Entrevista com Jerônimo Mendes para o Portal Venda Mais

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“Inicie cada dia como se fosse o primeiro e não tenha medo de inovar. O mercado irá testá-lo diariamente, portanto, não se descuide da gestão. Abrir um negócio por conta própria é fácil, fazê-lo prosperar é um desafio. E lembre-se: ?A felicidade é um fluxo de caixa positivo?, como dizia Jeffry Timmons, especialista em empreendedorismo. O número de empresas que não passam do primeiro ano ainda é alto, portanto, todo cuidado é pouco.”

Vamos começar falando do seu livro Manual do empreendedor. Qual é a principal ideia ou conceito que você defende nele?

O tema central é o seguinte: todo homem é um empreendedor de si mesmo, entretanto, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional continua sendo o seu maior desafio. Empreender é uma arte que transcende a lógica do mercado, porém, de nada adianta ter sucesso nos negócios e não ter sucesso na família. Não abro mão disso.

Quem você acha que deveria ler seu livro? Que tipo de conselhos ou conhecimentos esse leitor estaria procurando?

Pessoas que desejam entender o processo empreendedor desde o início. Conselhos práticos de como começar, o que fazer quando o negócio decolar e como mantê-lo depois de consolidado.

Por outro lado, quem você acha que NÃO deveria ler seu livro? O que as pessoas não irão encontrar nele?

Pessoas que buscam fórmulas mágicas para prosperar no mundo dos negócios. Quem ler o livro não vai encontrar os segredos para o sucesso. O segredo é que não existe segredo; somente o trabalho duro, consistente e perseverante proporcionará resultados positivos.

Assim que uma pessoa termina de ler seu livro, qual deve ser a primeira coisa a fazer ou colocar em prática?

Deveria pensar seriamente na estratégia do negócio, começando pelas três perguntas básicas do planejamento: 1) Em que negócio você está? 2) O que você realmente vende? 3) Qual é o seu público-alvo? Por fim, ainda deveria buscar a resposta para a seguinte questão: qual é o seu diferencial competitivo?

Além do seu próprio site (www.jeronimomendes.com.br), que outros endereços da área você recomenda para quem quer se aprofundar no assunto?

Existem diversos sites que tratam do assunto. Recomendo os mais tradicionais:

www.josedornelas.com.br
www.planodenegocio.com.br
www.empreendedor.com.br
http://revistapegn.globo.com

Quais são seus livros de negócios ou autores preferidos?

A arte do começo, de Guy Kawasaki; A bíblia de vendas, de Jeffrey Gitomer; A quinta disciplina, de Peter Senge; Feitas para durar, de James Collins; Meu jeito de fazer negócio, de Anita Roddick; O poder da inovação, de Luiz Serafim; O homem mais rico da Babilônia, de George Clason; Posicionamento: a batalha por sua mente, de Jack Trout e Al Ries.

Como você começou sua carreira de consultor?

Depois de ser demitido de uma grande empresa nacional, comecei a transformar a experiência de 30 anos de mercado em processo de consultoria. Imaginei que minha experiência deveria valer alguma coisa e isso foi essencial para ter confiança na atividade. Comecei a ganhar dinheiro com liberdade de horário para trabalhar e isso foi determinante. Aprendi a conviver com os altos e baixos da renda, mas depois que se aprende, não se quer mais voltar.

Qual foi a sua consultoria mais memorável, a que mais lhe marcou?

Meu primeiro trabalho como consultor foi um desafio que impulsionou a minha carreira na área de consultoria. Era um projeto de reestruturação de uma empresa de médio porte com quatro sócios, cada um pensando de um jeito; foi um desafio e tanto, mas valeu a pena. Hoje a empresa está bem, deu a volta por cima, cresceu muito. Aprendi bastante e entendi que somente a experiência não basta para mudar uma empresa. É necessário muito jogo de cintura para sobreviver a quatro sócios que não se entendem.

E qual foi o seu pior momento como consultor?

Tive bons e maus momentos, mas todos contribuíram para o meu crescimento tanto no lado pessoal como profissional. Não tive piores momentos, apenas momentos de pouco sucesso e outros de muito sucesso. Todos os momentos são válidos. Procuro encarar os fatos sempre como um novo aprendizado.

