Estrelas solitárias

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Em muitas empresas é possível encontrar essas superestrelas de ego insustentável. Profissionais de todos os tipos, com ou sem diploma, experientes ou não, amigos do patrão e da patroa, recomendados pelo presidente ou pela esposa do presidente, estrelinhas recém-formadas com seus MBA’s de consistência duvidosa, bons de jogo de cintura e ótimos no discurso, principalmente quando há platéia, e outros capazes de administrar o cinismo diante da desgraça alheia fazem parte dessa constelação de superegos travestidos de líderes.

Provavelmente você já teve a oportunidade de conviver com algumas dessas estrelas que receberiam com louvor o título de doutor “son of bitch” por sua impressionante contribuição na geração da discórdia, no exercício da humilhação e na destruição de valiosos talentos do universo corporativo contanto que seu brilho fosse o mais notado pela alta administração.

Você não está livre de encontrar estrelas assim pela frente. Em geral, são estrelas solitárias que aterrissam nos cargos mais cobiçados da empresa a peso de ouro, prontas para cometer desvarios inexplicáveis em nome de uma suposta necessidade de mudança. Infelizmente, muitas delas são produtos da mídia que está sempre em busca de caras novas e polêmicas dispostas a arriscar toda sua reputação em troca de uma autopromoção a qualquer custo.

Em alguns casos, o brilho dessas estrelas dura pouco, mas é suficiente para provocar danos irreparáveis. Em outros, o brilho dura meses, anos ou décadas até que sua real essência seja descoberta, depois de muitos estragos silenciosos na empresa e na carreira de várias estrelas humildes que acabam ceifadas durante a sua infeliz permanência no cargo.

estrelas

Boa parte delas nunca será descoberta, pois é favorecida pela demanda econômica, pelos resultados positivos que encobrem todo tipo de sacanagem e de incompetência, pela exposição direta na mídia, pela intimidação de subordinados e outras atitudes condenáveis que lhe conferem o poder de ser amadas e odiadas ao mesmo tempo.

Outra parte das estrelas é conhecida dos acionistas que, quase sempre, fazem vista grossa para o estilo truculento, pois uma mão-de-ferro traz resultados favoráveis num universo onde o lucro é prioridade, portanto, os fins justificam os meios. Além do mais, a procura é bem maior do que a oferta de empregos e sempre haverá estrelas novas dispostas a pagar o alto preço do brilho no mercado.

Infelizmente, não há como fugir dessas superestrelas que assombram o universo corporativo ainda que você mude de vida, de emprego ou de cidade. Elas estão sempre cruzando o seu caminho e quando você menos espera aparecem para testar sua paciência, sua habilidade em lidar com o desconhecido e, principalmente, sua predisposição para engolir sapos.

Como eu já escrevi em outro artigo, esse tipo de comportamento está presente nas mais diferentes camadas da sociedade moderna, portanto, não seria diferente nas empresas. O mais preocupante, em pleno século XXI, é que essas estrelas ainda conseguem amealhar bajuladores, pois raramente brilham sem eles.

Conhece aquele sujeito especialista em tirar o sono dos colaboradores através de pedidos impraticáveis, ordens e contra-ordens abomináveis apenas para ressaltar quem é que manda e ainda esconder a sua inabilidade em lidar com a essência a liderança? Um dia a clava do destino desce sobre sua cabeça e, segundo Napoleon Hill, autor de A Lei do Triunfo, a clava não é feita de algodão.

Apesar de a convivência com elas ser praticamente inevitável, o lado bom de tudo isso é que se pode aprender muito enquanto elas brilham e mais ainda quando o brilho se apaga. Nenhuma delas resiste à clava do destino. Entretanto, nem sempre a clava consegue remover a empáfia que brota novamente na constelação mais próxima onde elas são acolhidas. Elas perdem o brilho, temporariamente, mas não perdem a pose.

Eu tive a oportunidade de conhecer inúmeras estrelas de falso brilho ao longo da minha vida profissional e, sem demagogia, posso dizer que aprendi muito com essas verdadeiras pop stars corporativas, principalmente o que não fazer em condição semelhante. No mínimo a gente tem boas histórias para contar durante as aulas e palestras à luz da experiência vivida na carne.

A vingança é um objetivo dispensável, porém não dá para esconder a leve satisfação de saber que algumas dessas superestrelas perderam o glamour ao longo do caminho e hoje vivem normalmente sem o brilho do passado. Acredito que algumas até se tornaram mais humildes em virtude dos revezes que a vida lhe proporcionou, pois o tempo e o próprio universo se encarregaram de colocá-las no seu devido lugar.

Todos os dias, em todos os lugares, em todas as empresas, milhares de estrelas brilham e outros milhares se apagam no disputado universo corporativo. Uma parte porque ascende rápido demais, sem experiência, sem humildade, sem formação compatível, sem o mínimo traquejo para lidar com pessoas. Outra parte é vítima desse complicado processo de alcançar o brilho e de sustentar o brilho por esforço próprio e merecimento, algo que se constitui um perigo para quem brilha por meios ilícitos, desonestos e outros indignos do seu merecimento.

Infelizmente, você não pode mudar esse processo, pois, em geral, é vitima dele. Portanto, tomei a liberdade de compartilhar algumas lições que podem ajudá-lo a compreender melhor esse ambiente para que você sofra menos e saiba como se posicionar em situações semelhantes. Espero que sejam úteis e pare de se lamentar com relação a isso, pois, como dizia Emerson, grande pensador americano, “o descontentamento é a falta de confiança em si mesmo”.

Nada é para sempre, exceto o caráter e a fé em si mesmo, portanto, paciência, equilíbrio, discernimento e postura profissional são fundamentais para enfrentar qualquer situação;

Ninguém pode feri-lo sem o seu consentimento, principalmente quando você tem o hábito de fazer mais do que o necessário e de contribuir com o melhor de si;

Como diz o ditado, a melhor maneira de ganhar uma discussão é evitá-la, portanto, desarme o seu espírito diante dos fatos; o humor das estrelas varia de acordo com o próprio brilho e, obviamente, elas não brilham o tempo todo;

Faça o seu próprio caminho e nunca dependa de outras estrelas para brilhar; é fato que algumas serão importantes na sua vida, mas é fato também que o brilho é muito mais digno quando advém do seu próprio esforço;

Quando você estiver no topo e se tornar a estrela principal, lembre-se de que o brilho é aparente, mas a sua condição interior – caráter e humildade – é o que o tornará uma estrela duradoura.

Pense nisso e seja feliz!

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Comente

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *