Mais ação, menos discurso

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Depois de oito anos de mandato e uma popularidade beirando a casa dos 90% nos últimos meses, o Presidente Luís Inácio Lula da Silva deixou o Governo Federal com a promessa de voltar algum dia, se o povo assim desejar. Deus ajude que isso seja apenas da “boca pra fora”, como se diz no jargão popular.

Em outras palavras, o Brasil precisa de menos discurso tipo stand up comedy e mais ação. Não alimento a ilusão de imaginar que o Programa Bolsa Família ou qualquer outro tipo de benefício concedido seja capaz de elevar o país ao status de primeiro mundo se a mentalidade política não sair do século passado.

discurso

Independentemente dos sinais positivos na economia, o Brasil ainda carrega problemas proporcionais ao seu tamanho geográfico, tais como a baixa taxa de inovação, a informalidade, a corrupção, a infraestrutura caótica e os altos índices de violência.

A menos de cinco anos da realização da primeira Copa do Mundo no Brasil, sustentamos índices nada favoráveis para quem quer fazer parte do Conselho de Segurança da ONU e ainda capitanear o discurso mundial da sustentabilidade.

Em relação às oportunidades para os iniciantes nos negócios, somos apenas o 129º país recomendado pelo Banco Mundial, segundo o relatório Doing Business 2010. Nosso IDH (Indíce de Desenvolvimento Humano) ocupa somente a 73ª posição dentre os 169 países pesquisados e a infraestrutura instalada – portos, aeroportos e rodovias – não consegue acompanhar o crescimento econômico.

Nossa infraestrutura precária acumula prejuízo anual de R$ 40 bilhões em perdas de negócios, acidentes, multas e outras formas de prejuízo, segundo reportagem publicada na Revista Época Negócios (Set/2009). O Brasil deveria investir por ano 2,5% do PIB em infraestrutura, entretanto, a média histórica é de 0,8%, insuficiente para um país de dimensões gigantescas como o nosso.

Não existe a menor dúvida de que o Brasil é a “bola da vez”, mas a dúvida crucial é saber se teremos condições de aproveitar as oportunidades que se abrirão nos próximos dez anos com o advento da Copa Mundial de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

O futuro do Brasil passa, necessariamente, pela reforma do Estado. Isso inclui a reforma política, a tributária, a previdenciária, o desinchaço da máquina administrativa e a questão da segurança pública. Lamentavelmente, o Estado brasileiro custa caro, trabalha mal e não consegue encontrar a direção correta.

Apesar das incertezas em relação ao Governo Dilma Rousseff, prevalece no Brasil e no exterior um elevado índice de confiança nas perspectivas de longo prazo da economia brasileira. De acordo com o banco americano Goldman Sachs, o PIB do Brasil deve ultrapassar a US$ 2,6 trilhões em 2020, podendo superar a economia da Itália e representar em torno de 4% do PIB mundial.

O fato é que os números apresentados não resolvem todos os problemas do país e continuaremos muito distantes das nações desenvolvidas. Talvez tenhamos de nos contentar com a mediocridade, a despeito de todas as oportunidades, dos recursos naturais disponíveis e da vontade popular à disposição da classe política.

Se compararmos o Brasil com os demais países do BRIC, nossas vantagens ainda são maiores: não temos problemas de fronteira nem movimentos separatistas; não temos conflitos étnicos nem religiosos; falamos um único idioma; nossa diversidade cultural é imensa; nossa constituição é ampla e ao mesmo tempo democrática. Além do mais, você conhece algum outro país que realiza eleições e divulga o resultado em menos de 12 horas?

Assim sendo, penso que o problema do Brasil não é econômico nem financeiro. Vivemos uma profunda crise de valores éticos e morais onde os interesses de uma minoria prevalecem sobre os da maioria e isso não há dinheiro nem economia que dê jeito. O que o Brasil precisa de fato é menos discurso e mais ação.

Quanto aos valores éticos e morais, isso vem do berço. Não tenho a pretensão de imaginar que a geração atual consiga mudar a maneira de os políticos e governantes agirem. Nosso maior instrumento para mudar essa tendência são as urnas e, aqui entre nós, elas ainda são os porta-vozes da imaturidade política nacional.

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