Acredite: livros vendem como refrigerante

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

A saga do empresário que reformou as máquinas de refrigerantes para oferecer literatura de qualidade a R$ 4,99 no metrô de São Paulo. E se deu bem.

Ainda neste primeiro semestre (2007), quando o Monitor Group, um dos líderes globais em consultoria estratégica, divulgar sua coletânea internacional 101 Innovations, destacando produtos, modelos de negócios e serviços inovadores do mundo todo, um microempresário paulistano aparecerá como representante do Brasil. Seu nome é Fábio Bueno Netto, e ele é o criador das máquinas de vender livro instaladas em várias estações do metrô de São Paulo.

livros

Parece, mas não é coisa de jovem idealista. Fábio é médico de formação, tem 47 anos e vasto histórico de empreendedorismo. Boteco na praia, “fábrica” de batatinhas fritas, revenda de peças para caminhões e uma operadora de turismo em Manaus recheiam seu currículo. “A culpa é do meu pai, que financiava papel para eu vender pipas quando era moleque”, diz. A ideia da maquininha de vender livro Fábio teve quando trabalhava nas Páginas Amarelas. Ninguém levou a sério e ele batalhou por dois anos e meio para viabilizar tudo sozinho. Até hoje já despejou R$ 600 mil na empresa.

A descrição do negócio feita pelo Monitor, na defesa do projeto, é precisa: “Há livros das mais diferentes categorias, incluindo clássicos, dicionários e textos religiosos, muitos deles custando menos de R$ 5 (…) A invenção foi uma adaptação das máquinas de refrigerantes”. Chamada 24 X 7 Cultural, a empresa, fundada há quatro anos, já opera 21 máquinas e vende 13 mil livros por mês. A maioria para um público excluído das livrarias – o que lhe rende elogios, por exemplo, de Pedro Herz, dono da reputada Livraria Cultura. “Se é um estímulo para alguém comprar livros, por que não apoiar essa ideia?” – indaga. A expectativa de Herz é de que, no longo prazo, a iniciativa ajude a formar leitores. “Tomara que pegue”, diz.

O projeto de expansão, que devia ter decolado em 2006, atrasou por dificuldades no aperfeiçoamento das vending machines, que ficarão mais seguras (houve episódios de arrombamento) e versáteis. Em meados de maio, as novas máquinas devem estar prontas, e a 24 X 7 começará a vender franquias.

Fábio espera terminar 2007 com 400 delas. E, no ano que vem, chegar a 1.000. A essa altura, se tudo correr bem, terá deixado de ser microempresário, mas não, espera-se, inovador. A nova fronteira é a venda de livros com pagamento por meio de cartão de crédito, via telefone. “Vai ser fantástico comprar um presente pelo celular e retirar na máquina”, diz.

TEIXEIRA, Alexandre. Revista Época NEGÓCIOS, São Paulo, edição n. 3, maio 2007, p. 28-29.

 

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Comente

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *