Aproveite melhor o seu tempo

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Faz exatamente trinta anos que eu desembarquei na Rodoferroviária de Curitiba, depois de quatro horas sentado no banco de um ônibus. Nas mãos, uma simples mala com algumas “mudas” de roupas e uma bolsa esportiva que não devia ter mais do que um par de tênis, um de sapatos e outro de chinelos.

De consolo, trazia comigo um bolo tipo “nega maluca” e um pão caseiro que minha mãe preparou com muito carinho antes de se despedir e fazer dezenas de recomendações para depois se derramar em prantos. Arrepio só de lembrar. Ao meu lado, o grande companheiro Madá (Paulo).

Depois de alguns minutos de caminhada, chegamos à pensão localizada na Rua Visconde de Guarapuava, 2542 – Edifício Abrão Zabner, onde uma tropa da mesma cidade esperava por nós. O local era de arrepiar, mas para um “capiau do mato” encantado com a cidade grande, qualquer coisa era válida.

Era 23 de julho de 1981, sábado. A tarde estava fria e nublada. A mente fervia de ideias e preocupações. Quando você é novo e vive com a cabeça nas estrelas, enfrenta qualquer batalha. Em quase meio século de existência, as coisas já não são tão simples.

Por que estou lhe dizendo tudo isso? Trinta anos passam muito rápido, aliás, 48 anos, no meu caso, significam meia jornada na face da Terra. Em menos de cinquenta anos você já experimentou todas as emoções: amor e ódio, alegria e tristeza, paz de espírito e desequilíbrio, esperança e desencanto.

Em trinta anos, fiz promessa e não cumpri, engordei e emagreci, aprendi e desaprendi, demiti e admiti, já chorei e já sofri, perdoei e ofendi. Fiz cara feia também, comprei brigas desnecessárias, lutei por coisas que não valiam a pena, mas nunca perdi a esperança de me tornar um ser humano melhor.

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Em trinta anos, tive a oportunidade de correr atrás dos meus sonhos. Fiz curso técnico, faculdade, especialização, inglês e mestrado. Não me arrependo de ter estudado quase três décadas, sem contar a docência, embora isso não tenha me tornado o homem mais rico do planeta. A riqueza tem mil faces.

Em trinta anos, mudei de emprego oito vezes, viajei muito pelo Brasil, conheci alguns países, casei e me tornei um bom pai de família. Não dá pra dizer que não fui um bom marido também. Queria ter sido um pai melhor, um marido melhor, um profissional melhor, juro, mas continuo me esforçando.

Em trinta anos, conheci pessoas que realizaram mais, entretanto, isso não muda a história dos acontecimentos, afinal, eu e você não somos apenas os nossos resultados. Nossas histórias são carregadas de bons e maus momentos e história, meu amigo, cada um tem a sua. Qualquer comparação é bobagem.

Poderia ter feito mais? Não tenho dúvidas, mas o tempo não dá saltos e, como eu sempre digo, independentemente do tempo, o importante é não perder o objetivo de vista. Coisas boas acontecem somente para pessoas que aproveitam o tempo e tomam medidas eficazes para mudar o rumo dos acontecimentos.

O ambiente muda, o modo de pensar muda, os objetivos mudam. O que não pode mudar é a nossa vontade de realizar enquanto é tempo. Haverá de chegar o dia em que você não vai querer mudar mais nada, vai querer apenas viver.

O que você ainda não fez para tornar o mundo melhor ou para se tornar uma pessoa melhor? Quanto dinheiro você ainda precisa ganhar para realizar algo que não precisa de dinheiro? Por quanto tempo o seu projeto vai continuar no papel esperando por um milagre?

Daqui a trinta anos quero escrever um artigo parecido e com a sensação indescritível de ter realizado tudo o que foi possível e necessário. Quando realiza mais você também se diverte, aprende, ensina, cresce e vive mais intensamente. O seu legado será determinado pela sua capacidade de realização.

Por tudo isso, aproveite cada minuto do seu tempo. Sorria, ame, chore, perdoe, estude, divirta-se e viaje mais. Mude de emprego, de casa, de cidade, de vida, se necessário. Concentre toda sua energia nas coisas em que você realmente acredita. Você vai falhar todas as vezes que não tentar.

A vida é uma longa viagem, mas é finita e nunca saberemos de fato onde ela nos leva nem quando termina, portanto, não deixe morrer o sonho que ainda vive dentro de você. Como diz o ditado, “você nasce sem pedir e vai embora sem querer, portanto, aproveite o intervalo”.

Por fim, lembre-se das sábias palavras de Joseph Campbell, autor de O Poder do Mito: “A vida é uma grande escada corporativa. Depressão é quando você chega ao final e descobre que a escada está encostada na parede errada.”

Pense nisso, aproveite melhor o seu tempo e seja bem mais feliz!

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