Por que seu chefe não dá a mínima para o que você diz?

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O que será dito a partir de agora vale para muitos chefes, gerentes, diretores ou donos de empresas, principalmente de empresas familiares, e é motivo frequente de reclamação, e bastante frustração, para a maioria dos profissionais, em todos os lugares por onde ando.

Será que o seu patrão ou o seu chefe é medroso, prepotente, surdo, ignorante – no sentido literal da palavra, ou não está nem aí com você? Por que, apesar de tudo o que você aprendeu na escola – faculdade, universidade ou mesmo no curso técnico –, as coisas que você diz parecem não fazer o menor sentido para ele?

E por que você, filho querido, mesmo tendo estudado na melhor universidade do país, não consegue convencer o seu pai de que as coisas não são bem assim como ele acha que são? Por que seu pai permanece teimoso quando você mostra a ele exatamente o que é necessário fazer para a empresa da família sair da mesmice em que se encontra?

Não, seu chefe nem seu patrão, muito menos seu pai, são ignorantes, prepotentes, medrosos ou mesmo surdos. Definitivamente não! Aqui entre nós, há quem se enquadre nisso, mas uma minoria se salva. Há algo nesse jogo que precisa ser avaliado com mais atenção e profundidade.

De fato, existe aqui um misto de desconfiança, ignorância, insegurança, orgulho, prepotência e até mesmo de competição entre os dois lados da moeda. Chegar ao topo é mais fácil do que livrar-se dos fantasmas que rondam a cabeça do seu chefe, do seu pai ou do seu patrão, o qual começou do zero, mas tem medo de perder o pouco que conseguiu.

Como é que alguém com um cursinho de quatro anos vai conseguir ensinar algo que levei trinta anos para aprender? Essa molecada sai da faculdade cheia de teoria e acha que já sabe ensinar o padre a rezar a missa. Tudo é permitido, desde que seja do jeito que eu quero. Não é isso que se costuma ouvir quando alguém levanta uma ideia de melhoria na empresa?

A ideia de profissionalização da gestão no Brasil é relativamente nova. Chegou aqui com as poucas multinacionais existentes até a década de 1980 e ganhou força com a abertura econômica em diferentes setores a partir do Governo Collor no início da década de 1990 (algo bom que você talvez não saiba), apesar do pânico que causou em algumas áreas mais sensíveis da economia, sem regras claras de regulação e controle.

Isso forçou a maioria das empresas a se modernizar, investir em tecnologia, renovar máquinas e equipamentos, aprender a negociar em outros idiomas e, mais do que tudo, capacitar profissionais para um modelo de gestão que poucos tinham ideia de como funcionava no mundo novo globalizado.

Até então, o Brasil caminhava tranquilamente sob o mito da empresa familiar – o self mande man – e o mito do pai-patrão – as empresas públicas – onde a gestão profissional era algo secundário, afinal, o estoque era suficiente para garantir a entrada de dinheiro, caso contrário, um emprego no serviço público, conquistado por meio de um bom padrinho, poderia garantir a sobrevivência do felizardo pelos próximos trinta anos. Padrinho era o que não faltava na época.

O que muito pouca gente contava é que, com a virada do milênio, o mundo seria outro e a forma de fazer negócios mudaria radicalmente, por questão de escassez, sobrevivência, competitividade, práticas ilegais de fabricação e comercialização e concentração de poder na mão de grandes corporações, portanto, o mercado ficou mais cruel em termos de competitividade.

Por tudo isso, o emprego se tornou mais escasso, o chefe mais inseguro, o patrão desconfiado e o líder mais pressionado por resultados econômicos e financeiros consistentes, afinal, não há empresa nem liderança que resistam à ausência de lucro, a qualquer preço, por uma questão de sobrevivência mesmo.

