Com a palavra, Steve Jobs

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Em 24 de agosto de 2011, Steve Jobs renunciou ao cargo de CEO da Apple, por conta de problemas de saúde. Aos 55 anos de idade, Jobs era considerado, por muitos analistas norteamericanos, o maior empreendedor de todos os tempos, indiscutivelmente.

“Eu sempre disse que se acontecesse de um dia eu não satisfazer mais os deveres e expectativas como CEO da Apple, eu seria o primeiro a informar isso. Infelizmente, esse dia chegou”, afirmou Jobs na carta em que renuncia ao cargo de principal executivo da empresa.

Para quem se considerava “um sujeito que provavelmente teria sido apenas um poeta semitalentoso do Quartier Latin, mas meio que se desviou do caminho”, pode-se dizer que a história premiou o talento, a persistência e a vontade de superar os mais indignos obstáculos.

Sua mãe biológica, uma jovem estudante universitária e solteira, decidiu oferecê-lo em adoção. Ela fazia questão que os pais adotivos tivessem curso superior e, antes mesmo de nascer, ficou acertado para que ele fosse adotado por um advogado e sua esposa. O fato é que eles queriam uma menina.

Os pais adotivos, Paul e Clara Jobs, há anos na fila de espera, receberam uma ligação no meio da noite: – Temos aqui um bebê , menino, que os pais querem doar; vocês aceitam adotá-lo? Claro que sim – respondeu o casal. Assim Steve Jobs ganhou a sua nova família.

Logo depois, a mãe biológica de Jobs descobriu que a mãe adotiva não era formada e o pai sequer tinha o colegial. Ela se recusou a assinar os papéis finais da adoção e só concordou alguns meses mais tarde, quando eles se comprometeram perante a justiça que, algum dia, Jobs iria para a faculdade.

De fato, dezessete anos mais tarde, Steve Jobs entrou para a faculdade, porém, empolgado com as possibilidades do ensino superior de primeiro nível, ele escolheu uma instituição tão cara quanto a Universidade de Stanford. Quase toda a poupança da família, de classe média operária, estava sendo canalizada para pagar seus estudos.

Seis meses depois de concluir as primeiras disciplinas, Jobs não via muito sentido nisso nem fazia a mínima ideia do que queria fazer da vida, muito menos de como a faculdade poderia a ajudá-lo a encontrar o caminho. Ele sabia apenas que estava sacrificando a família e gastando todo o dinheiro que os pais haviam economizado durante dezessete anos.

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Embora fosse bastante assustador na época, Jobs decidiu desistir da faculdade e, segundo ele, passou a confiar que tudo iria dar certo. “Foi uma das melhores decisões que tomei na vida”, afirmou mais tarde. Quando desistiu, pode parar de assistir as aulas obrigatórias e, como bom ouvinte, passou a frequentar somente as que lhe interessavam.

Com a desistência, a vida de Jobs tornou-se mais difícil. O romantismo do Reed College, em Portand, acabou. Jobs não tinha mais quarto para dormir, então, dormia no chão do quarto de amigos. Nas horas de folga, recolhia garrafas de coca-cola e devolvia, o que lhe rendia cinco centavos por garrafa. Com isso, comprava comida.

Aos domingos, Jobs andava em torno de onze quilômetros atravessando a cidade para conseguir a sua única refeição decente da semana, no templo do Hare Krishna. Apesar do sacrifício, ele adorava tudo isso. “Muitas das coisas com as quais tropeçou ao seguir sua curiosidade e intuição se revelaram inestimáveis mais tarde”, revelou mais tarde.

Como não estudava integralmente, Jobs participava das palestras de produtos eletrônicos da HP, onde arranjou emprego tempos depois e encontrou Stephen Wozniak, egresso da Universidade da Califórnia. Wozniak era um jovem gênio da engenharia que gostava de inventar dispositivos eletrônicos.

Jobs e Wosniak compareciam regularmente às reuniões do Homebrew Computer Club (Clube do Computador feito em Casa). Os associados eram na maioria tecnófilos, interessados em diodos, transistores e ainda nos dispositivos eletrônicos que poderiam construir com isto.

Segundo Daniel Goleman, Jobs era diferente. Ele sabia avaliar o estilo, a utilidade e a capacidade de colocação no mercado. Jobs convenceu Wozniak a trabalharem juntos para a concepção de um computador pessoal. Assim nasceu o Apple I, o qual foi projetado no quarto de Jobs e o protótipo construído na garagem da casa de seus pais.

