A coisa certa

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O que faz você levantar todos os dias de manhã cedo? Você vê algum sentido nisso? Não seria mais fácil ficar na cama, esperar o café, fingir-se de doente, ler um bom livro, assistir televisão, ligar o computador, ouvir música o dia todo, contemplar o sol e a chuva pela janela?

Segundo os existencialistas, cuja escola filosófica teve origem no fim do século XIX, pensar em um universo imprevisível e indiferente levaria muitos ao desespero. Por essa razão, a maioria levanta, mesmo a contragosto, para sentir-se útil.

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Quando pensamos e interagimos, fazemos parte do meio, portanto, existimos. De alguma forma, somos parte de uma teia complexa que nos liga uns aos outros. Não conheço ninguém que queira viver e morrer sozinho, isolado do mundo.

A necessidade de pertencimento está para o homem assim como o oxigênio está para todos os seres vivos. Dessa forma, esbravejamos, levantamos, fazemos a única coisa a fazer: enfrentar a dura realidade da luta diária pela sobrevivência.

Ao longo do tempo, fomos impregnados com a ideia de que levantar da cama para trabalhar, sentir-se útil e sobreviver, é o mínimo que as pessoas sensatas podem querer para si mesmo. Fazemos aquilo que achamos que é certo ou que a sociedade nos impõe como certo.

Nietzsche, filósofo alemão, afirmou que o homem se satisfaz muito facilmente com a mediocridade e que a maioria dos homens não se dá ao trabalho de ser tudo o que pode ser. Entregar-se a uma vida sem propósito é a coisa certa?

Verdade para uns, bobagem para outros, a coisa certa é necessária mesmo quando não existe razão para isso. Devemos fazê-la, não pelo temor ao castigo ou simples necessidade de sobrevivência, mas, porque levantar cedo, produzir, fazer o bem e sentir-se parte integrante da teia da vida é a coisa mais certa a fazer, para o nosso próprio bem.

O certo e o errado, na maioria das vezes, dependem do ponto de vista de cada ser humano, entretanto, nas cavernas obscuras do nosso inconsciente, algo nos diz que precisamos continuar reconhecendo entre um e outro.

Onde não existe esperança, progresso e ideais, também não existe sentido de vida. A existência humana é frágil e as convicções religiosas confortam até certo ponto, mas não reduzem a ansiedade individual nem coletiva.

O que é certo e o que é errado? Todos sabem o que é errado e fazer o certo dá um trabalho danado. Seja qual for a sua escolha, não é preciso depender dos outros, seguir os outros nem abaixar a cabeça como se não tivesse pensamentos próprios.

Para fazer o certo e utilizar o trabalho com sabedoria, é necessário separar o joio do trigo, o veneno da sabedoria, a maldade da integridade. Somos livres para moldar o próprio destino, entretanto, a liberdade também exige renúncia de coisas que, quase sempre, não estamos dispostos a abrir mão.

Em caso de dúvida, pense como os orientais que tem uma tradição de ver a vida em fases e uma visão mais holística e positiva de cada fase. Confúcio reconheceu que as diferentes fases da vida humana consomem a energia de uma pessoa de maneira diferente, e cunhou a seguinte máxima:

“Aos quinze anos, eu queria muito aprender. Aos trinta, eu havia firmado os pés no chão. Aos quarenta, deixei de ficar perplexo. Aos cinquenta, eu soube quais eram as ordens do Céu. Aos sessenta, escutei-as com os ouvidos dóceis. Aos setenta, pude obedecer ao que o meu coração ditava; pois o que eu desejava não mais ultrapassava os limites do certo.”

Por fim, lembre-se: se você sabe o que é bom e o que é mau, seguramente, será capaz de compreender melhor o que é certo ou errado. Se não se sente confortável com o que está fazendo, seja lá o que for, talvez devesse repensar seriamente em vez de ficar procurando justificativas para não mudar. Da mesma forma, se você considera a coisa certa, sempre haverá maneiras de justificá-la.

Pense nisso e seja feliz!

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