Novos critérios de avaliação

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Até meados da década de 1990, as empresas eram muito tolerantes com as deficiências de suas equipes e complacentes demais com a carreira de seus profissionais em nível de liderança ou em nível operacional. Naquela época, as empresas valorizavam a felicidade e a lealdade de seus profissionais em troca de uma pseudo-segurança.

Nossos pais e avós são o exemplo mais vivo em nossa mente. A maioria deles iniciou a carreira na empresa como contínuo, auxiliar de escritório ou auxiliar de produção. Alguns conseguiram galgar uma boa posição na escala hierárquica organizacional em cargos de supervisão, gerência e até mesmo diretoria. Outros, no entanto, aposentaram-se com o mesmo cargo, porém com o orgulho estampado no rosto pelo fato de ter trabalhado de 30 a 35 anos na mesma empresa.

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Na prática, toda geração tradicional e parte da geração baby boomer seguiu essa mesma regra. Era o “tempo de casa” que contava. Os empregados mais antigos eram amplamente reconhecidos de cinco em cinco anos até chegar ao ápice da carreira, depois anos e anos de bons serviços prestados, com direito a medalhas, relógios de ouro e placas de menção honrosa. No Brasil, o título de “Operário Padrão” era o mais desejado pelos empregados da indústria na década de 1970.

Quanto maior o tempo de casa, mais reconhecido pela empresa e mais respeitado na época. Ninguém queria “sujar” a carteira profissional nem se arriscar a ter mais de um ou dois empregos sob pena de ser questionado pelo patrão. Por conta disso, muitos profissionais eram contratados no mercado sem qualquer preparo e as empresas investiam em alguns cursos, pacientemente, até que o profissional atingisse o desempenho almejado.

Diferente do que acontecia no passado, hoje é mais fácil e mais rápido comprar os profissionais diretamente no mercado. A dinâmica dos negócios e a competição desenfreada não permitem mais que as empresas se dêem ao luxo de contratar, treinar e esperar passivamente pela evolução de cada profissional. O investimento agora fica por conta do profissional, o que, na minha concepção, é mais prazeroso e recompensador.

Você precisa chegar pronto, no mínimo com curso superior, domínio de língua estrangeira, especialização e uma vontade imensa de produzir resultados no menor espaço de tempo possível. Grandes empresas, por exemplo, contratam um bom headhunter para recrutar o melhor profissional disponível no mercado e o que conta mesmo é o seu histórico de resultados alcançados.

A experiência vale, no entanto, o que você vai conseguir fazer com a sua experiência é outra história. Em geral, experiência está associada à idade e penso que poucas empresas estão preocupadas com esse critério. Muitas estão optando pela energia disponível na Geração Y, cujos valores são completamente diferentes dos valores adotados pelas gerações passadas, e na ânsia de conseguir resultados rápidos.

De ambos os lados, basta oferecer salário maior e pacote de benefícios mais atrativo que as empresas encontram os melhores. Por outro lado, profissionais qualificados trocam de empresa como quem troca de roupa. Roubar os melhores executivos da concorrência tornou-se prática comum em nome da sobrevivência pura e simples e da ascensão meteórica.

Apesar da mudança, existem coisas que não devem mudar. Valores e princípios ainda são o sustentáculo de qualquer profissional, dentro ou fora do mercado. Talvez o mundo corporativo consiga suportá-lo sem princípios, mas a família dificilmente conseguirá em razão da discriminação imposta pela sociedade. Para se ajustar aos novos critérios de avaliação, compartilho aqui minha própria fórmula de adaptação:

Investimento em educação é um investimento pessoal: mantenha-se atualizado por iniciativa própria; não dependa nem transfira para a empresa essa responsabilidade; conhecimento é a única coisa que ninguém consegue tirá-lo;

Fuja da mediocridade: prepare-se para novos desafios, evite a zona de conforto, saia da defensiva, arrisque-se de vez em quando; ser medíocre significa esperar por milagres sem fazer algo diferente para merecê-los;

Seja diferente: você não precisa ser especialista nem generalista; basta adotar um comportamento proativo e tomar decisões com frequência; essa postura haverá de lhe proporcionar uma enorme vantagem competitiva;

Tenha o hábito de fazer mais do que o combinado: esse é o maior critério de avaliação em caso de redução de quadro. O que faria o seu chefe optar por você em vez do seu colega de trabalho numa hora dessas? Se você adotar essa prática e prevalecer o senso de justiça, já tem a resposta;

Toda empresa tem espaços vazios: sempre haverá espaços a serem preenchidos por pessoas que pensam, agem e produzem resultados acima da média; afinal, o que as empresas mais necessitam é de pessoas que resolvam problemas em vez de criá-los.

Embora o mercado seja, por vezes, injusto, penso que haverá sempre um lugar ao sol disponível para quem sabe dizer bom dia, por favor e muito obrigado, coisas simples, porém ignoradas nos mais altos níveis hierárquicos ou mesmo de formação educacional.

Pense nisso e seja bem mais feliz!

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