A boa crítica

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Num mundo recheado de amadorismo e ferramentas tecnológicas à nossa disposição, é comum aflorar no ser humano comum, muitas vezes desprovido de senso crítico, aquela vontade incontrolável de participar do debate em qualquer circunstância. Nesse sentido, não há problema algum, afinal, temos o livre arbítrio para decidir entre o que queremos e o que não queremos expressar mediante um fato inusitado, um comportamento malogrado ou uma opinião exacerbada, embora essa atitude não produza qualquer efeito positivo em nossa vida.

Como diz o adágio popular, se conselhos, críticas ou simpatias valessem alguma coisa, estaríamos todos ricos. Entretanto, quando uma crítica se torna a atividade primordial do ser humano, principalmente quando escondido sob um pseudônimo ou coisa que o valha, não faz o menor sentido nem deve ser submetida a qualquer parâmetro de validade.

Há quem se deleite ao expressar uma crítica ou opinião sem consultar a parte contrária, sem o menor embasamento em pesquisa, sem fatos e dados, sem fundamentação que mereça um pouco de crédito ou ainda sem o senso crítico necessário para expressar o melhor julgamento sobre o trabalho realizado, e não necessariamente sobre a pessoa ou o profissional que o executa.

crítica

Isso ocorre em todas as camadas da sociedade com a maioria das pessoas por conta da pobreza de espírito e do instinto primitivo de algumas pessoas que em vez de ler, de estudar ou de compartilhar conhecimento, preferem aderir à opinião alheia. A constatação é simples e, geralmente, pessoas que nada tem a ver com o problema são induzidas a participar, o que torna ainda mais ridícula a versão de quem iniciou a crítica.

Reflita um pouco. Quantas vezes você já foi induzido a participar de uma crítica no trabalho, na internet ou no happy hour ainda que não tivesse a mínima vontade de contribuir para o acirramento do ódio alheio? Creio que você já perdeu a conta. Quantas vezes as pessoas são capazes de interromper ou enfrentar um crítico e difamador apenas para não participar daquilo que consideram um perfeito desperdício de energia vital? Poucas vezes ou talvez nenhuma.

Por que isso acontece? Por inúmeras razões, dentre as quais é possível destacar aquilo que eu chamo de Ausência de DPO no ser humano:

• Ausência de Discernimento: saber conhecer distintamente, distinguir entre a realidade e a ficção, o justo e o injusto, o certo e o errado, o bom e o mau e assim por diante, sem tendência ao pré-julgamento ou influência de terceiros;

• Ausência de Princípios: existem valores que são universais, ou seja, valem para todas as pessoas, independentemente da cor, origem, opção sexual ou religião, portanto, não fazer aos outros aquilo que você não quer que façam a você ou a qualquer um dos seus amigos e familiares continua extremamente atual;

• Ausência de Objetivos Pessoais: quando alguém não produz nada de bom e não tem a mínima preocupação com o futuro, torna-se mais crítico em relação àqueles que produzem coisas positivas e canalizam esforços para reduzir a hipocrisia do mundo.

Muito bem! Isto significa que você não pode mais criticar aquilo que considera injusto ou fora de propósito, sob o seu ponto de vista? Claro que não. Entretanto, saber criticar é uma dádiva para poucos. Uma boa crítica ou crítica construtiva, se é que podemos chamá-la dessa maneira, requer postura ética e alguns cuidados mínimos que apenas as pessoas bem intencionadas são capazes de adotar.

• Conhecimento do assunto: qualquer crítica requer embasamento e, principalmente, um ponto de vista que estimule o aprendizado em vez de fomentar o ódio e o desprezo pelas pessoas ou idéias alheias; criticar apenas porque os outros estão criticando, sem propriedade ou consistência, é uma atitude leviana que não acrescenta nada na sua vida nem na vida de quem você deseja criticar.

• Respeito à opinião alheia: uma coisa é você imaginar que está no caminho certo; a outra é achar que o seu caminho é o único, já dizia Paulo Coelho; portanto, admita que o outro, assim como você, deve ter seus motivos para seu comportamento; cada um sabe da sua própria dor ou renúncia, completa o escritor.

• Assuma a responsabilidade: quem critica deve dar a cara para bater; criticar de forma vil ou apunhalar os outros pelas costas, sem chance de defesa, escondido sob pseudônimo, cartas anônimas, conversinhas informais de botecos ou coisa que o valha, representa simplesmente um ato de covardia.

Leia, reflita, pense nisso e seja feliz!

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Comente

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *