Emprego trampolim

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Você já encontrou o emprego dos seus sonhos? A empresa em que você trabalha proporciona chances de crescimento? O seu emprego atual é definitivo ou você está nele até encontrar alguma coisa melhor? Você acorda toda segunda-feira já pensando na sexta? Você fica contando as horas e os minutos que faltam para se mandar do trabalho todos os dias? O único motivo pelo qual você ainda está no emprego é aquela bendita estabilidade? Você não vê a hora de passar num concurso público e mandar o chefe para aquele lugar? O que você faz proporciona o mínimo de alegria e satisfação?

Durante determinada fase da vida, muitas pessoas adotam a política que se pode chamar de “emprego trampolim”. O fato é que o tempo passa e consolida uma legião de profissionais que, mesmo depois de dez ou vinte anos de trabalho, continua tentando encontrar um lugar ao sol, motivo pelo qual ainda conserva na mente a política do emprego trampolim e segue sofrendo enquanto não encontra algo melhor para fazer.

Nas minhas andanças pelas empresas é comum encontram profissionais desmotivados, apesar de qualificados. Quando pergunto a eles por que não tomam uma atitude e tentam algo novo, as justificativas estão na ponta da língua e são as mais variadas possíveis: falta apenas dez anos para aposentar, minha esposa não entenderia, tenho dois filhos casados e desempregados, depois que os meus filhos se formarem, quando eu criar coragem e assim por diante.

Com o advento da globalização e a entrada da famigerada Geração Y no mercado de trabalho, essa prática tornou-se ainda mais comum. Diferente da geração tradicional e dos chamados baby boomers, parte da Geração X e quase a totalidade da Geração Y acostumou-se a mudar de emprego com mais frequência na esperança de obter uma ascensão profissional e salarial meteórica.

O tempo médio de trabalho dos profissionais de hoje gira em torno de 5 a 10 anos, no máximo, diferente dos nossos pais e avós que conseguiram a proeza de trabalhar em torno de 25 a 40 anos na mesma empresa, com direito a relógio de pulso folhado a ouro, placas comemorativas, aperto de mão do presidente, festa de despedida e uma vida coroada de muito orgulho. Para eles, o trabalho fazia mais sentido. Meu pai ficou 30 anos na mesma empresa e o fato de ter não alcançado um cargo de maior importância não diminuiu um milímetro o orgulho de ter trabalhado numa das maiores empresas do país.

A geração atual alimenta pouco orgulho da organização em que trabalha e qualquer tempo superior a cinco anos na mesmo emprego pode ser considerado uma anormalidade. Aliado a isso, boa parte dela muda constante de emprego por conta de cem ou duzentos reais a mais desde que as perspectivas de crescimento sejam melhores e mais aceleradas. “Eu quero ser diretor antes dos 25, teacher, custe o que custar”, disse-me um aluno há pouco tempo. Boa sorte – repliquei, com uma vontade imensa de complementar: que Deus te ajude, garoto!

emprego

É natural que o ser humano deseje o melhor para si mesmo dia após dia, independentemente da formação educacional, da cor, do sexo ou da religião. É natural também que as pessoas mudem quantas vezes for necessário na esperança de encontrar a profissão e o trabalho mais adequados ao seu estilo de vida e de pensamento. É importante que as novas gerações tenham consciência de que, quanto mais cedo o ser humano encontra a sua verdadeira vocação, menor a dor e maior a chance de realização pessoal e profissional.

Apesar disso, existem certas práticas que não podem ser toleradas no mercado atual de trabalho para o bem das empresas e dos profissionais. Penso que o espírito imediatista (materialista) que tomou conta da geração atual e o desprezo por certas regras e convenções não dizem respeito à geração em que se encontram nem aos avanços da chamada pós-modernidade. Essas práticas têm a ver com princípios, valores e virtudes.

Por essa razão, empresas e profissionais devem repensar a convivência a fim de proporcionar mais orgulho, satisfação no trabalho e espírito de equipe bem como extrair mais comprometimento, mais empenho, mais resultados e, acima de tudo, a reciprocidade tão sonhada por ambas as partes. Isso nunca será possível se as empresas continuarem tratando os empregados como simples números e, por sua vez, se os empregados continuarem imaginando que o emprego atual é apenas um trampolim para o próximo.

Para fundamentar o conceito do “emprego trampolim”, deixo aqui uma série de observações registradas ao longo de mais de trinta anos de carreira que exemplificam bem as características e atitudes de quem adota essa prática. Isso pode dar certo até uma determinada fase da sua vida, entretanto, você nunca será feliz enquanto não descobrir e tratar a fonte da sua insatisfação permanente no trabalho. E adivinhe: não é o seu salário.

Você muda frequentemente de emprego para melhorar de cargo e de renda, mas está sempre pensando no próximo;

Quando o salário é razoável, você acha que o ambiente não presta, o chefe é incompetente e o patrão está enriquecendo às suas custas;

Você levanta toda segunda-feira já pensando na sexta; quando chega sexta-feira, você é convocado para trabalhar no fim-de-semana e, então, você quer morrer;

Você só faz aquilo que lhe mandam ou nada além do que lhe mandam porque não ganha o mesmo salário que o colega ao lado;

Você só estuda se a empresa pagar metade do curso, afinal, você está fazendo isso para melhorar o seu desempenho no cargo e o resultado da empresa;

Você não levanta uma questão nas reuniões onde as manifestações são livres, porém, desce a lenha no chefe e na empresa facilmente pelos corredores;

Pelo fato de ser formado em universidade de primeira linha, ter feito MBA no exterior e falar inglês fluente, você pensa que merece um cargo de diretor o mais breve possível, senão vai pedir a conta;

Por fim, você diz para todo mundo que só está na empresa porque ainda não encontrou emprego melhor, mas isso é apenas uma questão de tempo.

Pense nisso, procure agir diferente e seja feliz!

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Comente

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *