Energia ou experiência?

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Há um dilema que ainda persiste na maioria das organizações, em razão da competitividade avassaladora que tomou conta da economia mundial: apostar as últimas fichas na experiência dos mais velhos ou apostar novas fichas na energia e no ímpeto dos mais novos?

Apesar de se tratar de uma questão meramente subjetiva, considerando que a inteligência não tem idade e o esforço é uma característica muito particular, o mundo corporativo está recheado de exemplos de sucesso e insucesso em ambos os lados. Entretanto, a pressão exercida pelo mercado faz as empresas optarem cada vez mais pela energia dos mais novos como a “salvação da lavoura”.

Em termos de produtividade, executivos e profissionais mais novos em geral são mais arrojados, menos hesitantes, pelo simples fato de ter que mostrar trabalho para conquistar o seu espaço, além de concorrer de igual para igual com os mais experientes. Por conta disso, é comum vê-los atropelar quem estiver pela frente ainda que isso lhe custe mais adiante o cargo. Em termos de liderança, salvo raras exceções, os mais novos ainda têm muito que aprender.

Naturalmente, no auge da sua impetuosidade juvenil, qualquer recém-formado se sente capaz de revolucionar o mundo; portanto, a mínima possibilidade de crescimento é suficiente para uma boa discussão. Se por um lado há energia de sobra, por outro falta equilíbrio e visão de longo prazo. Na prática, é impossível atropelar as fases da vida profissional.

De qualquer maneira, os mais novos precisam ganhar terreno, o que demanda uma postura mais agressiva e interessada, por assim dizer. A observação pura e simples dos fatos me diz que, a despeito da boa vontade e da energia canalizada unicamente para resultados, eles acabam atropelando o bom-senso, na maioria das vezes. Contudo, não se pode ignorar o fato de que a força dos mais novos traduz a impressão, por ora equivocada, de que os mais experientes precisam ser substituídos para “oxigenar” a empresa.

Em geral, apesar do esforço da gerência sênior para manter o respeito entre dois profissionais tão distintos, o conflito é apenas uma questão de tempo, motivo pelo qual devemos explorar o segundo grande dilema dos acionistas e donos de empresas: o que fazer nesse caso? Aproveitar a experiência dos mais velhos ou apostar na impetuosidade dos mais novos? Dar uma nova oportunidade para os mais antigos, os quais se mantiveram fiéis nos momentos mais difíceis, ou simplesmente esquecer que eles existem, considerando que os tempos mudaram?

Antes de responder a essa questão, vale destacar a experiência japonesa sobre o assunto. É sabido que no Japão dificilmente um profissional assume cargos de liderança antes dos 40 ou 50 anos e um presidente de empresa, antes dos 60 anos. O respeito pela sabedoria dos profissionais mais experientes faz parte da cultura milenar japonesa.

energia

Por essas e outras razões, o estilo japonês de produção – organizado, sistemático e planejado – faz com que os principais bens produzidos naquele país – carros, aparelhos eletro-eletrônicos e motos – sejam admirados no mundo todo.

Esse fato contraria muitas teorias que conspiram a favor da renovação do quadro de profissionais com base na idade. Tal constatação também demonstra que a construção do aprendizado leva tempo, porém culmina com uma virtude essencial no mundo dos negócios, a experiência, que fez do Japão uma das economias mais prósperas do planeta.

Tenho acompanhado esse dilema com frequência nas empresas, o que me permite compartilhar a experiência pessoal com algumas lições que considero fundamentais para extrair o melhor da situação:

Entre a energia e a experiência, fique com os dois. Mesclar energia e experiência é um grande desafio para os gestores e, ao mesmo tempo, uma excelente maneira de aproveitar o máximo das potencialidades de profissionais extremamente producentes em fases distintas da vida;

Não estimule a concorrência desleal. Colocar alguém para fazer sombra para os mais experientes (ou mais velhos, na prática) é uma atitude deselegante, soa desrespeito e falta de consideração pelo profissional que, às vezes, precisa de um simples reposicionamento. Seja honesto e direto com ele e o efeito será mais benéfico.

Cada um no seu quadrado. Não tente sugar a energia que os profissionais mais experientes já não apresentam; tampouco exigir dos mais novos a experiência que eles ainda não têm. Com um pouco de habilidade, metas e objetivos bem definidos, além do diálogo aberto entre as partes, será possível extrair o melhor de cada um e estimular a convivência pacífica entre eles.

Por fim, lembre-se: o tempo não dá saltos. As fases da vida profissional são diferentes e o ciclo de vida das empresas alterna o tempo todo entre fracasso, mudança e sucesso, independentemente do esforço e da idade dos profissionais por ela contratados. O profissional inescrupuloso que hoje dispensa outros, baseado exclusivamente no critério da idade, amanhã será dispensado também, geralmente pelo mesmo motivo, para o bem da empresa e para o seu próprio bem.

Pense nisso e seja feliz!

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