Ao seguir os conselhos úteis de um aposentado da Intel, Jobs e Wozniak fundaram a sua própria empresa. Para viabilizar o projeto, ambos venderam os seus bens mais preciosos na época. Jobs vendeu a sua Kombi VW e Wozniak a sua calculadora HP. Com os US$ 1300 que arrecadaram, os dois iniciaram a Apple. Jobs, aos vinte anos de idade, e Wozniak, aos vinte e seis.

Em menos de dez anos, a Apple havia deixado de ser apenas os dois numa garagem para se tornar uma empresa de dois bilhões de dólares, com mais de 4.000 funcionários. Um ano depois de lançar a sua melhor criação – o Macintosh –, Steve Jobs completava trinta anos de idade e, então, foi despedido da Apple, por divergências internas com a equipe de comando.

Durante os cinco anos seguintes, Jobs fundou a NeXT e, logo depois, a Pixar, que ceoncebeu o primeiro desenho animado do mundo feito apenas em computador – Toy Story. A Pixar é hoje o estúdio de animação mais bem-sucedido do mundo.

Numa impressionante reviravolta, a Apple comprou a NeXT e, em menos de dez anos, Jobs voltou para a empresa que ele mesmo ajudou a fundar, para alegria dos “applemaníacos” e o bem da companhia.“Nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido despedido da Apple. Foi um remédio amargo, mas acho que o paciente precisa dele”, diria mais tarde.

Desde que foi adotado, em fevereiro de 1955, Jobs tinha muitos motivos para se tornar uma pessoa rebelde e desviar-se do caminho que os pais adotivos haviam traçado para ele, depois de se comprometer perante a justiça, com a sua educação formal de primeiro nível.

Muitos livros já foram escritos sobre Steve Jobs e a história da Apple. Cada autor tem a sua própria versão sobre os fatos. Não sou diferente nesse aspecto. Admirar as pessoas que superam os grandes desafios na vida é altamente motivador e importante para entender que não somos os únicos com dificuldades.

Eu tive a oportunidade e a felicidade conhecer a sede mundial da Apple em Cupertino, no início desse ano, com um grupo de amigos. Ali pude testemunhar o espírito de Jobs e sentir a energia irradiada por quem ama aquilo que faz.

Por essas e outras razões, sinto-me à vontade para falar e escrever a respeito do assunto. O fato de ele ter sido diagnosticado com câncer no pâncreas não muda a visão que o mundo tem sobre ele, muito menos a minha. Tenho certeza de que o fato de Apple ter sido considerada uma das empresas mais valiosas do mundo significa muito mais para Jobs do que o dinheiro que ela representa.

O que podemos extrair de tudo isso? Concedo a palavra ao próprio Steve Jobs agora. Sua história de vida e seu discurso falam por si só. O importante não é o que lhe acontece na vida, mas o que você faz com o que lhe acontece. Pense nisso e seja feliz!

Com a palavra, Steve Jobs:

• “Eu tive sorte – descobri o que gostava de fazer cedo na vida. Estou convencido de que a única coisa que me manteve seguindo em frente foi o fato de eu amar o que fazia. Você precisa descobrir o que você ama.

• Se o trabalho vai preencher uma grande parte da sua vida, o único jeito de ficar satisfeito é fazer o que você julga ser um trabalho excelente. E o único jeito de fazer um trabalho excelente é amar o que você faz.

• A morte é o destino que todos compartilhamos. Nunca ninguém escapou dela. É o agente de mudança da vida. Tira da frente o velho para dar lugar ao novo.

• Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que conheço de evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir o seu coração.

• Se hoje fosse o último dia da minha vida, eu iria querer fazer o que estou prestes a fazer hoje? E toda vez que a resposta é “não” por um número seguido de dias, eu sei que preciso mudar alguma coisa.

Seu tempo é limitado, portanto, não o desperdice vivendo a vida de outra pessoa. Não deixe que o ruído das opiniões alheias sufoque a sua voz interior. E, o mais importante, tenha a coragem de seguir o seu coração e a sua intuição. Eles, de algum modo, já sabem no que você quer de fato se tornar. Todo o resto é secundário.

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