O hábito de caminhar um quilômetro extra

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O mundo é uma espécie de formigueiro carregado de pessoas que não fazem nada mais do que lhe mandam e de pessoas que não fazem nem o que lhe mandam. Talvez eu esteja sendo injusto com as formigas, pois no formigueiro todas trabalham igualmente para o bem da comunidade, exceto a rainha.

Todos os dias a vida nos concede inúmeras oportunidades de fazer bem mais do que aquilo para o qual estamos sendo pagos. E não existe maneira mais justa de receber o que merecemos se não for através do esforço que vai além das nossas possibilidades.

Isso é o que Napoleon Hill, autor de A Lei do Triunfo, denominava de “o hábito de caminhar um quilômetro extra”. Quem consegue ir além da recompensa tem mais chances de prosperar, em qualquer profissão, desde que haja o equilíbrio necessário para evitar o desgaste em qualquer uma das partes.

O que significa caminhar um quilômetro extra? Imagine que sua vida é dura, você levanta cedo, toma dois ônibus para trabalhar, tem um chefe que não é brincadeira, ganha pouco e atende reclamações o dia todo. Em resumo, você trabalha no call center de uma companhia telefônica. E não foi por falta de opção, afinal, você lutou para conseguir o emprego.

Eu sou campeão de reclamações para o setor de atendimento da minha companhia telefônica de celular. Mês sim, mês não, alguém atende a minha ligação depois de me fazer passar pelas nove opções do menu inicial, mas a gente aprende a ficar meio zen nesse caso. A espera é um exercício fantástico de autocontrole e isso me ajuda muito a compreender o contexto geral.

Dá para ser feliz ouvindo lamúrias o dia todo? Minha experiência diz que sim. Toda vez que um atendente transfere a ligação para outro é possível sentir nitidamente a mudança de postura. Já ocorreu de mudar três ou quatro vezes de atendente na mesma chamada e o atendimento ser bem diferente.

Por que isso acontece? Porque em qualquer empresa existem pessoas que não sabem o que estão fazendo e outras que, apesar de não terem sido informadas, fazem aquilo que o seu coração manda. Não importa se ninguém mandou ou se não foram treinadas. Importa é o fato de que o cliente precisa de ajuda. Se não estiver ao seu alcance, no mínimo você pode ser educado e prestativo.

Como diz Jeffrey Gitomer, em seu fantástico best seller O Livro de Ouro das Atitudes YES, “não é o que lhe acontece na vida, mas o que você faz com o que lhe acontece na vida”. Você pode ter nascido de família rica ou de família pobre, portanto, sua origem não muda. O que muda é a forma como você encara a vida a partir do momento em que a vida encara você.

quilometro-extra

Significa dizer que, em qualquer profissão, você pode escolher entre ser um profissional animado, sorridente e criativo, independentemente do salário e das condições de trabalho, e um profissional amargo, irritado, indiferente, que não vê a hora de ir para casa e fugir das reclamações.

Caminhar um quilômetro extra é uma competência não ensinada nos lares e nas escolas. Em parte, culpa da legislação e dos sindicatos com seus discursos ultrapassados sobre direitos trabalhistas. Por outro lado, a própria inércia do ser humano com sua tendência predominante para a zona de conforto.

Salvo no tempo da escravidão, nunca ouvi falar de alguém que tenha morrido por excesso trabalho. Obviamente, qualquer excesso traz consequências desastrosas para a saúde física e mental, mas caminhar um quilômetro extra não significa duplicar o percurso da maratona.

Dia desses alguém me perguntou se eu nunca fui prejudicado nas oito empresas por onde passei pelo simples fato de não ter recebido horas extras, ter sofrido assédio moral ou ter trocado minhas férias por dinheiro e outros direitos para os quais não dei a mínima importância. Isso é não gostar de mim mesmo?

Claro que não, entretanto, não me lembro de ter trabalhado com a corda no pescoço ou com uma arma apontada para a minha cabeça. Quando você se submete a fazer qualquer coisa que vai além dos seus direitos você é conivente com isso. Ninguém pode dizer que foi obrigado. Sempre existem opções.

No meu caso específico, eu sabia exatamente o que acontecia, aceitei a situação e fui conivente com a realidade. Apesar de tudo o que aconteceu, construí um bom patrimônio, criei meus filhos, viajei bastante e pude conhecer pessoas interessantes. Não passei fome nem frio nem medo. Cresci bastante em termos pessoais e profissionais.

Por tudo isso, eu acho uma tremenda sacanagem alguém dizer que ficou trinta anos numa empresa sendo injustiçado. Por que não saiu de lá antes? A resposta é simples: pura zona de conforto. Nas palavras simples do catarinense morador do Vale do Itajaí, “tá ruim, mas tá bom”.

Deixo aqui uma visão simples sobre o hábito de caminhar um quilômetro extra. Não é necessário perder o sono nem a saúde para fazer um pouco mais do que fazemos. O mundo precisa de pessoas que fazem a diferença, portanto, não importa o sexo, a cultura, a cor e a religião.

Caminhar um quilômetro extra significa:

– Fazer mais do que aquilo para o qual você é pago;

Fazer as coisas com mais sutileza, amor e carinho;

– Oferecer ajuda em qualquer circunstância;

– Importar-se com as pessoas;

Ouvir um pouco mais do que o necessário;

– Realizar mais para contribuir do que ganhar dinheiro;

Ser único naquilo que faz;

– Sorrir, apesar de tudo.

Imagine se o vencedor da maratona começasse a praguejar nos últimos dois quilômetros: – Meu Deus, nunca chega, que saco, que cansaço! O maratonista simplesmente ignora o cansaço e segue em frente. Nas palavras de Mohamed Ali, o maior boxeador de todos os tempos: “treine agora e será um campeão para sempre”.

Pense nisso e seja feliz!

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