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Por várias razões que a nossa vã filosofia não consegue entender, penso que a hipocrisia humana dificilmente será extinta e, vez por outra, extrapola seus limites embora devamos acreditar que ela não tenha limites. Como diria o poeta norte-americano Ralph Waldo Emerson, “o homem só é sincero sozinho e na presença de uma segunda pessoa começa a hipocrisia.”
Na última semana o povo brasileiro assistiu embasbacado a performance de uma Madonna nunca vista antes na história desse país. Como num passe de mágica, Madonna migrou de pop star devassa, péssimo exemplo para os jovens, diva anabolizada e outros títulos proferidos pela sua crítica mais voraz, para uma estrela meiga, dócil, incrível, inteligente, simpática, amante da natureza e agora preocupada com o futuro das crianças no mundo. Ora bolas, nada mal para quem até há pouco tempo era considerada sinônimo de perversão.
De fato, com dinheiro no bolso, você é inteligente, bonito e sabe até cantar, segundo um provérbio iídiche. Entretanto, o que chamou a atenção durante uma reportagem veiculada em jornal de grande expressão nacional foi a presença de milhares de pessoas se acotovelando, pisoteando, subindo por cima das árvores e das telas de proteção de uma quadra de esportes numa favela carioca, aos gritos desesperados, histéricos e repetitivos de “Amarradona, Amarradona”, além de outros menos exaltados como “I love you, Madonna”.
O que me deixa mais embasbacado não é o tumulto em si, comum entre as comunidades carentes e alguns pobres de espírito que depositam em seus ídolos toda esperança de vida, como se eles tivessem o poder de transformar a confusão generalizada e o isolamento em que se encontram. O que me deixa ainda pasmo é a pobreza de espírito das pessoas que são capazes de se submeter a hematomas provocados por beliscões, arranhões, empurrões e puxões de cabelos sem a mínima condescendência do público concorrente e da própria segurança.
Após a visita, quando a repórter tentou entrevistar um dos moradores da favela carioca que recebeu a ilustre personagem, o infeliz mal conseguia balbuciar algumas palavras e, em meio a uma torrente de lágrimas, disparou: “eu consegui chegar perto dela, tocar a roupa dela, passar a mão nos cabelos dela”. A única explicação que se pode encontrar para isso é o fato de que a carência humana não tem limites.
Embora a finalidade específica de tudo isso seja promover a cantora, além de elevar a popularidade dos políticos que se aproveitam do fato para reduzir o mal estar junto aos eleitores e promover algumas personalidades que não perdem a oportunidade de aparecer no show business, o fato é que a mídia adora esse tipo de tumulto. Aqui não faz diferença se é a Madonna, o Michael Jackson ou o Rolling Stones. Não importa, falem mal, mas que falem de mim! E nesse sentido, os ídolos também são carentes. Eles adoram esse tipo de promoção.
Em seus 51 anos de vida, nunca ouvi dizer que ela estivesse preocupada com a miséria ao redor do mundo ou mesmo com a pobreza das favelas cariocas. Nos últimos dez anos, a turnê mundial de Madonna vem batendo recordes e mais recordes de arrecadação e, somente no ano passado, chegou a faturar mais de US$ 300 milhões, entretanto, a cantora aparece aqui com uma humildade nada peculiar e duas armas poderosas, lágrimas e cosméticos, para pedir uma ajuda extra de US$ 10 milhões ao empresariado brasileiro. Naturalmente, nossos não menos ilustres empresários jamais deixariam de atender ao pedido de uma personalidade “tão importante” na vida dos brasileiros.
Apesar de tudo, a iniciativa não deixa de ser louvável e, possivelmente, nem mesmo eu, você, o Presidente da CNBB, o Lula, o Edir Macedo e Jesus Cristo juntos teríamos tanto poder para sensibilizar os empresários. Aliás, o único Jesus que está conseguindo sensibilizar a cantora, a mídia e o povo em geral, foi adotado recentemente pela cantora e, de quebra, ainda conseguiu um apartamento de US$ 1,7 milhão em New York, devidamente registrado em seu nome, segundo o tablóide inglês The Sun. Provavelmente, esse valor não fará falta na campanha de Madonna em prol das crianças menos favorecidas nem para os quase 40 milhões de cidadãos norte-americanos classificados em nível de pobreza, segundo dados divulgados pelo governo daquele país.
O mundo é assim mesmo, my friend. Enquanto eu você seguimos em frente indignados com toda hipocrisia, o mundo do show business amealha fama e fortuna à custa do excesso de carência das pessoas em todos os lugares do mundo. Resta-nos torcer para que a iniciativa seja proveitosa pelo menos para fortalecer a nossa capacidade de indignação, caso contrário, seremos atropelados pelas mesmas razões que mobilizam uma comunidade inteira para participar de algo que não acrescenta valor algum à sua mísera condição.
Pense nisso, faça a parte que lhe cabe e siga feliz!
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Ideias e histórias compartilhadas em Palestras e Treinamentos Inesquecíveis
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comentários
DESDE MÉXICO, UN ABRAZO FRATENO PARA TÍ, TU FAMILIA Y TUS AMIGOS: QUE ESTAS FIESTAS Y EL PRÓXIMO 2011 TRAIGAN PARA TODOS MUCHOS ÉXITOS Y COSAS LINDAS EN SUS VIDAS.
¡FELICITACIONES TAMBIÉN POR TUS INNOVACIONES!
PARA BRASIL Y MÉXICO, COMO PARA EL RESTO DE ESTE MUNDO VIOLENTADO POR LA AMBICIÓN Y LOS ABUSOS, ¡PAZ!!!!
Cordialmente
Georgina Greenham
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