O que acontece com seu pai empresário, seu chefe ou mesmo seu patrão que não dão a mínima para o que você fala, apesar de você querer o melhor para o futuro da empresa? Vejamos algumas crenças irracionais sobre o assunto utilizadas como instrumentos de defesa e diretamente relacionadas com os modelos mentais de cada um:

  • Sempre deu certo dessa maneira e não posso correr o risco de por tudo a perder;
  • Não precisamos de um consultor dizendo o tempo todo o que temos que fazer; sabemos onde está o problema;
  • Enquanto estiver por aqui, a última palavra é minha; eu ainda mando nesse negócio, portanto, vai ser assim até eu morrer;
  • O papel aceita tudo, mas, na prática, o que manda é a experiência;
  • Essa juventude tem muito que aprender; o que conta mesmo é a confiança que o patrão tem em mim;
  • Se os resultados são bons, por que mexer em time que está ganhando?
  • Nem adianta levantar essa questão, você é novo por aqui e ninguém vai dar a mínima atenção;
  • Manda quem pode, obedece quem precisa, cai fora quem tem juízo;
  • Não consigo gente boa no mercado;
  • Sem mim este negócio não funciona;
  • Falta pouco tempo para me aposentar, depois não é mais problema meu (típico do serviço público);
  • A responsabilidade é minha, portanto, eu decido o que é bom ou ruim para o negócio.

Em pleno século 21, ainda é possível presenciar coisas desse tipo em grande parte das empresas. São discursos pobres, infames, carregados de orgulho e prepotência, típicos de chefes e patrões inseguros pouco preocupados com o crescimento da empresa ou com o aproveitamento dos jovens executivos de talento que aparecem todos os dias no mercado.

Na prática, é algo do tipo salve-se-quem-puder ou salve-se-quem-tem-poder. Pouco importa se a ideia é boa e se vai melhorar a qualidade do produto ou serviço. O que importa é se não vai acabar interferindo na estabilidade do seu cargo e na sua boa relação com dono da empresa. Quanto custaria para o chefe admitir que você tem razão? Se o orgulho não deixa, imagine a ignorância.

No papel de subordinado, você pode mudar isso? Depende do poder que você tem, do quanto seu chefe está preparado para ouvir, da afinidade com o dono, da gorda poupança que você fez durante o tempo de empresa e da energia que está disposto a gastar para mudar coisas sobre as quais você não tem o menor controle.

De maneira geral, não adianta chorar no corredor, conspirar contra o chefe no banheiro, desabafar com os amigos na mesa do bar tampouco voltar para casa e tratar esposa e filhos na porrada. Em alguns casos, mesmo na iminência de falir, alguns patrões e chefes permanecem insensíveis até o fim.

Por que seu chefe não dá a mínima para o que você diz?

A realidade é o que ela é, portanto, é necessário mais do que boa vontade para reverter uma situação de desconforto, se é que isso lhe causa algum. Há quem goste de apenas obedecer ordens, por questão de sobrevivência ou mesmo de comodidade. Dá trabalho mudar. Mudar a si mesmo é difícil, imagine mudar os outros.

Contudo, se não existe a mínima possibilidade de o chefe ou o patrão acatarem 1% das suas ideias, aqui vão algumas opções:

  • Prepare-se o máximo que puder, marque uma reunião com ele e diga tudo o que está entalado na garganta, mas lembre-se das escolhas e consequências. Tem coragem?
  • Se não tem coragem, fique quietinho, pare de conspirar nos corredores da empresa e continue trabalhando, daqui a pouco você muda ou se aposenta. Conhece alguém que tenha conseguido aumento por falar mal do chefe?
  • Comece a mandar currículo ou contrate um bom headhunter; mexa-se enquanto é novo e ainda dá tempo de conseguir algo onde seu esforço possa ser mais reconhecido e sua inteligência melhor aproveitada.
  • Consiga uma cópia do currículo do chefe e envie para algumas empresas, quem sabe ele é chamado e você consiga o lugar dele.
  • Exerça uma atividade paralela nos horários de folga, talvez você se fortaleça nela e acabe trocando. Tem coisas que o dinheiro não paga.
  • Construa um bom modelo de negócio e comece a pensar em empreender.

Se você trabalha numa dessas empresas onde questionar o status quo ou fazer uma contribuição positiva soa como ofensa, está na hora de partir para novos desafios, caso contrário, sua inteligência vai atrofiar.

Se você trabalha numa dessas empresas onde questionar o status quo e fazer uma contribuição positiva é o mínimo que se espera de um profissional, agradeça todos os dias pelo fato de não ser mais um na multidão. Você é dos poucos privilegiados na face da Terra cuja inteligência não é menosprezada.

Por fim, se você não se importa com nada do que foi dito até agora e está apenas tentando sobreviver no mundo corporativo ou está em busca de estabilidade e uma aposentadoria razoável, então, o melhor é torcer para não ser lembrado pelo chefe nem pelo patrão e continuar fazendo seu trabalho da melhor forma possível.

Pense nisso e seja bem mais feliz!

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