De volta ao interior

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Até a década de 1940, o Brasil era praticamente uma sociedade rural. Naquela época, a população do girava em torno de 40 milhões de habitantes e sete, em cada dez brasileiros, moravam ou estavam relacionados, de alguma maneira, com atividades ditas agrícolas.

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Sessenta anos depois, o Censo Demográfico de 2000 demonstrou que a relação se inverteu, ou seja, cerca de 80% dos 170 milhões de brasileiros viviam em cidades. Desse total, 70 milhões aglomeravam-se em 22 regiões metropolitanas, sujeitos a todas as causas e consequências negativas proporcionadas pelo êxtase demográfico.

O acesso precário aos serviços de saúde, a ausência de vagas nas escolas, a falta de moradias, a precariedade do sistema de saneamento básico, a poluição, o trânsito pesado, o desemprego, a violência e a hostilidade da vizinhança passaram a fazer parte de quem trocou a pacata e monótona vida no campo por uma remota chance de prosperidade em meio ao caos das grandes cidades.

Essa cultura de insatisfação, o advento das novas tecnologias, o acirramento da competição no mercado de trabalho e a mudança no cenário político brasileiro no início do novo século são suficientes para explicar algumas mudanças representativas no fluxo de pessoas de norte a sul do Brasil.

A primeira diz respeito à classe média que, pressionada pela concorrência desajustada do inchaço urbano, ressuscitou a possibilidade de conseguir empregos tão bem remunerados quanto os disponíveis nas grandes capitais e, aparentemente, com melhor qualidade de vida.

Cidades do interior paulista com população entre 100 mil a 500 mil habitantes são ótimos exemplos a serem citados. Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, São José dos Campos e São José do Rio Preto não param de atrair famílias inteiras dos grandes centros urbanos em busca de novas oportunidades.

De acordo com estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 2008, a fuga das capitais é apontada como um fenômeno nacional. Entre 2000 e 2007, as cidades médias do Sudeste, do Centro-Oeste e do Norte cresceram bem mais que as pequenas – com menos de 100 mil habitantes – e as grandes – com mais de 500 mil. Isso demonstra o fato de que, quando a economia de uma cidade cresce, o fluxo de pessoas em busca de oportunidades também.

A segunda mudança diz respeito ao fim do fluxo de nordestinos para as demais regiões, com predomínio para a Região Sudeste, agravado pela falta de oportunidades de trabalho para a mão-de-obra menos qualificada e também pelo elevado custo de vida nas grandes cidades. A ideia fixa de que o sul é uma terra farta já não é mais consenso entre os nordestinos, razão pela os migrantes já começam a fazer o caminho de volta.

O fato é que, desde 2000, a economia nordestina vem crescendo acima da média nacional, beneficiado pelo aumento do salário mínimo, das aposentadorias e por programas sociais de transferência de renda, tais como o Bolsa Família. Some-se a isso o aparelhamento tecnológico das grandes cidades do interior goiano, paranaense e paulista que proporciona recordes seguidos de produtividade na agricultura.

O maior desafio do Estado é permitir que o cidadão se desenvolva e prospere onde quer que ele viva. Segundo o IPEA, o Brasil possui em torno de 240 cidades médias, com população entre 100 mil e 500 mil habitantes, um universo econômico considerável a ser aproveitado.

Assim sendo, as cidades médias se constituem locais privilegiados pela oferta de serviços qualificados e bem-estar, pois desempenham um papel de núcleo estratégico da rede urbana no país. Além do mais, elas representam elos importantes de ligação entre os espaços urbano e regional. Para felicidade geral da nação, o futuro do Brasil passa pelo interior.

E então, que tal empreender no interior?

 

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