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A carência humana PDF Imprimir E-mail
Artigos - Pensamento Construtivo
Escrito por Jerônimo Mendes   
Dom, 09 de Abril de 2006 23:36

 

A necessidade de sonhar com um mundo diferente faz parte da estrutura psicológica do homem. Ele vive uma eterna ansiedade quando está triste ou feliz e deixa de viver aquilo que a bondade divina lhe reserva com extrema sabedoria.

 

Tudo é possível para o ser humano que conhece as próprias limitações. Há aqueles que passam a vida inteira correndo atrás do dinheiro, outros cultivam a infelicidade ao lado de alguém que não oferece nada mais do que respeito e gratidão.

 

Infelizmente, há também quem prefira viver à margem da solidão e do desgosto por se julga incapaz de construir um relacionamento sólido com base no amor e carinho.

 

A vida é um eterno aprendizado e o ser humano um eterno carente. Dinheiro nunca foi sinônimo de felicidade, mas não se pode negar que o semblante pesado tende a mudar com extrema rapidez diante de um saldo bancário confortável.

 

A carência humana jamais será suprida. Se tivermos dinheiro, teremos amor, se não tivermos, o amor desaparece, pois é necessário muito amor para sobreviver sem dinheiro. É duro falar assim e mais difícil ainda colocar no papel um sentimento tão bruto, isento de paixão e sensibilidade. A vida reserva-nos obstáculos por vezes intransponíveis onde nem mesmo o amor consegue superar.

 

Há de se ter espírito muito aberto e desprovido de bens materiais para manter o equilíbrio ante as dificuldades do mundo moderno. Todo dia um leão deve ser morto. A batalha é árdua e requer fé em Deus e paixão pelas coisas simples, nada mais.

 

A felicidade está onde nunca imaginamos. Muitos insistem em procurá-la nos bilhetes de loteria, numa bela mansão, na cigana ou na vidente, no consórcio do carro importado pago a duras penas ou no limite do cheque especial, difícil de se livrar.

 

Todas as besteiras cometidas em curto espaço de tempo não suprem a carência que maltrata nossa falta de serenidade. Somos incapazes de distinguir entre o necessário e o supérfluo. A insensatez humana não permite confiar na sabedoria divina que provê o necessário para levarmos a missão até o fim na face da Terra.

 

Ironicamente estamos sempre buscando mais e mais ainda que o nosso fim seja único e o futuro nos reserve apenas sete palmos de terra para descansar o velho esqueleto cansado de guerra. A necessidade de reconhecimento é tanta que não cabe em nossa vã inteligência um minuto de reflexão.

 

A estrada é longa, a ponto de envelhecermos sem ter aprendido o suficiente para descansar em paz numa outra dimensão. A vida não é apenas uma eterna luta pela sobrevivência. Há muito mais além da visão limitada do ser humano, carente de idéias e reconhecimento.

 

A luta diária travada diante da insignificância da nossa existência é digna de reflexão e nada se compara ao futuro que nos espera além da vida terrena. Sermos felizes não basta, é necessário abster-se, cultivar amor próprio e contentar-se com as coisas simples que a vida nos oferece.

 

A questão é saber o que fazer com o pouco que recebemos, os exemplos que deixamos e o que construímos ao nosso redor. Como versou sabiamente a escritora Helena Kolody: Deus dá a todos uma estrela, alguns fazem dela um sol, outros nem conseguem vê-la.

 

Todas as coisas terrenas são efêmeras. O sofrimento desmedido não é digno do ser humano equilibrado. Por fim, tudo depende da amplitude de visão e raciocínio almejados para se distinguir o joio do trigo.

 

O homem é contraditório por natureza. Muitos se contentam com pouco e poucos se contentam com muito. A felicidade inspira sentidos diferentes de acordo com a ambição de cada um.

 

Existem diversos caminhos para se chegar ao mesmo lugar e temos o livre arbítrio para decidir entre o mais fácil e o menos doloroso. Nenhum será tão simples quanto aquele que nos permite botar livremente a cabeça no travesseiro para retomar a caminhada em paz no dia seguinte.

 

A sabedoria divina não admite questionamentos nem raiva nem repulsa, pois existe razão e lógica no simples andar da formiga ou numa gota de orvalho. O que nos cabe é pouco, apesar da nossa insistência em dizer que o fardo é pesado. Pense nisso e seja feliz!



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comentários  

 
0 #1 Márcio Costa Rodrigu 31-07-2010 08:03
Segundo os gnósticos, destruídos pela cúria romana, este mundo é ilusório. O verdadeiro significado das coisas está naquilo que chamavam aeon, uma espécie de céu para os judaico-cristãos. Porém diferente do conceito judaico-cristão, pois Deus se alcança através do conhecimento, o que é um pecado para as atuais igrejas ditas cristãs. Pois Adão e Eva teriam sido expulsos do paraíso após comer do fruto da árvore do conhecimento.
Esta lacuna entre nós e Deus, esta carência, somente seria suprida através do conhecimento. Todavia, é um árduo caminho
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