Hardy mais vivo do que nunca

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Na década de 1980 eu era fã de carteirinha da dupla Lippy e Hardy, um clássico dos desenhos animados da produtora Hanna-Barbera. Semelhante ao que ocorre na vida pessoal e profissional, Lippy e Hardy personificavam o oposto de cada um. Enquanto o simpático leão Lippy representava otimismo e nunca desanimava, a hiena Hardy representava pessimismo com seu inesquecível jargão “Oh, céus… Oh, vida… Oh, azar!” E vez por outra arrematava: – isso não vai dar certo!

Em pleno século 21, a hiena medonha ainda inspira seguidores. Em diferentes círculos de relacionamento, noto que a síndrome de Hardy continua fazendo suas vítimas em todas as faixas de idade. Penso que, infelizmente, isso é da natureza das pessoas, do meio onde viveram a primeira fase da infância, dos castigos recebidos na pré-adolescência, da forma como foram criadas, enfim, da cultura onde estavam inseridas.

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De fato, temos muito mais dos nossos pais do que imaginamos e isso pode ser determinante no comportamento. Algumas pessoas apresentam predisposição para o sofrimento. Nada do que você faça será capaz de livrá-las do pessimismo. Elas gostam de chorar pelos cantos e resmungar a cada solicitação do chefe e dos colegas de trabalho. Uma observação despretensiosa sobre algo que nada tem a ver com elas ou um simples olhar atravessado é tudo o que precisam para se autoproclamarem vítimas de conspiração no trabalho.

Perguntas e observações do tipo “ninguém me ajuda”, “o que é que eu faço”, “por que comigo”, “não tenho sorte”, “ninguém me ama”, “pra mim sobra só o serviço”, “ninguém me chama” e outras centenas de frases infelizes alimentam o ego dos portadores da síndrome de Hardy. “Deus o livre” se você recusar ajuda para eles. Na realidade, eles transferem ou pelo menos tentam transferir a você o rótulo de inimigo como se a prática fosse sua.

Adeptos da síndrome de Hardy raramente conseguem admitir que você está sobrecarregado ou tem prioridades a cumprir e, pelo menos naquele momento, não tem como ajudá-lo. Na tentativa de suprir a própria ineficiência, é mais fácil para eles atribuir a culpa aos colegas de trabalho e chorar na mesa do chefe. Dessa forma, eles acabam excluindo-se automaticamente do processo e continuam fazendo o que mais gostam de fazer: lamentar-se pelos corredores a fim de que todos saibam que eles são vítimas de tudo isso.

Infelizmente, pessoas assim demoram a encontrar o próprio caminho e conviver com elas não é nada fácil. Em geral, elas são vítimas de um processo lento e doloroso de cozimento que ocorre com a maioria das pessoas e conta com os seguintes ingredientes: ausência de objetivos, falta de foco, baixa autoestima e zero de amor próprio. Portanto, qualquer ajuda pode ser considerada uma afronta à sua combalida personalidade, mas sempre imagino que existe o remédio certo para a pessoa certa em qualquer síndrome. Pode não resolver o problema, mas, no mínimo, vai fazê-las refletir a respeito.

As empresas, por sua vez, demoram a tomar uma atitude com relação a esse tipo de postura. É um misto de pena e compaixão considerando que pessoas com essas características desmontam quando algo de ruim lhes acontece. O fato é que empresas e companheiros de trabalho não são obrigados a carregar ninguém nas costas tampouco conviver com o mau-humor alheio.

A fim de corrigir o problema, algumas atitudes devem ser tomadas para evitar a contaminação do ambiente e ao mesmo tempo despertar a consciência de quem ainda pensa que é obrigação dos outros suportar a chatice alheia.

Conviver com o problema é questão de opção, a menos que a pessoa seja parente ou então o próprio dono da empresa. Se for esse o caso, não há solução que dê jeito, portanto, quem deve mudar de ares é você. Existem pessoas que não querem receber ajuda, infelizmente, portanto, aqui vão algumas alternativas:

Trate abertamente o problema: não deixe a situação evoluir; como diz o ditado, é de pequeno que se torce o pepino; quanto maior o tempo de tolerância, mais difícil o enquadramento, portanto, nada melhor do que uma boa conversa, olho no olho, para esclarecer expectativas de ambos os lados;

Ofereça ajuda: em alguns casos, a síndrome de Hardy é crônica e vai exigir tratamento; oferecer ajuda é uma atitude digna, entretanto, se não houver um esforço de ordem pessoal, não há chefe nem psicólogo que resolva o problema;

Acompanhe a evolução: depois de fazer a sua parte, acompanhe o progresso e avalie se os esforços não estão sendo em vão; reposicione a pessoa, se necessário;

O último remédio: de acordo com Jack Welch, ex-CEO da GE, “até um pé no traseiro empurra alguém para frente”. Parece grosseiro, mas a demissão pode ser o melhor remédio para recolocar uma pessoa nos trilhos. Minha mãe era mais efetiva e repetia com frequência: continue assim, meu filho, que a vida vai ensiná-lo.

Pense nisso e seja feliz!

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