Qual foi a situação mais desastrosa ou engraçada que já aconteceu em uma de suas consultorias?

Em meu primeiro trabalho, eu estava negociando com um cliente e fomos interrompidos por um telefonema. No meio da ligação, o amigo do cliente deve ter perguntado algo do tipo: “E você, o que anda fazendo?”. Sem a menor cerimônia, o cliente retrucou: “Neste momento, estou aqui na frente de um consultor que quer tomar o meu dinheiro para me dizer o que eu já sei, mas não tenho coragem de fazer”. Na hora eu fiquei meio chateado e esbocei um sorriso meio sem graça. Com o tempo aprendi a rir do fato.

Que grande conselho ou dica você daria para alguém que está começando a empreender?

Estude o negócio detalhadamente, dedique-se com todas as suas forças, cerque-se de gente competente, não tenha vergonha de perguntar nem de pedir, não seja orgulhoso. Empreender é uma arte que exige muito mais do que conhecimento de negócio. Exige paixão, dedicação, persistência e muito suor. Qualquer negócio é viável quando realizado com um mínimo de planejamento.

E para um veterano?

Inicie cada dia como se fosse o primeiro e não tenha medo de inovar. O mercado irá testá-lo diariamente, portanto, não se descuide da gestão. Abrir um negócio por conta própria é fácil, fazê-lo prosperar é um desafio. E lembre-se: “A felicidade é um fluxo de caixa positivo”, como dizia Jeffry Timmons, especialista em empreendedorismo. O número de empresas que não passam do primeiro ano ainda é alto, portanto, todo cuidado é pouco.

Qual é o erro mais comum que você vê empreendedores cometendo? Que sugestões você daria para que melhorassem?

Descuidar-se da gestão, principalmente no que diz respeito ao controle dos resultados. Os resultados devem ser avaliados diariamente e, se não estiverem bons, o empreendedor não pode sossegar enquanto não conseguir o equilíbrio necessário para manter o negócio em ordem, principalmente em períodos de turbulência econômica.

O que você acha que os empreendedores deveriam PARAR de fazer?

Cunhei uma frase que procuro difundir com frequência: quanto mais operacional você for, menos estratégico você será. Uma das maiores dificuldades para os empreendedores de pequeno e médio porte é livrar-se das questões operacionais. Quando aprender a delegar e confiar mais nas pessoas, certamente terá mais tempo para se dedicar às coisas que são essenciais para o negócio.

Ainda sobre liderança: o que você acha que os empreendedores fazem pouco e deveriam fazer mais?

Gestão, gestão e mais gestão, pensar estrategicamente, delegar mais, pensar mais no negócio, confiar mais nas pessoas. O segredo de Steve Jobs, Bill Gates, Marcel Telles e Eike Batista foi e sempre será não se descuidar da gestão e cercar-se de pessoas competentes.

Qual foi o melhor conselho de empreendedorismo que você já recebeu?

Está no livro Feitas para durar. Vale a pena pensar sobre isso: 1) Criar a empresa é a decisão mais importante; 2) Esperar por uma boa ideia pode ser uma péssima ideia; 3) A maioria dos empreendedores são péssimos líderes, mas excelentes realizadores.

Por outro lado, qual “dica” você vê com frequência que acha estar errada? Coisas que os outros dizem, com as quais você não concorda.

“Você só consegue um bom negócio se tiver um ótimo plano de negócio”. Isso é verdadeiro até certo ponto. A maioria dos empreendedores nunca fez um plano de negócio, mas a vontade de prosperar e a dedicação foram fundamentais para o sucesso. Não significa que o plano de negócio não seja importante, mas não é determinante.

Gostaria de deixar um último recado aos nossos leitores?

Se dependesse de mim, seríamos todos empreendedores legítimos. Foi assim até pouco antes da Revolução Industrial, mas aos poucos o homem foi sendo confinado. O empreendedorismo está dentro de nós, somos todos criativos, portanto temos o direito de tentar.

Fonte: http://www.vendamais.com.br

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