Amor no trabalho

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Por todas as empresas onde passei o cupido estava sempre de plantão e, vez por outra, algum casal era flechado. Eu mesmo fui vítima da flecha há vinte e cinco anos, portanto, escrevo com conhecimento de causa. Em relação a isso, pouco mudou nas últimas duas décadas.

O amor no trabalho, diferente do amor ao trabalho, é uma questão delicada e não conheço uma empresa sequer que não tenha vivido situação semelhante para administrar. Do ponto de vista antropológico, pode-se dizer que a atração entre duas pessoas faz parte da natureza humana e, por conta disso, fica difícil escolher o ambiente onde o amor deve acontecer.

O problema é que a maioria das empresas não sabe o que fazer quando o cupido invade o ambiente de trabalho e, muitas vezes, o relacionamento pessoal acaba confundido com o profissional tornando as coisas mais difíceis do que elas realmente são.

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Corporações mais evoluídas, de médio e grande porte, estabelecem regras de convivência através de um código de ética,previamente negociado por um comitê, outras nem se dão a esse trabalho. Isso acaba gerando desconforto, tanto para quem vivencia a experiência quanto para quem precisa administrá-la.

Soa um pouco grosseiro, mas é bom lembrar as algumas empresas nunca estarão preocupadas com o seu relacionamento, desde que isso não afete os seus resultados. A dificuldade maior reside no fato de você não se deixar influenciar a ponto de comprometer os seus resultados.

No meu caso, quando eu comecei a ser pressionado por conta do meu relacionamento no trabalho, entrei em consenso com a minha namorada na época, hoje minha atual esposa, e decidimos quebrar um dos nossos vínculos profissionais a fim de preservar o relacionamento.

Na época, tivemos um desfecho feliz, por livre e espontânea vontade, mas nem sempre é assim. Muitos casais, independentemente do estágio evolutivo do relacionamento, preferem manter sigilo, ou pelo menos pensam que mantém, e as coisas tomam um rumo muito diferente considerando que nenhum dos dois quer abrir mão do cargo.

Embora cada caso mereça uma análise e um tratamento específico, a fórmula genérica não muda, seja qual for o tamanho da empresa. Apesar de não existir consenso entre os estudiosos do assunto, quero compartilhar a experiência levando em conta os casos que testemunhei.

Em geral, tomo isso por padrão a ser utilizado em situações semelhantes quando consultado a respeito. Existem coisas para as quais não é necessário criar políticas nem estabelecer código de ética. A transparência é a melhor forma de administrar a situação e gerar credibilidade em relação aos seus propósitos, com base nos seguintes pressupostos:

Embora o amor seja inevitável, algumas coisas devem ser evitadas, pois não se deve esquecer que o ambiente de trabalho é, acima de tudo, o local onde se ganha o pão e, como diz o velho ditado, onde se ganha o pão… Nem é preciso dizer o resto.

Manter o relacionamento sem abrir o jogo, ainda que consiga resistir algum tempo, é arriscado e desnecessário. Se o compromisso é sério, não há razão para esconder tampouco para colocar o emprego em risco; uma conversa aberta com o superior imediato, em princípio, tende a amenizar a questão.

Se a política for clara, não há muito que discutir, basta seguir a regra e decidir quem vai abrir mão do cargo ou do emprego em benefício do relacionamento; em último caso, tente negociar a transferência para outra área.

Em casos de subordinação direta, as coisas são ainda mais delicadas; por mais profissional que alguém possa parecer, é praticamente impossível imaginar que, em algum momento, o clima não vai mudar ou que alguém não vai levar o fato em consideração ao primeiro deslize, portanto, todo cuidado é pouco;

Nesse caso, o ideal é separar profissionalmente as partes mediante a transferência de um dos dois para outra área ou setor a fim de evitar contratempos futuros.

Ninguém está livre de se apaixonar e encontrar o par ideal na empresa onde trabalha, mas imaginar que isso vai passar em branco será uma grande ilusão. Quando o cupido invade o ambiente corporativo, jogo aberto e bom senso ainda são remédios eficazes para evitar desgastes e constrangimentos desnecessários.

Pense nisso e seja feliz!

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