabelecendo um prazo para declarar a própria independência. Se a maioria dos países conseguiu se livrar da escravidão imposta por seus colonizadores, porque as pessoas não seriam capazes de se livrar da escravidão corporativa e fazer o mesmo?

O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional é uma arte que mistura razão, pressão e emoção, portanto, não se pode conquistá-la apenas com o simples desejo, mas com o tempo e o amadurecimento. Confesso que avancei um bocado nesse sentido, e ainda tenho muito a realizar, entretanto, me sinto à vontade para compartilhar com o leitor a minha experiência sobre o assunto. Algumas dicas:

Estabeleça prioridades: primeiro o mais importante e, como diria Goethe, o grande poeta alemão, as coisas mais importantes não devem ficar à mercê das coisas menos importantes. Em suma: não perca tempo com bobagens que não agregam valor.

Gerencie seu tempo: não seja alienado, do tipo que leva o colchão de dormir para a empresa a fim de arranhar mais tempo para se dedicar ao trabalho; existe trabalho, vida pessoal e descanso.

Um mínimo de planejamento: organize suas atividades profissionais e pessoais para dar sentido e vazão à criação produtiva. Nada prospera sem um mínimo de planejamento e organização.

Exercite a flexibilidade: seja firme no seu propósito de vida e não abra mão de suas convicções, porém não se torne escravo da agenda e do planejamento. O sucesso na vida profissional jamais compensará o fracasso na área pessoal.

Atribua responsabilidades: não queira ser o “dono do mundo” nem o “dono da verdade”. Compartilhe, divida, delegue, pois as pessoas ao redor são tão importantes e competentes quanto você.

Viva a arte do relacionamento: comece no círculo pessoal, respeite os amigos, familiares e parentes. Os relacionamentos saudáveis são a base da nossa felicidade e da nossa contribuição.

Pratique o autoconhecimento: primeiro compreender para depois ser compreendido, lembra? Quando se sabe das qualidades e dos próprios defeitos, o desejo de mudança flui com mais naturalidade.

Seja otimista: para tudo na vida existe uma ou mais saídas, portanto, encare os problemas sempre sob um olhar otimista. Não se entregue antes do tempo. Os pessimistas são meros expectadores.

Tudo na vida é relativo: uma situação de desconforto temporária não é para sempre. As crises oscilam e aqueles que mantêm a serenidade prosperam.

Lembre-se do ócio criativo: de acordo com Domenico De Masi, sociólogo italiano, “para produzir mais, devemos trabalhar menos”, portanto, o ideal é não fazer nada de vez em quando e mergulhar no espaço vazio. Infinitas possibilidades se abrem para pessoas que, vez por outra, não se preocupam com nada.

Não é tão difícil assim, portanto, lembre-se: equilibrar a vida pessoal e profissional exige consciência do problema e mudança de postura, caso contrário, a vida continuará batendo na sua cabeça até deixá-lo amargo, ranzinza, pessimista, especialista em reclamação, a ponto de ninguém mais sentir-se confortável com a sua presença.

E você sabe muito bem onde muitos filhos, as noras e os genros querem colocar os idosos depois de certa idade, portanto, quanto mais alegre, mais humano, mais otimista e mais perto deles você estiver, melhor a sua perspectiva de futuro.

Pense nisso e seja feliz!

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