Mudar para não conspirar

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Na fila do check in, um executivo bem arrumado, na faixa dos quarenta anos, se queixa ao celular, provavelmente para alguém da mesma empresa. Difícil não ouvir alguma coisa, apesar da voz baixa e das tentativas constantes de disfarce, impossível no meio de tanta gente.

Estamos perdidos, insiste ele por duas vezes ao telefone. O chefe disse que se não atingirmos a meta, cabeças vão rolar. Babaca, se ele soubesse… Não aguento mais essa pressão o tempo todo. Dez anos nisso, com o mesmo chefe, o mesmo discurso, a mesma coisa de sempre. Pior ainda, não temos produto competitivo nem serviço que preste para oferecer aos clientes. Que saco!

Fiquei na minha, ouvidos atentos, matéria-prima garantida para meus artigos. Por mais de trinta anos, ouvi muitos discursos parecidos e talvez até tenha feito parte de algum deles. Há dias em que a vontade de mandar o chefe pra bem longe é grande, mas, pensando bem, emoção resolve? Desabafo ajuda, mas será sempre temporário.

Durante dez a quinze minutos, ele continuou batendo na mesma tecla: até quando vamos aguentar esse cara? E eu ali pensando comigo mesmo: por que você tem que aguentar esse cara? Se liga, cabeção! Se, para tudo na vida sempre existe sempre uma ou mais saídas, então, onde está o problema?

Aqui vão algumas alternativas: 1) ele não gosta do que faz; 2) ele não se preparou para buscar um emprego mais promissor; 3) ele está na zona de conforto; 4) ele se habitou a falar mal do chefe; 5) é mais cômodo falar mal do chefe do que enfrentar o problema; 6) ele é tão dissimulado quanto o chefe. Pode escolher.

mudar

Qualquer alternativa serve para justificar o problema, pois esse tipo de postura é comum, tanto no serviço público quanto nas empresas privadas. Quando as pessoas se submetem a uma determinada situação de desconforto, encontrar defeitos no sistema em vez de reagir a ele de maneira positiva é o caminho mais utilizado.

Eu tive a oportunidade de trabalhar com os melhores e os piores chefes que alguém pode ter na vida profissional, mas, de uma forma ou de outra, aprendi muito com todos eles. Acredite ou não, existe alternativa, principalmente quando o trabalho está mais para a escravidão. Quem não se diverte trabalhando, sofre.

Certa vez, quando fui pressionado a mudar de cidade contra vontade, em vez de falar mal da mãe do chefe pelos corredores, procurei me concentrar nas possíveis alternativas e consegui encontrar emprego mais interessante sem ter de sacrificar a família toda. Mudei sem pestanejar. Não dei a mínima chance para negociação. Imaginei que seria o fim do mundo, mas minha vida mudou para melhor.

Qualquer situação semelhante é passível de solução e, de certa forma, depende muito mais de você do que do seu chefe. A pressão é comum a todas as formas de organização, entretanto, submissão e liberdade são escolhas e ambas tem o seu lado positivo e negativo.

Se estiver vivendo algo semelhante na empresa, aqui estão algumas alternativas para amenizar e resolver o problema, mas é necessário saber utilizá-las:

  1. 1.Rebele-se e torne público o seu sufoco: escolha um dia bom, crie coragem, procure o chefe e revele o seu descontentamento, mas, lembre-se: escolhas e consequências são inevitáveis; prepare-se para o pior e, se a reação for boa, o que é quase improvável, agradeça;
  1. 2.Fique quieto e pare de conspirar: empregos são transitórios, chefes também, portanto, se você aguentar firme no seu canto, não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe; se não tiver alternativa melhor, adapte-se, sobreviva e pare de conspirar no corredor ou na fila do check in;
  1. 3.Comece a distribuir currículos: ninguém precisa esperar dez anos para tentar um chefe melhor, uma empresa melhor e um novo desafio; quem suporta um chefe tirano e um ambiente hostil por mais de dez anos não tem amor a si próprio e, de certa forma, está preso a uma zona de conforto;
  1. 4.Torne-se um empreendedor: é a melhor forma de colocar sua energia para trabalhar em algo que você realmente acredita, afinal, como empreendedor você terá a oportunidade intransferível de implantar a sua própria filosofia de trabalho e, de quebra, ainda ficar rico.

As palavras de Albert Camus, filósofo francês, encerram a mensagem da semana: “não existe dignidade no trabalho quando nosso trabalho não é aceito livremente”. Se você acredita que vale mais, e eu acredito que vale, o mercado estará sempre de portas abertas para abrigar a sua inteligência, portanto, pare de conspirar contra o chefe e a vida há de se tornar mais leve e sorridente.

Pense nisso e seja feliz!

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