Empresa não é mãe

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Conheço essa máxima há mais de dez anos, quando tive a felicidade de ser aluno da Professora Maria Aparecida Rheins Schirato, autora do livro O Feitiço das Organizações e professora da USP. Ela repetia isso com frequência.

Como lembrava a própria mestra na época, mãe não demite filhos nem promove a competição dentro de casa. Mãe ama, cuida, ensina, sofre junto e, se necessário, deixa de comer para não ver os filhos passarem fome.

Por outro lado, a maioria das pessoas continua trabalhando como se as empresas tivessem a obrigação de realizar todos os seus desejos e atender todas as suas necessidades, de ordem pessoal e profissional. Ainda é comum se ouvir nos bastidores: – essa empresa é uma mãe para mim!

empresa

De onde vem toda essa carência dos empregados? De certa forma, da própria carência do ser humano acostumado a uma zona de conforto. Na prática, trabalhar dá muito trabalho, principalmente, quando os objetivos pessoais estão desalinhados com os objetivos da empresa.

Ao fim do século XIX, o fenômeno da Revolução Industrial mudou a nossa forma de executar o trabalho, de maneira radical, e tornou-se um marco decisivo no processo de desenvolvimento humano.

O historiador Edward Palmer Thompson chegou a afirmar que o trabalhador inglês médio tornou-se mais disciplinado, mais sujeito ao tempo produtivo do relógio, mais reservado e metódico, menos espontâneo e menos violento.

Dessa forma, a Revolução Industrial criou uma nova maneira de arranjo social, de sobrevivência e de conduta humana. O trabalho já não era mais o mesmo e um novo conceito começava a ganhar forma: o emprego.

Com o emprego, a maioria foi deixando de lado a sua competência predominante desde os tempos mais remotos: a de sobreviver por conta própria e risco. Se tivesse vivido após a Revolução, Richard Cantillon, economista irlandês, diria que o ser humano perdeu a sua incrível capacidade de empreender.

Antes disso, as pessoas não tinham empregos no sentido fixo e unitário. Havia, contudo, uma forma corrente e mutante de tarefas de modo que os empregos, no mundo pré-industrial, eram essencialmente atividades. A transição para os empregos, como conhecemos hoje, foi lenta e gradual e ocorreu em diferentes tempos e lugares.

De acordo com a mestra Maria Schirato, as empresas se constituem um mundo de intenções e de promessas, onde a magia do crachá proporciona uma pseudo-segurança com uma moeda de troca conhecida: dinheiro X trabalho duro, fidelidade e alguns benefícios.

O que não é conhecido são os limites e as tolerâncias da relação. Quando isso não está claro, as pessoas tendem a confundir o ambiente de trabalho com o com o ambiente da empresa e se sentem parte de uma família.

Quanto mais desalinhadas estiverem as pessoas com os objetivos, as metas e os valores da organização, maior a dependência e o sofrimento. Em vários casos de demissão, a perda dos benefícios, do sobrenome da empresa e do crachá significa para muitos a perda da própria dignidade.

O que falta para muitas empresas, principalmente, nas públicas e nas de origem familiar, é o esclarecimento das expectativas. Empregados que não entendem essa relação de profissionalismo, quando perdem o emprego, se tornam órfãos magoados que nunca vão aceitar o fato de terem sido demitidos pela sua própria mãe.

Pense nisso e empreenda mais e melhor!

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Comente

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *