Feliz Natal Corporativo

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Todo Natal é assim; luzes, cores e presentes; a paz ressurge do nada, e transforma o ambiente. Todo Natal é assim; tentamos fazer o bem, que durante o ano inteiro, não fizemos a ninguém. Esses versos foram escritos no Natal de 2003 e ainda estão vivos na minha mente. De fato, o mundo se transforma em dezembro e o período natalino tem a incrível capacidade de tornar o ser humano mais dócil, menos ácido, mais solidário, menos sarcástico.

Nessa época eu estava bem – hoje estou bem melhor, é óbvio – e havia atingido praticamente todas as metas do departamento, graças ao trabalho de uma equipe coesa, competente e inesquecível. Além do mais, eu consegui economizar um bom dinheiro durante o ano e estava de viagem marcada para o Peru, onde iria visitar as ruínas de Macchu Picchu e outras maravilhas daquele país com minha esposa, uma experiência realmente gratificante.

Na véspera daquele Natal, nossa equipe trabalhou como nunca para conseguir escoar as dezenas de vagões de aço para o porto, uma demonstração de dedicação total à empresa e também ao atingimento das metas do departamento que deveriam render um bom valor na apuração da PLR (Participação de Lucros e Resultados), no início do ano seguinte. O presente inesperado veio depois do Natal, no ano novo, quando retornei das férias e fui demitido, mas isso não tem a menor importância agora, pois consegui dar a volta por cima e retomar a caminhada.

Quando você depende do emprego, sua vida pessoal acaba em segundo plano e as coisas acontecem de tal forma que, se for possível e a família tiver paciência, quem sabe ainda sobra tempo até para comprar os presentes. O lado profissional sempre fala mais alto para o bem da própria família, uma justificativa utilizada com muita freqüência por aqueles que têm dificuldades para estabelecer limites entre um universo e outro.

Durante muito tempo o discurso rígido do meu pai nos demais meses do ano foi literalmente atropelado pelo clima nostálgico do Natal. Naturalmente, a gente não gosta muito de lembrar, porém é difícil esquecer que a nossa família demorou a conseguir um Natal desprovido das lágrimas paternas que acabavam ofuscando o brilho e a magia de uma data tão significativa como essa.

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Apesar de tudo, desde que me dei conta de que o Natal é importante, todo mês de dezembro eu tinha certeza absoluta de que a corrida pelo dinheiro seria vencida graças ao esforço inegável do meu pai na sua humilde profissão de mecânico e aos joelhos calejados de minha mãe que aguentaram firmes os milhares de orações por uma vida mais digna enquanto esse maravilhoso dia não chegava. Eu nunca me canso de afirmar que ela vai para o céu com tripa e tudo, sem qualquer chamuscada no purgatório. Com toda simplicidade, ela fazia o Natal valer a pena.

Outro ano se foi, um novo Natal acontece e os fatos que mais preocupam as pessoas no momento são o presente do amigo secreto, o peru, o panetone e aqueles benditos brinquedinhos eletrônicos que saturam os nossos olhos e esvaziam os nossos bolsos, mas estão na moda e os filhos querem por que querem para não ficarem atrás dos demais colegas na escola. Nem sabemos ao certo se cabe no orçamento, mas é melhor não contrariá-los.

Eu quase me desmanchei de alegria ao ganhar um triciclo de plástico Bandeirantes da minha madrinha há quarenta anos. Dia desses, conversando com o meu filho mais novo, por pouco não caí duro quando perguntei a ele o que desejava ganhar no Natal: – eu quero um cartão de memória para celular, com dois giga, pai, um giga não dá pra nada. Fiquei sem saber o que dizer.

