Feliz da organização que aprende

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De acordo com Arie de Geus, ex-vice-presidente da Royal Dutch/Shell, a capacidade de aprender mais rápido do que seus concorrentes pode ser a única vantagem competitiva sustentável das empresas.

De fato, à medida que o mundo torna-se mais interligado e os negócios mais complexos e dinâmicos, o trabalho também precisa ligar-se em profundidade à aprendizagem, sob pena de as empresas não padecerem do mesmo fim dos dinossauros, a extinção, pela simples falta de capacidade de adaptação a um ambiente em permanente reconstrução.

Organização que aprende

O “mito do grande homem” já não existe mais. Quem se fez por si mesmo e, a despeito de todas as dificuldades, contornou os obstáculos e construiu um império sozinho, não consegue mais sustentá-lo sem amealhar pessoas inteligentes, dedicadas e altamente comprometidas ao seu redor.

Não basta mais ter uma única cabeça pensando e aprendendo pela empresa, ou seja, não é mais possível esperar as decisões do comandante e fazer com que todos os outros sigam as ordens do “estrategista principal”.

Em qualquer negócio há uma diferença perceptível entre o empreendedor, o administrador e o técnico. O empreendedor é a mente inquieta, criativa, visionária, que compreende as mudanças do ambiente ao seu redor e tem a noção exata de onde pretende chegar com seu invento, produto ou serviço.

O administrador é a mente lógica e pragmática fundamentada em padrões, cálculos, normas e procedimentos previamente estabelecidos. O técnico, por sua vez, possui a mente voltada para a associação do conceito e da prática mediante a verificação de problemas pontuais, portanto, seu ofício requer uma absoluta correspondência entre criação e administração. Somente quem compreende essa realidade consegue levar um negócio por mais tempo do que o ciclo de vida tradicional das empresas, em torno de quarenta anos.

Faz praticamente vinte anos que o norte-americano Peter Senge, emérito professor do MIT (Massachussetts Institute of Technology), publicou seu clássico A Quinta Disciplina, cujo propósito original era definir os contornos da “organização que aprende”, na qual as pessoas expandem continuamente sua capacidade de criar os resultados que realmente desejam.

Para Senge, as organizações que aprendem são possíveis porque, no fundo, todos somos aprendizes. Não é preciso ensinar uma criança a aprender. Elas são intrinsecamente curiosas, excelentes aprendizes, que aprendem a andar, falar e viver por conta própria. Da mesma forma, as organizações que aprendem são possíveis não apenas porque aprender faz parte da natureza humana, mas também porque adoramos aprender e nascemos com essa virtude.

São poucas as empresas que atingem a idade média de uma pessoa. De acordo com o Relatório Fatores Condicionantes de Mortalidade das Empresas, publicado em 2004 pelo SEBRAE, 60% delas não sobrevivem ao quarto ano de vida. Por experiência própria e conhecimento do assunto, arrisco-me a dizer que mais de 90% não chega a completar uma década.

Em geral, as chances são de 50% de que a massa de trabalhadores formais de hoje vejam a empresa em que trabalham desaparecem ao longo de sua carreira profissional. E na maioria das empresas que desaparecem todos os dias, os indícios prévios da existência de problemas são ignoradas pelos empreendedores e também pelos colaboradores por eles contratados, mesmo quando se tem conhecimento de onde reside o problema.

A maioria das organizações tem dificuldades de aprendizagem, segundo Senge. A forma como são projetadas e gerenciadas, a maneira como os cargos são definidos e – mais importante – o modo como fomos ensinados a pensar e agir, cria deficiências cruciais de aprendizagem. Portanto, independentemente do nível de comprometimento e do número de profissionais brilhantes que a empresa possa ter, geralmente, o inimigo está dentro de casa.

Para muitas empresas e empreendedores, os problemas estão na globalização, nos sindicatos, nas medidas adotadas pelo governo ou na infidelidade dos clientes. Isso não é verdade. A dificuldade de olhar para o “próprio umbigo” é o que torna quase impossível detectar as deficiências e ao mesmo tempo mecanismos de alavancagem e reversão dos problemas que ocorrem internamente, além de aumentar a distância dos problemas que ocorrem fora da empresa.

Feliz da organização que aprende! Na organização do futuro – lembrando que o passado é o futuro ignorado que havia nele – vale a máxima de Charles Darwin com sua teoria sobre a origem e a sobrevivência das espécies: “não é o mais forte da espécie que sobrevive, nem o mais inteligente, mas aquele que se adapta mais rapidamente.”

Para enfrentar problemas complexos e ameaçadores e promover a sustentabilidade dos negócios, as empresas precisam aprender constantemente, pois toda experiência adquirida nunca será suficiente para enfrentar as consequências das nossas decisões equivocadas.

Pense nisso e empreenda mais e melhor!

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