Apesar de tudo, pai é pai e os tempos são outros. A indignação paterna não adianta e de durão mesmo, a gente só tem a pose. Noutros tempos a gente mandava a cartinha pedindo um monte de coisas caras e impossíveis e acabava ganhando bola de futebol, carrinho de plástico, pipa e bolinhas de gude. E, graças a Deus, uma roupa nova que durava o ano todo, pois era a única boa que a gente guardava com carinho na gaveta para usar durante a missa de domingo. Que coisa fantástica! Isso era a realização de verdade.

Quando a gente está na terceira boa fase da vida as coisas ficam mais tranquilas e aceitáveis. Meu filho caçula já passou da primeira fase, a de acreditar em Papai Noel, e agora está na segunda, a de ignorar o Papai Noel, sem abrir mão do presente, é claro. Creio que só vai tomar consciência novamente da importância do velhinho na terceira fase, quando ele for o Papai Noel dos seus filhos e netos ou na quarta e última fase, bem mais velho, quando ele estiver gordinho, careca e ficar com a cara e o jeito do Papai Noel.

Depois de certa idade a gente briga para ser o Papai Noel. Nunca disse aos meus filhos que Papai Noel não existe, ao contrário, continuo sustentando essa verdade e contrariando os pré-adolescentes e adolescentes estraga-prazeres que adoram encher a cabeça dos irmãos mais novos. Meus filhos riem, mas eu também me divirto e, só de sacanagem, peço para eles escreverem a carta para o velhinho, senão o presente não vem. Eu sei que o Papai Noel existe, vai por mim.

Pense em todas as coisas boas que aconteceram na sua vida durante mais um ano que se vai. Estou certo de que foram mais coisas boas do que ruins e, como diz o ditado, é bem mais saudável aproveitar o que você tem do que passar a vida inteira reclamando do que você não tem. Ainda que o ano não tenha sido dos melhores, você continua vivo, saudável e animado, diferente dos 10% de brasileiros desempregados que talvez não desfrutem de um Natal tão maravilhoso quanto o seu. Como diria Charles Spurgeon, “não se trata de quanto temos, mas de quanto nós desfrutamos”. Isso é o que realmente vale.

Neste Natal faça um esforço para que a convivência com os seus pais, filhos, amigos e colegas de trabalho seja especial, alegre e cheia de vida. Tente abraçá-los de maneira sincera e dizer a eles o quanto eles são importantes para você. Mantenha uma atitude positiva durante toda a vida e lembre-se que o mundo é feito de pessoas especiais, de oportunidades ilimitadas e de liberdade de escolha, portanto, escolha viver um Natal diferente, uma vida diferente e, principalmente, um ano novo mais diferente ainda.

O melhor do Natal é que podemos realizar em um dia ou uma semana, no máximo, o que não fizemos durante o ano todo. Deveria ser diferente, porém, muitas vezes, falta-nos humildade para manter uma postura digna de admiração e respeito na sociedade. É fácil manter o sorriso, difícil é perdoar a si mesmo por todas as besteiras cometidas e as oportunidades desperdiçadas durante o ano, tais como abraçar os amigos, perdoar o filho rebelde, dizer para o colega de trabalho o quanto ele é importante, dizer ao chefe que, apesar de ele ser um cara sacana de vez em quando, você ainda o admira e torce por ele, sem demagogia.

Apesar de o mundo corporativo pregar um discurso diferente, creio ser perfeitamente possível uma convivência pacífica no trabalho, algo que pode ser comprovado durante o Natal. Nesse período, cometemos o desvario de abraçar pessoas e comprar presentes para aqueles com quem não trocamos uma palavra sequer durante o ano pelo fato de que, no Natal, o que nos impulsiona de verdade é o coração e, graças a Deus, o coração é holístico, movido a emoções, portanto, tem ligação direta com Deus.

Qual será o melhor Natal da sua vida? O próximo será sempre o melhor, pois você tem obrigação de crescer e torcer pelos seus filhos, amigos e conhecidos e, principalmente, pelos excluídos que não foram tão privilegiados quanto você na grande estrada da vida.

Pense nisso, faça a parte que lhe cabe e seja feliz!

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